A cardiotocografia (CTG) — também chamada de monitoração fetal eletrônica — é um dos exames mais realizados no terceiro trimestre da gestação e durante o trabalho de parto. Em poucos minutos, ela fornece ao obstetra uma janela em tempo real sobre o bem-estar do feto: como seu coração reage aos próprios movimentos, às contrações uterinas e ao ambiente intrauterino. Interpretar corretamente esse traçado é uma das habilidades mais importantes da prática obstétrica.
Para a gestante, entender o que o exame avalia — e o que cada achado significa — transforma a experiência de olhar para aquele papel cheio de curvas em algo compreensível e menos ansioso.
📋 Em resumo
- O que mede: frequência cardíaca fetal (FCF) e contrações uterinas simultaneamente
- Tipos: CTG anteparto (repouso, sem estresse — NST) e intraparto (durante o trabalho de parto)
- Quando indicada no pré-natal: a partir de 32–34 semanas em gestações de risco; avaliação do movimento fetal reduzido; acompanhamento de RCIU, pós-datismo, hipertensão, diabetes
- O que avalia: linha de base da FCF, variabilidade, acelerações, desacelerações e contrações
- Traçado normal (reativo): FCF de base 110–160 bpm, boa variabilidade, duas ou mais acelerações em 20 minutos — indica bem-estar fetal
- Traçado patológico: bradicardia, desacelerações tardias ou variáveis profundas, variabilidade ausente — exige avaliação imediata
O que é a cardiotocografia e como funciona
A cardiotocografia registra simultaneamente, em papel ou tela, dois parâmetros:
- Frequência cardíaca fetal (FCF): captada por um transdutor de ultrassom colocado sobre o abdome materno sobre a região do coração do feto. O aparelho detecta os movimentos do coração fetal pelo efeito Doppler e converte em batimentos por minuto (bpm), plotados continuamente na parte superior do traçado.
- Atividade uterina (contrações): captada por um segundo transdutor — um tocodinamômetro (toco) colocado sobre o fundo uterino — que registra a tensão da parede abdominal quando o útero se contrai. Plotada na parte inferior do traçado.
O exame é completamente não invasivo, indolor e sem contraindicações. A gestante permanece deitada em decúbito lateral esquerdo (para evitar compressão da veia cava) ou semi-reclinada, com dois cintos elásticos fixando os transdutores ao abdome. A duração mínima para avaliação é de 20 a 30 minutos — podendo se estender por mais tempo se o feto estiver dormindo (ciclo sono-vigília de 20–40 minutos é normal).
Tipos de cardiotocografia
CTG anteparto — Teste de Bem-Estar Fetal (NST — Non-Stress Test)
Realizado fora do trabalho de parto, com o feto em repouso. Avalia a integridade do sistema nervoso autônomo fetal: um feto neurologicamente saudável, bem oxigenado, responde aos seus próprios movimentos com acelerações da frequência cardíaca. Esse é o fundamento do teste não estressante (NST).
Quando o resultado não é reativo após 40 minutos, pode-se realizar o teste estressante (TST ou OCT — Oxytocin Challenge Test): estimulação das contrações uterinas com ocitocina para avaliar como o coração fetal responde à compressão do cordão e à redução transitória do fluxo placentário durante as contrações.
CTG intraparto
Monitoramento contínuo da FCF durante o trabalho de parto — especialmente nos estádios ativo (dilatação >6 cm) e expulsivo. Permite detectar padrões de sofrimento fetal agudo causados pelas contrações e orientar decisões sobre a via e o momento do parto. Em trabalhos de parto de baixo risco, a ausculta intermitente com sonar Doppler pode substituir a CTG contínua; nas gestações de alto risco, a monitoração contínua é obrigatória.
Dúvidas sobre cardiotocografia ou bem-estar fetal?
