Ultrassonografia

Ultrassom Pélvico Transvaginal: indicações e como interpretar

📅 Atualizado em maio de 2026 ⏱ Leitura: 8 minutos 👩‍⚕️ Revisado por especialista em Ginecologia e Ultrassonografia

O ultrassom pélvico transvaginal é o principal exame de imagem da ginecologia. Ao posicionar o transdutor dentro do canal vaginal — muito próximo ao útero e aos ovários —, ele oferece imagens com resolução e detalhe incomparáveis ao ultrassom abdominal convencional. É o método de escolha para avaliação do endométrio, diagnóstico de miomas, cistos ovarianos, pólipos, endometriose e monitoração da ovulação — além de ser essencial na investigação de dor pélvica, sangramento uterino anormal e acompanhamento da gestação inicial.

📋 Ultrassom Transvaginal — Dados Essenciais

  • Via: transdutor vaginal introduzido delicadamente no canal vaginal
  • Bexiga: deve estar vazia ou semi-vazia
  • Dói? Não em geral — sensação de pressão leve
  • Vantagem sobre o abdominal: muito maior resolução para estruturas pélvicas
  • Pode ser feito durante a menstruação? Sim, sem contraindicação
  • Estruturas avaliadas: útero (corpo, colo, cavidade), endométrio, trompas, ovários, fundo de saco

Ultrassom transvaginal: dói, precisa de preparo e pode fazer menstruada?

O ultrassom transvaginal dói?

Em geral, não. O transdutor é fino, revestido por um protetor descartável e introduzido delicadamente com gel lubrificante — a maioria das mulheres sente apenas uma leve pressão. Não precisa de anestesia e é um exame rápido (cerca de 10 a 15 minutos). Em situações como vaginismo ou inflamação pélvica aguda, o examinador adapta a técnica ou opta pelo ultrassom abdominal.

Precisa de algum preparo?

  • Bexiga vazia ou semi-vazia — ao contrário do ultrassom abdominal, que exige bexiga cheia como janela acústica.
  • Não é necessário jejum — o jejum só é exigido em ultrassons do abdome superior, não no exame pélvico.
  • Não há necessidade de abstinência sexual nem de depilação para realizar o exame.

Pode fazer durante a menstruação?

Sim, não há contraindicação. Em alguns casos o exame é até indicado nessa fase — por exemplo, na investigação de sangramento anormal ou para avaliar o endométrio no início do ciclo. Se preferir remarcar por conforto pessoal, converse com o médico; clinicamente, porém, a menstruação não impede o exame.

Por que o transvaginal é superior ao abdominal na ginecologia

O ultrassom abdominal depende da bexiga cheia como "janela acústica" e opera a uma distância maior dos órgãos pélvicos — o que limita a resolução da imagem. O transdutor vaginal, por estar a poucos centímetros do útero e dos ovários, usa frequências mais altas e produz imagens com muito mais detalhe: é possível medir o endométrio com precisão milimétrica, caracterizar pequenos cistos ovarianos, identificar pólipos intracavitários de 3–4 mm e avaliar a vascularização das estruturas com Doppler colorido.

Isso não significa que o abdominal seja obsoleto: ele é complementar, preferido em virgens, em casos de vaginismo, em úteros muito aumentados e na gestação avançada. Na ginecologia de rotina, porém, o transvaginal é o exame de referência.

Principais indicações do ultrassom transvaginal

Investigação de sangramento uterino anormal

Qualquer sangramento fora do padrão esperado — seja em mulher em idade reprodutiva (sangramento intermenstrual, ciclos muito irregulares, fluxo excessivo) ou na pós-menopausa — deve ser investigado com ultrassom transvaginal. O exame avalia a espessura e a ecotextura do endométrio, identifica pólipos e miomas submucosos e rastreia alterações sugestivas de hiperplasia ou neoplasia endometrial.

