Ginecologia

Pílula do dia seguinte: até quando tomar, como funciona e efeitos

📅 Atualizado em junho de 2026 ⏱ Leitura: 9 minutos 👩‍⚕️ Revisado por especialista em ginecologia

A pílula do dia seguinte faz parte da contracepção de emergência — um conjunto de métodos usados depois de uma relação sem preservativo, quando a camisinha falhou ou o anticoncepcional foi esquecido. Além da pílula (levonorgestrel ou acetato de ulipristal), o DIU de cobre também é uma opção de emergência. A dúvida que mais aparece é sobre o tempo: até quando posso tomar? E, logo depois, o medo de que ela seja "abortiva". Este guia responde às principais dúvidas com clareza.

Veja até quando tomar, como ela funciona (e por que não é aborto), como tomar, a eficácia real, o efeito do peso, os efeitos colaterais e como fica a menstruação depois.

Resposta rápida: a pílula do dia seguinte mais comum (levonorgestrel) deve ser tomada em até 72 horas (3 dias) — quanto antes, melhor. A de ulipristal funciona por até 120 horas (5 dias). Ela age atrasando a ovulação — ou seja, evita a gravidez, não interrompe uma já existente (não é aborto). Não é 100% eficaz, é para emergência (não uso de rotina) e não protege as relações seguintes nem contra ISTs.

📌 Em resumo

  • Prazo: levonorgestrel até 72h; ulipristal até 120h — quanto antes, mais eficaz
  • Como age: atrasa/impede a ovulação — não é abortiva
  • Dose: um comprimido único, com água, a qualquer hora
  • Não é 100% — é método de emergência, não de rotina
  • Não protege as próximas relações nem contra ISTs
  • Atraso > 7 dias na menstruação → fazer teste de gravidez

O que é a pílula do dia seguinte?

É um método contraceptivo de emergência: um comprimido usado após uma relação sexual desprotegida para reduzir a chance de gravidez. Ela é indicada em situações como: relação sem camisinha, camisinha que estourou ou saiu, esquecimento do anticoncepcional, ou violência sexual.

O nome "do dia seguinte" é um pouco enganoso: não precisa (nem deve) esperar o dia seguinte — quanto antes tomar, mais eficaz. E, importante: ela é uma emergência, não um método para usar no lugar da pílula, do DIU ou da camisinha no dia a dia.

Como funciona (e por que não é aborto)

Este é o ponto que mais gera dúvida e medo. O mecanismo principal da pílula do dia seguinte é atrasar ou impedir a ovulação — ou seja, ela faz o óvulo não ser liberado (ou ser liberado depois), evitando o encontro com o espermatozoide. Sem ovulação, não há fecundação.

❗ Ela não é abortiva

A pílula do dia seguinte evita que a gravidez comece — ela não interrompe uma gravidez já estabelecida e não é indicada para quem já está grávida (nesse caso, não faz efeito). Por isso ela é diferente da pílula abortiva (misoprostol/mifepristona), que tem outra finalidade e mecanismo. Confundir as duas é um dos maiores mitos do tema.

Como o efeito depende de agir antes da ovulação, ela é menos eficaz se a ovulação já tiver acontecido — o que reforça a regra de tomar o mais cedo possível.

Até quando posso tomar?

O prazo depende do tipo, mas em todos vale a mesma lógica: quanto antes, melhor.

Tipo Prazo máximo Observação
Levonorgestrel (mais comum)72 horas (3 dias)Eficácia cai bastante após 72h; ideal nas primeiras 24h
Acetato de ulipristal120 horas (5 dias)Mantém boa eficácia até o 5º dia; precisa de receita
DIU de cobreaté 5 diasO método de emergência mais eficaz; colocado por médico

Ou seja: passou de 72h e não conseguiu o levonorgestrel a tempo? Ainda há opções (ulipristal, DIU de cobre) — vale procurar um serviço de saúde rapidamente, em vez de desistir.

Como tomar

  • Dose única: as versões atuais de levonorgestrel são 1 comprimido de 1,5 mg, tomado de uma vez. (Algumas apresentações antigas vinham em 2 comprimidos de 0,75 mg — nesse caso, tomam-se os dois juntos.)
  • Ulipristal: também é 1 comprimido (30 mg), dose única;
  • Com água, a qualquer hora do dia — não precisa de jejum. Tomar com um lanche leve pode reduzir a náusea;
  • O mais rápido possível após a relação desprotegida.