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Agendar consulta →Indicações da CTG no pré-natal
A CTG anteparto não é exame de rotina para todas as gestantes — é indicada para avaliação do bem-estar fetal em situações de risco, sendo solicitada pelo obstetra no contexto do pré-natal de alto risco:
- Diminuição dos movimentos fetais percebida pela gestante — indicação mais frequente e urgente
- Gestação pós-termo (acima de 41 semanas) — risco crescente de insuficiência placentária
- Hipertensão arterial na gestação — pré-eclâmpsia, hipertensão crônica com pré-eclâmpsia superajuntada
- Diabetes gestacional ou pré-gestacional de difícil controle
- Restrição do crescimento intrauterino (RCIU) — avaliação seriada do bem-estar, geralmente associada ao Doppler fetal
- Oligoidrâmnio (volume de líquido amniótico reduzido)
- Gestação gemelar monocoriônica
- Isoimunização Rh — doença hemolítica perinatal
- Suspeita de sofrimento fetal por qualquer causa
- Colestase intra-hepática da gestação
- Doenças maternas com risco de comprometimento placentário (lúpus, trombofilia, cardiopatias)
Os parâmetros do traçado cardiotocográfico
A interpretação da CTG baseia-se na análise de cinco parâmetros principais:
1. Linha de base da FCF (frequência cardíaca fetal de base)
A frequência cardíaca fetal média, em bpm, avaliada em um segmento estável de pelo menos 2 minutos, excluindo acelerações e desacelerações.
- Normal: 110–160 bpm
- Taquicardia fetal: FCF basal >160 bpm por mais de 10 minutos. Causas: febre materna, infecção, ansiedade, medicamentos (betamiméticos, atropina), hipóxia fetal leve/moderada, arritmia fetal, anemia fetal
- Bradicardia fetal: FCF basal <110 bpm por mais de 10 minutos. Causas: compressão do cordão umbilical, hipóxia fetal grave, arritmia, medicamentos (betabloqueadores), hipotermia materna. Bradicardia grave (<80 bpm) é emergência obstétrica.
2. Variabilidade da FCF
A variabilidade representa as flutuações rítmicas e irregulares da FCF em torno da linha de base, geradas pela interação contínua entre o sistema nervoso simpático e parassimpático fetais. É o parâmetro mais importante da CTG — um feto com boa variabilidade dificilmente está comprometido.
- Variabilidade normal (moderada): amplitude de 6–25 bpm — indica sistema nervoso autônomo fetal íntegro e bem oxigenado
- Variabilidade mínima: amplitude de 1–5 bpm. Causas benignas: sono fetal (transitório, dura até 40 minutos), sedação por medicamentos (morfina, diazepam, sulfato de magnésio). Causas preocupantes: hipóxia fetal progressiva, acidose metabólica
- Variabilidade ausente: amplitude <1 bpm (traçado "silencioso"). Sinal de alerta grave — hipóxia severa, acidose, depressão do SNC fetal. Requer avaliação imediata.
- Variabilidade aumentada (saltatória): amplitude >25 bpm de forma persistente — pode indicar estimulação do sistema nervoso autônomo por compressão aguda do cordão
3. Acelerações
Aumento transitório da FCF acima da linha de base, com amplitude ≥15 bpm e duração ≥15 segundos (em fetos ≥32 semanas; ≥10 bpm/10 segundos em fetos <32 semanas). As acelerações ocorrem em resposta aos movimentos fetais — são o reflexo cardíaco do bebê "acordado e ativo".
- Presença de 2 ou mais acelerações em 20 minutos = traçado REATIVO — forte indicador de bem-estar fetal, baixo risco de acidose
- Ausência de acelerações em 40 minutos = traçado NÃO REATIVO — pode ser sono fetal normal ou sinal de comprometimento; requer avaliação adicional (estímulo vibroacústico, prolongamento do exame, complementação com Doppler/perfil biofísico)
4. Desacelerações
Reduções transitórias da FCF abaixo da linha de base. O tipo e o padrão das desacelerações têm enorme importância diagnóstica:
Desacelerações precoces (DIP I)
Queda gradual e simétrica da FCF que começa junto com a contração e retorna à linha de base ao final da contração — espelho da contração no traçado. Causadas pela compressão da cabeça fetal no canal de parto, que ativa reflexo vagal (estimulação do nervo vago pelo aumento de pressão intracraniana). São benignas, muito comuns no trabalho de parto.