Avaliação de dor pélvica crônica ou aguda

Na dor pélvica crônica, o transvaginal investiga causas estruturais como endometriose, miomas, cistos ovarianos e hidrossalpinge. Na dor aguda, é o exame de urgência para investigar torção ovariana, rotura de cisto, doença inflamatória pélvica (DIP) e gravidez ectópica.

Monitoração do ciclo e da ovulação

O ultrassom transvaginal é usado para monitorar o desenvolvimento folicular em ciclos naturais ou induzidos por medicação (reprodução assistida). Permite medir folículos com precisão, confirmar a ovulação (colapso folicular e formação do corpo lúteo) e avaliar a espessura endometrial para receptividade uterina.

Rastreamento e acompanhamento de patologias uterinas e ovarianas

  • Miomas: localização (subseroso, intramural, submucoso), número, tamanho e relação com a cavidade uterina
  • Adenomiose: útero globoso e ecotextura heterogênea do miométrio (ver patologias do útero)
  • Cistos ovarianos: diferenciação entre cistos funcionais benignos e lesões suspeitas
  • Pólipos endometriais: lesões focais intracavitárias, frequentemente causa de sangramento intermenstrual
  • Endometriose: endometriomas ovarianos com padrão de "vidro fosco"
  • Síndrome do ovário policístico (SOP): avaliação do volume ovariano e contagem de folículos antrais

Gestação inicial

Na gestação do 1º trimestre, o transvaginal confirma a localização intrauterina da gestação, avalia a frequência cardíaca fetal, mede o comprimento cabeça-nádega (CCN) e investiga sangramento ou dor pélvica. É o método de escolha para diagnóstico de gravidez ectópica e de gestação anembrionada.

O que o laudo avalia — e como interpretar

Útero

  • Tamanho e forma: útero normal mede aproximadamente 7–9 cm de comprimento; pode ser maior em multíparas ou com miomas
  • Posição: anteversoflexão (normal), retroversão (variante normal em ~20% das mulheres)
  • Ecotextura: homogênea = normal; heterogênea pode indicar adenomiose, miomas ou inflamação
  • Contorno: regular = normal; irregular pode indicar miomas subserosos ou aderências

Endométrio

A espessura endometrial varia ao longo do ciclo e tem significado diferente conforme o status hormonal da mulher:

Espessura Endometrial — Valores de Referência

Situação Espessura Normal Atenção se
Fase menstrual 1–4 mm Conteúdo heterogêneo pode indicar retenção
Fase proliferativa 4–8 mm Aspecto trilaminar esperado
Fase secretora 8–14 mm Ecogênico e homogêneo = normal
Pós-menopausa (sem TH) ≤ 4–5 mm > 4–5 mm → investigar
Pós-menopausa (com TH) ≤ 8 mm > 8 mm → investigar

Ovários

  • Tamanho normal: volume de até cerca de 10 cm³ em mulher em idade reprodutiva; menor na pós-menopausa
  • Folículo dominante: estrutura anecoica (escura) de 18–24 mm no período periovulatório — normal
  • Cisto folicular: folículo que não rompeu, geralmente regride espontaneamente em 1–2 ciclos
  • Corpo lúteo: estrutura complexa pós-ovulação — normal
  • Endometrioma: cisto com conteúdo homogêneo de baixa ecogenicidade ("vidro fosco") — sugestivo de endometriose
  • Cisto dermóide (teratoma): aspecto heterogêneo com sombra acústica posterior — geralmente benigno

Fundo de saco de Douglas

Pequena quantidade de líquido livre no fundo de saco é normal no período pós-ovulatório. Líquido em quantidade aumentada ou com ecos suspeitos pode indicar sangramento (gravidez ectópica rota, cisto hemorrágico) ou infecção (DIP). Implantes nodulares no fundo de saco são altamente sugestivos de endometriose profunda.