Teve uma falha no método e não sabe o que fazer agora?

A Dra. Gabriella Dourado é ginecologista em São Paulo e orienta a melhor opção de contracepção de emergência — e ajuda você a escolher um método seguro para evitar novos sustos, sem julgamento.

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Levonorgestrel × ulipristal

Existem dois medicamentos orais de emergência, com diferenças que importam:

  • Levonorgestrel: o mais conhecido e vendido sem receita na farmácia. Funciona bem nas primeiras 72 horas;
  • Acetato de ulipristal: funciona por mais tempo (até 120h) e tende a ser mais eficaz, sobretudo entre o 3º e o 5º dia e em mulheres com peso mais alto. No Brasil, exige receita.

Há ainda o DIU de cobre, colocado por um profissional em até 5 dias: é a opção de emergência mais eficaz e ainda funciona como contracepção contínua depois. É uma boa escolha para quem também quer um método de longo prazo.

Funciona 100%? A eficácia real

Não existe pílula do dia seguinte 100% eficaz. A eficácia:

  • É maior quanto mais cedo se toma (por isso a pressa);
  • É menor se a ovulação já ocorreu — o mecanismo é atrasar a ovulação, então perto ou depois dela o efeito diminui;
  • Reduz o risco de gravidez daquela relação, mas não zera.

Por isso ela é um plano B de emergência, não um método para o dia a dia — os métodos contínuos (pílula, DIU, implante, injeção) são bem mais eficazes. Se a menstruação atrasar mais de 7 dias, faça um teste de gravidez.

O peso reduz o efeito?

Sim, é um ponto pouco divulgado: há evidências de que a eficácia do levonorgestrel pode ser menor em mulheres com peso mais elevado ou IMC alto. Nesses casos:

  • O acetato de ulipristal tende a manter melhor a eficácia;
  • O DIU de cobre é a opção de emergência mais eficaz, independentemente do peso.

Se esse for o seu caso e for possível, vale considerar o ulipristal ou o DIU — idealmente com orientação de um ginecologista.

Efeitos colaterais

Costumam ser leves e passageiros. Os mais comuns:

  • Náusea (às vezes vômito), dor de cabeça, cansaço;
  • Sensibilidade nas mamas e dor abdominal leve;
  • Pequeno sangramento de escape nos dias seguintes;
  • Alteração no dia da menstruação (pode adiantar ou atrasar).

Não são sinais de que "algo deu errado" — são reações hormonais esperadas, que passam sozinhas.

E se eu vomitar?

Se você vomitar dentro de 2 a 3 horas após tomar o comprimido, o corpo pode não ter absorvido a dose — nesse caso, repita a dose. Se o vômito for depois desse período, não precisa repetir. Para reduzir a chance de enjoo, tomar com um pouco de alimento ajuda.

A menstruação depois

É muito comum a menstruação vir alguns dias mais cedo ou mais tarde do que o esperado após a pílula do dia seguinte, e pode haver um sangramento de escape antes. Na maioria das vezes, o ciclo se normaliza no mês seguinte.

O sinal de alerta é o atraso: se a menstruação demorar mais de 7 dias além do previsto, faça um teste de gravidez — lembrando que a pílula não é 100% eficaz.

Faz mal? Pode tomar várias vezes?

A pílula do dia seguinte é segura: não causa infertilidade e não há evidência de prejuízo à fertilidade futura quando usada como contracepção de emergência. Pode ser usada mais de uma vez quando necessário — inclusive mais de uma vez no mesmo ciclo, se preciso.

Mas ela não deve virar rotina, por três motivos: é menos eficaz que os métodos contínuos, causa mais efeitos colaterais e não protege nas relações seguintes. Se você está recorrendo a ela com frequência, é o corpo avisando que vale a pena adotar um método contraceptivo regular — e um ginecologista ajuda a escolher o melhor para você.

Depois de tomar, posso retomar o anticoncepcional?

Pode — e é o momento ideal para organizar a contracepção de rotina. Mas o "quando" depende de qual pílula de emergência você tomou:

  • Depois do levonorgestrel: em geral é possível iniciar ou retomar o anticoncepcional habitual imediatamente. Use preservativo por 7 dias até o método regular voltar a proteger;
  • Depois do ulipristal: a orientação é aguardar 5 dias para iniciar ou retomar métodos hormonais — porque a progesterona do anticoncepcional pode reduzir o efeito do ulipristal. Nesse intervalo, use preservativo.