Desacelerações tardias (DIP II)
Queda gradual da FCF que começa após o pico da contração e retorna à linha de base após o fim da contração — há um atraso ("lag") característico. Causadas por insuficiência uteroplacentária: durante a contração, o fluxo de sangue oxigenado para a placenta é transitoriamente reduzido; em placentas comprometidas, o feto não consegue compensar e a FCF cai.
Desacelerações tardias são sempre patológicas e indicam comprometimento da reserva fetal. Quando persistentes e associadas à variabilidade reduzida, são sinal de hipóxia fetal grave e exigem ação imediata.
Desacelerações variáveis (DIP umbilical)
Queda abrupta (início em menos de 30 segundos) da FCF, de morfologia variável, com duração e magnitude variáveis entre as contrações. Causadas por compressão do cordão umbilical — transitória durante as contrações ou movimentos fetais. Muito comuns no trabalho de parto.
- Desacelerações variáveis simples (não complicadas): queda <60 bpm abaixo da linha de base, duração <60 segundos, com recuperação rápida — geralmente benignas se isoladas
- Desacelerações variáveis complicadas (atípicas): queda ≥60 bpm, duração ≥60 segundos, com ombros ausentes, retorno lento, taquicardia pós-desaceleração ou variabilidade reduzida antes/depois — indicam compressão de cordão importante e merecem atenção
Desacelerações prolongadas
Queda da FCF abaixo da linha de base por mais de 2 minutos. Duração >10 minutos = mudança na linha de base. Causas: hipotensão materna (pós-anestesia), hiperestimulação uterina, prolapso de cordão, descolamento de placenta, compressão prolongada do cordão. Desaceleração prolongada grave (<80 bpm por >2 minutos) é emergência.
5. Contrações uterinas
O tocodinamômetro registra a frequência, duração e regularidade das contrações, mas não a intensidade (que só pode ser medida com cateter de pressão intrauterino). Em condições normais:
- Até 5 contrações em 10 minutos é considerado normal
- Taquissistolia: >5 contrações em 10 minutos — pode comprometer a oxigenação fetal; exige redução ou interrupção da ocitocina se em uso
📊 Resumo rápido: o que cada achado significa
| Achado no traçado | O que significa |
|---|---|
| Linha de base 110–160 bpm | Normal |
| Variabilidade moderada (6–25 bpm) | Bom sinal — bebê bem oxigenado |
| Acelerações presentes (≥2 em 20 min) | Reatividade — sinal tranquilizador |
| Desacelerações precoces (DIP I) | Benignas (compressão da cabeça no parto) |
| Desacelerações tardias (DIP II) | Atenção — comprometimento placentário |
| Variabilidade ausente / bradicardia | Sinal de alerta — avaliação imediata |
| CTG não reativo | Pode ser sono fetal — precisa de avaliação adicional |
Resumo simplificado — a interpretação real considera todos os parâmetros em conjunto e o contexto clínico.
O que significa cardiotocografia alterada?
As diretrizes internacionais mais utilizadas são as da FIGO (2015) e da ACOG, que classificam o traçado intraparto em categorias:
| Categoria (FIGO) | FCF de base | Variabilidade | Desacelerações | Conduta |
|---|---|---|---|---|
| ✅ Normal | 110–160 bpm | Moderada (6–25 bpm) | Ausentes ou precoces (DIP I) isoladas | Manejo obstétrico padrão |
| ⚠️ Suspeito | 100–109 ou 161–180 bpm | Mínima (>50 min) ou aumentada persistente | Variáveis não complicadas recorrentes; ausência de acelerações | Monitoração contínua; medidas corretivas; avaliar causa |
| 🚨 Patológico | <100 bpm ou bradicardia grave persistente | Ausente ou sinusoidal | Tardias recorrentes; variáveis complicadas com variabilidade reduzida | Ação imediata — ressuscitação intrauterina; considerar parto urgente |
Traçado normal (FIGO: normal)
- FCF de base: 110–160 bpm
- Variabilidade moderada: 6–25 bpm
- Presença de acelerações (não obrigatória durante o trabalho de parto ativo)
- Ausência de desacelerações tardias ou variáveis complicadas
- Desacelerações precoces podem estar presentes
Conduta: manutenção do manejo obstétrico padrão.