⚠️ Laudo não é diagnóstico clínico: O ultrassom descreve achados morfológicos — não fecha diagnósticos por si só. Um "cisto simples de 3 cm" pode ser um folículo normal ou um cisto de retenção; a interpretação correta depende da correlação com a clínica, o histórico menstrual, os sintomas e, quando necessário, exames laboratoriais. Sempre discuta o laudo com seu ginecologista.

Perguntas Frequentes

O ultrassom transvaginal dói?

Em geral, não dói. O transdutor vaginal é fino, revestido com um protetor descartável e introduzido delicadamente no canal vaginal com gel lubrificante. A maioria das mulheres relata apenas uma sensação de pressão leve. Em casos de vaginismo, inflamação pélvica aguda ou pós-operatório recente, o examinador adapta a técnica ou opta pelo ultrassom abdominal. Não há restrição para realizar o exame em mulheres sexualmente ativas.

Preciso fazer o ultrassom transvaginal com bexiga cheia ou vazia?

Para o ultrassom transvaginal, a bexiga deve estar vazia ou semi-vazia. Diferente do ultrassom abdominal — que exige bexiga cheia como janela acústica —, o transvaginal usa o próprio transdutor próximo aos órgãos, dispensando esse recurso. Uma bexiga muito cheia pode, inclusive, dificultar a visualização do útero ao deslocá-lo para trás.

Ultrassom transvaginal pode ser feito durante a menstruação?

Sim, pode. Em alguns casos, é inclusive indicado durante o período menstrual — a avaliação do endométrio na fase menstrual tem características específicas, e a investigação de sangramento anormal muitas vezes exige que o exame seja realizado nesse momento. Não há contraindicação clínica para o exame durante a menstruação.

Qual a diferença entre ultrassom transvaginal e abdominal?

O ultrassom abdominal usa um transdutor externo sobre o abdome, exigindo bexiga cheia como janela. Por ser mais distante dos órgãos, tem menor resolução para estruturas pequenas. O transvaginal posiciona o transdutor próximo ao útero e ovários, oferecendo imagens com muito mais detalhe e resolução — especialmente para endométrio, ovários e estruturas pélvicas. Em ginecologia, o transvaginal é o padrão preferencial na maioria das indicações.

O que é espessura endometrial e quais são os valores normais?

A espessura endometrial é a medida da parede interna do útero em seu maior diâmetro. Os valores variam conforme a fase do ciclo: na menstrual é fina (1–4 mm), na proliferativa aumenta progressivamente (4–8 mm), atingindo o máximo na fase secretora (8–14 mm). Na pós-menopausa, acima de 4–5 mm sem terapia hormonal é indicação de investigação adicional.

Ultrassom transvaginal detecta endometriose?

O ultrassom transvaginal detecta endometriomas ovarianos com boa acurácia — eles têm aspecto característico de "vidro fosco". No entanto, a endometriose superficial e os implantes profundos em estruturas como septo retovaginal, bexiga e intestino têm acurácia variável. O ultrassom de endometriose profunda — técnica especializada com preparo intestinal — melhora significativamente a detecção nesses casos.

O ultrassom transvaginal serve para diagnosticar gravidez ectópica?

Sim — o ultrassom transvaginal é o método de escolha para investigar gravidez ectópica. Ele pode detectar uma gestação intrauterina com apenas 4–5 semanas, identificar ausência de saco gestacional no útero, e visualizar o saco ectópico na tuba uterina, ovário ou abdome. É exame de urgência em mulheres com dor pélvica e sangramento no 1º trimestre, especialmente com beta-hCG positivo e útero vazio.

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Conteúdo informativo. Este artigo não substitui a consulta médica. Para avaliação individualizada, procure um especialista em ginecologia ou medicina fetal de sua confiança.

Referências: ISUOG Practice Guidelines (Gynecological Ultrasound), ACOG, FEBRASGO, Salim R et al. (Endometrial thickness), Bourne T et al. (IETA consensus).