Se estava tomando a pílula e a esqueceu, retome o quanto antes conforme a bula; se os esquecimentos são frequentes, vale conversar sobre um método que não dependa da memória (DIU, implante).

Quando procurar ginecologista ou serviço de saúde

Procure atendimento se:

  • Houve violência sexual — procure um serviço de saúde imediatamente: além da contracepção de emergência, há profilaxia para ISTs/HIV, vacinação, exames e acolhimento;
  • A menstruação atrasar mais de 7 dias ou o teste de gravidez der positivo;
  • Houver dor abdominal forte, dor em um lado da pelve, tontura ou desmaio — para descartar gravidez ectópica;
  • Você usa medicamentos que reduzem a eficácia: rifampicina/rifabutina, alguns anticonvulsivantes (carbamazepina, fenitoína, topiramato), efavirenz ou erva-de-são-joão — nesses casos o DIU de cobre pode ser a melhor opção;
  • Você recorre à pílula com frequência e quer um método regular.
A pílula do dia seguinte é um recurso de emergência seguro e importante — e não é aborto. Mas o melhor "dia seguinte" é o que não precisa dela: com um método contínuo bem escolhido, a emergência vira exceção rara.

💬 Da prática clínica

No consultório, eu tranquilizo: a pílula do dia seguinte não é abortiva e não vai te deixar infértil. Uso a conversa para desfazer o medo e, principalmente, para entender por que a emergência aconteceu — camisinha que falha, pílula esquecida — e ajudar a escolher um método que caiba na sua rotina. A ideia não é julgar, é resolver e prevenir a próxima. — Dra. Gabriella Dourado

Perguntas Frequentes

Até quando posso tomar a pílula do dia seguinte?

Depende do tipo. A mais comum, de levonorgestrel, deve ser tomada em até 72 horas (3 dias) após a relação desprotegida — e quanto antes, mais eficaz. Já a de acetato de ulipristal funciona por até 120 horas (5 dias) e mantém boa eficácia até o 5º dia. Em todos os casos, a regra é a mesma: tomar o quanto antes, porque a eficácia cai a cada hora que passa.

A pílula do dia seguinte é abortiva?

Não. A pílula do dia seguinte age principalmente atrasando ou impedindo a ovulação — ou seja, evita que a gravidez comece. Ela não interrompe uma gravidez já existente e, se você já estiver grávida, não faz efeito e não prejudica a gestação. Por isso ela é diferente da pílula abortiva (misoprostol/mifepristona), que tem outra finalidade e outro mecanismo.

Como tomar a pílula do dia seguinte?

As versões atuais de levonorgestrel são de dose única: um comprimido de 1,5 mg tomado de uma vez (algumas marcas antigas vinham em 2 comprimidos de 0,75 mg, tomados juntos ou com 12 horas de intervalo). A de ulipristal também é um único comprimido de 30 mg. Tome com água, a qualquer hora do dia, o mais rápido possível após a relação. Não é preciso estar em jejum.

A pílula do dia seguinte funciona 100%?

Não. Nenhuma pílula do dia seguinte é 100% eficaz. A eficácia é maior quanto mais cedo se toma e é menor se a ovulação já tiver ocorrido — porque o mecanismo principal é atrasar a ovulação. Por isso ela é um método de emergência, não um método para uso regular. Se a menstruação atrasar mais de uma semana, faça um teste de gravidez.

O peso reduz o efeito da pílula do dia seguinte?

Há evidências de que a eficácia do levonorgestrel pode ser menor em mulheres com peso mais elevado ou IMC alto. Nesses casos, o acetato de ulipristal tende a manter melhor a eficácia, e o DIU de cobre é a opção de emergência mais eficaz, independentemente do peso. Se esse for o seu caso, vale conversar com um ginecologista sobre a melhor escolha.

E se eu vomitar depois de tomar?

Se você vomitar dentro de 2 a 3 horas após tomar o comprimido, o corpo pode não ter absorvido a dose — nesse caso, é recomendado repetir a dose. Se o vômito ocorrer depois desse período, não é preciso repetir. Náusea é um efeito colateral comum; tomar com algum alimento pode ajudar a reduzi-la.

Como fica a menstruação depois da pílula do dia seguinte?