Traçado suspeito / indeterminado (FIGO: suspeito)
Alguma característica fora dos critérios normais, mas sem sinais francos de comprometimento:
- Variabilidade mínima por >50 minutos ou variabilidade aumentada persistente
- Ausência de acelerações por >50 minutos com variabilidade normal
- Desacelerações variáveis não complicadas recorrentes
- Taquicardia fetal sem outras alterações
Conduta: monitoração contínua, investigação da causa, medidas corretivas (reposicionamento materno, hidratação, suspensão de ocitocina), avaliação adicional com Doppler, pH fetal ou estimulação do couro cabeludo.
Traçado patológico (FIGO: patológico)
Sinais de comprometimento fetal significativo:
- Variabilidade ausente ou bradicardia sinusoidal
- Desacelerações tardias recorrentes
- Desacelerações variáveis complicadas recorrentes com variabilidade reduzida
- Bradicardia grave persistente (<100 bpm)
- Padrão sinusoidal (oscilação regular, suave, sem variabilidade de curto prazo — associado a anemia fetal grave)
Conduta: ação imediata — medidas de ressuscitação intrauterina (decúbito lateral esquerdo, O₂ materno, suspensão de ocitocina, hidratação IV) e decisão sobre antecipação do parto (cesárea de urgência se o parto vaginal não for iminente).
CTG no pré-natal: classificação do NST
Para o teste anteparto (NST), a classificação mais usada é:
- Reativo: ≥2 acelerações de ≥15 bpm/15 segundos em 20 minutos, com variabilidade moderada — excelente valor preditivo negativo; risco de óbito fetal em 1 semana <1:1.000
- Não reativo: ausência de 2 acelerações em 40 minutos — requer complementação diagnóstica (estímulo vibroacústico, perfil biofísico fetal, Doppler)
- Suspeito: acelerações presentes mas com amplitude ou duração insuficientes, ou variabilidade limítrofe
Perfil biofísico fetal (PBF): a CTG em contexto
A CTG frequentemente é avaliada como parte do perfil biofísico fetal (PBF), que combina 5 parâmetros, cada um pontuado em 0 ou 2 (máximo 10 pontos):
- NST reativo (2 pontos)
- Movimentos respiratórios fetais (≥1 episódio de ≥30 segundos em 30 min)
- Movimentos corporais fetais (≥3 movimentos em 30 min)
- Tônus fetal (extensão/flexão de membro ou abertura/fechamento de mão)
- Volume de líquido amniótico (bolsão ≥2 cm)
Pontuação ≥8/10 = bem-estar fetal; 6/10 = duvidoso, repetir em 24h; ≤4/10 = comprometimento fetal, considerar antecipação do parto.
Limitações da cardiotocografia
A CTG é um exame valioso, mas tem limitações importantes que todo obstetra — e toda gestante — deve conhecer:
- Alta sensibilidade, especificidade moderada: a CTG é muito boa em afastar sofrimento fetal quando normal, mas tem alta taxa de falsos positivos — muitos traçados "suspeitos" não correspondem a acidose real
- Variabilidade interobservador: a interpretação visual do traçado tem variabilidade significativa entre observadores — sistemas de análise computadorizada (como o sistema Oxford/Dawes-Redman) reduzem essa subjetividade
- Não mede pH fetal: a CTG avalia o comportamento do coração fetal, não o pH do sangue. Traçados suspeitos podem ser complementados com microanálise de pH no couro cabeludo fetal (PHF) no intraparto.
- Não diagnostica todas as causas de sofrimento fetal: anomalias cromossômicas, malformações cardíacas e anemia fetal grave (padrão sinusoidal) têm padrões específicos que exigem experiência para reconhecer
Cardiotocografia normal significa que o bebê está bem?
Sim — com uma ressalva importante sobre o que "normal" significa. Um traçado cardiotocográfico reativo é um sinal tranquilizador de que o feto está bem oxigenado e com sistema nervoso autônomo funcionando adequadamente naquele momento.