É comum a menstruação vir alguns dias mais cedo ou mais tarde do que o esperado, e pode haver um pequeno sangramento de escape antes. Na maioria das vezes, o ciclo se normaliza no mês seguinte. Se a menstruação atrasar mais de 7 dias em relação ao previsto, faça um teste de gravidez, porque a pílula não é 100% eficaz.

A pílula do dia seguinte faz mal? Posso tomar várias vezes?

Ela é segura e não causa infertilidade nem faz mal à saúde a longo prazo. Pode ser usada mais de uma vez, se necessário, mas não deve virar método de rotina: é menos eficaz que os métodos contínuos (pílula, DIU, implante), causa mais efeitos colaterais e não protege as relações seguintes. Se você está recorrendo a ela com frequência, é sinal de que vale adotar um método contraceptivo regular.

A pílula do dia seguinte protege as próximas relações?

Não. Ela age apenas sobre a relação desprotegida que já aconteceu e não oferece proteção para as relações seguintes, nem pelo resto do ciclo. Depois de tomá-la, se tiver novas relações, use preservativo ou outro método. E lembre: a pílula do dia seguinte não protege contra ISTs — só o preservativo faz isso.

Qual a diferença entre a pílula do dia seguinte e a pílula abortiva?

São coisas completamente diferentes. A pílula do dia seguinte (levonorgestrel ou ulipristal) previne a gravidez atrasando a ovulação e é vendida livremente na farmácia. A pílula abortiva (misoprostol/mifepristona) interrompe uma gravidez já estabelecida, tem uso restrito e regulamentado. A do dia seguinte não interrompe gravidez e não faz efeito em quem já está grávida.

A pílula do dia seguinte funciona no período fértil ou no dia da ovulação?

Ela pode ser menos eficaz quando a ovulação já aconteceu, porque o mecanismo principal é justamente atrasar ou impedir a ovulação. Ou seja, quanto mais próximo do dia da ovulação, maior a chance de falha. Por isso a recomendação é sempre tomar o quanto antes — e, no período fértil ou se a ovulação já pode ter ocorrido, o DIU de cobre (inserido em até 5 dias) é a opção de emergência mais eficaz.

Tomei a pílula do dia seguinte e a menstruação atrasou. Posso estar grávida?

É comum a menstruação atrasar (ou adiantar) alguns dias por efeito hormonal da própria pílula, então um pequeno atraso nem sempre significa gravidez. Mas, como ela não é 100% eficaz, se a menstruação atrasar mais de 7 dias em relação ao esperado, faça um teste de gravidez. Se o teste der positivo ou houver dor forte, procure avaliação.

A pílula do dia seguinte engorda?

Não. A pílula do dia seguinte é uma dose única (ou dupla) e não causa ganho de peso. Ela pode provocar efeitos passageiros como inchaço leve, sensibilidade nas mamas e retenção de líquido em alguns dias, mas isso não é engordar de verdade e some sozinho. Ganho de peso não é um efeito da contracepção de emergência.

Antibiótico corta o efeito da pílula do dia seguinte?

A maioria dos antibióticos comuns NÃO reduz o efeito da pílula do dia seguinte — esse é um mito frequente. A exceção importante é a rifampicina/rifabutina (usadas, por exemplo, em tuberculose), que realmente pode diminuir a eficácia. Alguns outros medicamentos também interferem (certos anticonvulsivantes, efavirenz, erva-de-são-joão). Nesses casos, o DIU de cobre é a opção mais segura.

Posso tomar a pílula do dia seguinte amamentando?

O levonorgestrel é considerado compatível com a amamentação e é a opção preferida nesse período. Já para o acetato de ulipristal os dados são mais limitados, e algumas orientações sugerem cautela (por exemplo, evitar amamentar por um período após a dose). Na dúvida, prefira o levonorgestrel e confirme com o obstetra ou ginecologista.

Escolha o método certo para não depender da emergência

A Dra. Gabriella Dourado é ginecologista e obstetra em São Paulo (Paraíso e Higienópolis). Ajuda você a escolher a contracepção que combina com a sua rotina — com acolhimento e informação clara.

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Conteúdo informativo. Este artigo não substitui a consulta médica. Para orientação individualizada sobre contracepção, procure um ginecologista.

Referências: OMS — Emergency contraception; CDC — U.S. Selected Practice Recommendations (contracepção de emergência); FEBRASGO — Anticoncepção de emergência; Ministério da Saúde — Saúde sexual e reprodutiva; ACOG — Emergency Contraception.