O que é considerado tranquilizador na CTG
| Parâmetro | Achado esperado (normal) |
|---|---|
| Linha de base (FCF) | 110–160 bpm |
| Variabilidade | Moderada: 6–25 bpm |
| Acelerações | 2 ou mais em 20 minutos |
| Desacelerações tardias | Ausentes |
A ressalva essencial: a CTG avalia o bem-estar fetal em tempo real, com validade aproximada de 1 semana em gestações estáveis. Em gestações de alto risco (RCIU com Doppler alterado, pré-eclâmpsia grave), a janela de segurança é menor e os exames são repetidos com maior frequência. Uma CTG normal não garante que o feto ficará bem por semanas — garante que estava bem naquele momento.
O dado mais tranquilizador: um traçado reativo tem valor preditivo negativo excelente — o risco de óbito fetal na semana seguinte a uma CTG normal é inferior a 1 em 1.000.
Quantos pontos são normais na cardiotocografia?
A CTG isolada não usa sistema de pontos — ela classifica o traçado como reativo, não reativo ou suspeito. A escala de pontos é do Perfil Biofísico Fetal (PBF), exame que combina a CTG com quatro parâmetros avaliados ao ultrassom, cada um valendo 0 ou 2 pontos (máximo 10).
Pontuação do PBF: o que significa
| Pontuação | Significado | Conduta |
|---|---|---|
| 8–10/10 | Bem-estar fetal ✅ | Seguimento habitual conforme risco |
| 6/10 | Duvidoso ⚠️ | Repetir em 24h; considerar parto se ≥36 semanas |
| 4/10 | Comprometimento provável | Avaliar antecipação do parto |
| 0–2/10 | Comprometimento grave 🚨 | Antecipação do parto indicada |
A CTG contribui com 2 pontos para o PBF (quando o traçado é reativo). Se o médico solicitou "cardiotocografia com pontuação" ou falou em "10 pontos", provavelmente está se referindo ao perfil biofísico completo, que inclui a CTG.
Cardiotocografia substitui o ultrassom?
Não. CTG e ultrassom são exames complementares com objetivos diferentes. Quando indicados juntos, cada um fornece informações que o outro não consegue — e nenhum substitui o outro.
CTG, Perfil Biofísico e Doppler: o que cada exame avalia
| Exame | O que avalia | Principal uso |
|---|---|---|
| CTG | Frequência cardíaca fetal e contrações | Bem-estar fetal em tempo real |
| PBF (ultrassom + CTG) | Movimentos, tônus, líquido amniótico e CTG | Avaliação global do bem-estar fetal |
| Doppler fetal | Circulação nas artérias umbilical, cerebral e uterina | Detecção de insuficiência placentária |
| Ultrassom (biometria) | Tamanho, crescimento, anatomia e líquido amniótico | Monitoramento do crescimento fetal |
Na prática: a CTG detecta sofrimento fetal agudo rapidamente — é o "alarme em tempo real". O ultrassom e o Doppler avaliam a causa e a evolução crônica do comprometimento. Em gestações de risco, os três são complementares e frequentemente solicitados em conjunto.
A CTG é como uma "janela" para o bem-estar do feto — não mostra tudo, mas quando é normal (reativo, com boa variabilidade e acelerações), diz com grande confiança que o feto está bem naquele momento. É essa segurança que torna o exame tão valioso no acompanhamento das gestações de risco.
Perguntas Frequentes
A cardiotocografia dói ou faz mal para o bebê?
Não. O exame é completamente indolor e não invasivo — os sensores ficam fixados na barriga com cintos elásticos e usam ultrassom de baixa intensidade, sem nenhum risco para a mãe ou para o bebê. Você pode sentir leve desconforto apenas pela posição deitada por 20 a 30 minutos.
Por que minha CTG foi "não reativa"? Significa que meu bebê está mal?
Nem sempre. A causa mais comum de um traçado não reativo é simplesmente o bebê estar dormindo — o ciclo de sono fetal dura até 40 minutos. Nesse caso, o médico pode estimular o bebê (estímulo vibroacústico) ou prolongar o exame. Apenas quando o traçado permanece não reativo e associado a outras alterações é que há preocupação real.
A partir de que semana é pedida a cardiotocografia?
Em gestações de risco, geralmente a partir de 32 a 34 semanas. O exame não é de rotina para todas as gestantes — é indicado em situações específicas como diminuição dos movimentos fetais, hipertensão, diabetes, restrição de crescimento fetal ou pós-datismo. Fora dessas indicações, não há necessidade de fazê-la.
O que são as acelerações no traçado da CTG?
Acelerações são aumentos temporários dos batimentos cardíacos do bebê, que acontecem quando ele se mexe — são o "sinal de que o bebê está ativo e bem". A presença de duas ou mais acelerações em 20 minutos indica um traçado reativo, o que é um excelente sinal de bem-estar fetal.
O que significa variabilidade na cardiotocografia?
Variabilidade é a oscilação natural dos batimentos do coração do bebê em torno de um valor médio. Uma variabilidade moderada (6 a 25 bpm de amplitude) mostra que o sistema nervoso autônomo do bebê está funcionando bem e ele está oxigenado. Variabilidade muito baixa ou ausente pode indicar que o bebê está dormindo, sedado por medicamentos ou, em casos mais graves, com falta de oxigênio.
Desacelerações na CTG sempre significam sofrimento fetal?
Depende do tipo. As desacelerações precoces, que espelham as contrações no parto, são benignas. Já as desacelerações tardias — que ocorrem depois do pico da contração — indicam comprometimento da circulação placentária e exigem avaliação imediata. O contexto e o padrão completo do traçado são o que importa para a interpretação.
Preciso fazer CTG se meu bebê parou de se mexer normalmente?
Sim, e essa é uma das indicações mais urgentes do exame. Diminuição dos movimentos fetais percebida pela mãe é sinal de alerta que precisa de avaliação no mesmo dia. Não espere a próxima consulta — procure atendimento obstétrico imediatamente para que o bem-estar do bebê seja verificado.
Cardiotocografia normal significa que o bebê está bem?
Sim, com uma ressalva. Um traçado reativo (FCF de base 110–160 bpm, variabilidade moderada de 6–25 bpm, duas ou mais acelerações em 20 minutos e ausência de desacelerações tardias) é um sinal tranquilizador de que o bebê está bem oxigenado naquele momento — o risco de óbito fetal na semana seguinte a uma CTG normal é inferior a 1 em 1.000. A ressalva: a CTG avalia o bem-estar em tempo real, com validade aproximada de uma semana em gestações estáveis; ela não garante que o bebê ficará bem por semanas, apenas que estava bem no momento do exame.
Quantos pontos são normais na cardiotocografia?
A cardiotocografia isolada não usa sistema de pontos — ela classifica o traçado como reativo, não reativo ou suspeito. A escala de pontos pertence ao Perfil Biofísico Fetal (PBF), que combina a CTG com quatro parâmetros avaliados ao ultrassom, cada um valendo 0 ou 2 pontos (máximo 10). Pontuação de 8 a 10 indica bem-estar fetal; 6 é duvidoso (repetir em 24h); 4 ou menos sugere comprometimento. A CTG contribui com 2 pontos quando o traçado é reativo.
A cardiotocografia substitui o ultrassom?
Não. CTG e ultrassom são exames complementares com objetivos diferentes. A CTG avalia a frequência cardíaca fetal e as contrações em tempo real — é o alarme de sofrimento fetal agudo. O ultrassom avalia anatomia, biometria, crescimento, líquido amniótico e placenta, e o Doppler avalia a circulação placentária. Em gestações de risco, os três costumam ser solicitados em conjunto, e nenhum substitui o outro.
Dúvidas sobre o resultado da sua cardiotocografia?
A Dra. Gabriella Dourado realiza acompanhamento de gestações de risco em São Paulo, incluindo cardiotocografia, Doppler fetal e perfil biofísico, com interpretação especializada e conduta segura para cada situação.
Agendar monitoramento fetal →Conteúdo informativo. Este artigo não substitui a consulta médica. Para avaliação individualizada, procure um obstetra.
Referências: FIGO Intrapartum Fetal Monitoring Expert Consensus (2015), ACOG Practice Bulletin No. 229 (Fetal Heart Rate Monitoring), FEBRASGO, Royal College of Obstetricians and Gynaecologists (RCOG — Green-top Guideline 57), Fetal Medicine Foundation.