A pílula do dia seguinte faz parte da contracepção de emergência — um conjunto de métodos usados depois de uma relação sem preservativo, quando a camisinha falhou ou o anticoncepcional foi esquecido. Além da pílula (levonorgestrel ou acetato de ulipristal), o DIU de cobre também é uma opção de emergência. A dúvida que mais aparece é sobre o tempo: até quando posso tomar? E, logo depois, o medo de que ela seja "abortiva". Este guia responde às principais dúvidas com clareza.
Veja até quando tomar, como ela funciona (e por que não é aborto), como tomar, a eficácia real, o efeito do peso, os efeitos colaterais e como fica a menstruação depois.
Resposta rápida: a pílula do dia seguinte mais comum (levonorgestrel) deve ser tomada o quanto antes, idealmente nas primeiras 72 horas (3 dias) — mas ainda pode ser usada até 120 horas (5 dias), com eficácia menor. Ou seja: passou de 72 horas, não desista. A de ulipristal funciona por até 120 horas (5 dias). Ela age atrasando a ovulação — ou seja, evita a gravidez, não interrompe uma já existente (não é aborto). Não é 100% eficaz, é para emergência (não uso de rotina) e não protege as relações seguintes nem contra ISTs.
📌 Em resumo
- Prazo: levonorgestrel idealmente até 72h, mas possível até 120h; ulipristal até 120h — quanto antes, mais eficaz
- Como age: atrasa/impede a ovulação — não é abortiva
- Dose: um comprimido único, com água, a qualquer hora
- Não é 100% — é método de emergência, não de rotina
- Não protege as próximas relações nem contra ISTs
- Atraso > 7 dias na menstruação → fazer teste de gravidez (ou cerca de 3 semanas após a relação, se não vier menstruação normal)
O que é a pílula do dia seguinte?
É um método contraceptivo de emergência: um comprimido usado após uma relação sexual desprotegida para reduzir a chance de gravidez. Ela é indicada em situações como: relação sem camisinha, camisinha que estourou ou saiu, esquecimento do anticoncepcional, ou violência sexual.
O nome "do dia seguinte" é um pouco enganoso: não precisa (nem deve) esperar o dia seguinte — quanto antes tomar, mais eficaz. E, importante: ela é uma emergência, não um método para usar no lugar da pílula, do DIU ou da camisinha no dia a dia.
Como funciona (e por que não é aborto)
Este é o ponto que mais gera dúvida e medo. O mecanismo principal da pílula do dia seguinte é atrasar ou impedir a ovulação — ou seja, ela faz o óvulo não ser liberado (ou ser liberado depois), evitando o encontro com o espermatozoide. Sem ovulação, não há fecundação.
❗ Ela não é abortiva
A pílula do dia seguinte evita que a gravidez comece — ela não interrompe uma gravidez já estabelecida e não é indicada para quem já está grávida (nesse caso, não faz efeito). Por isso ela é diferente da pílula abortiva (misoprostol/mifepristona), que tem outra finalidade e mecanismo. Confundir as duas é um dos maiores mitos do tema.
Como o efeito depende de agir antes da ovulação, ela é menos eficaz se a ovulação já tiver acontecido — o que reforça a regra de tomar o mais cedo possível.
Até quando posso tomar?
O prazo depende do tipo, mas em todos vale a mesma lógica: quanto antes, melhor.
| Tipo | Prazo máximo | Observação |
|---|---|---|
| DIU de cobre | até 5 dias | A opção mais eficaz (mais de 99%); não perde eficácia com o peso e já fica como contracepção contínua. Colocado por profissional |
| Acetato de ulipristal | 120 horas (5 dias) | A pílula mais eficaz, sobretudo entre o 3º e o 5º dia; precisa de receita e a disponibilidade no Brasil é irregular |
| Levonorgestrel (mais comum) | ideal até 72 horas; possível até 120 horas | A mais disponível (farmácia sem receita e gratuita no SUS). Eficácia cai com o tempo, sobretudo depois do 3º dia — mas ainda há benefício até o 5º |
Uma forma simples de guardar: mais eficaz = DIU de cobre; melhor pílula = ulipristal; mais fácil de conseguir = levonorgestrel.
E atenção a um mal-entendido comum: passar de 72 horas não significa que "perdeu a chance". Entre o 3º e o 5º dia, o ulipristal e o DIU de cobre são as opções mais eficazes — mas, se eles não estiverem disponíveis ou não forem viáveis para você, o levonorgestrel ainda oferece benefício até 120 horas e não deve ser descartado. Procure um serviço de saúde rapidamente em vez de desistir.
🏥 Onde conseguir
O levonorgestrel está disponível gratuitamente no SUS, na atenção básica, e a dispensação não exige receita médica — pode ser fornecido inclusive por enfermeiro. Todas as Unidades Básicas de Saúde devem tê-lo, assim como as maternidades e hospitais do SUS, para o atendimento em casos de violência sexual. Ou seja: não conseguir comprar na farmácia não é motivo para ficar sem.
Como tomar
- Dose única: as versões atuais de levonorgestrel são 1 comprimido de 1,5 mg, tomado de uma vez. (Algumas apresentações antigas vinham em 2 comprimidos de 0,75 mg — nesse caso, tomam-se os dois juntos.)
- Ulipristal: também é 1 comprimido (30 mg), dose única;
- Com água, a qualquer hora do dia — não precisa de jejum. Tomar com um lanche leve pode reduzir a náusea;
- O mais rápido possível após a relação desprotegida.
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A Dra. Gabriella Dourado é ginecologista em São Paulo e orienta a melhor opção de contracepção de emergência — e ajuda você a escolher um método seguro para evitar novos sustos, sem julgamento.
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Existem dois medicamentos orais de emergência, com diferenças que importam:
- Levonorgestrel: o mais conhecido, vendido sem receita na farmácia e gratuito no SUS. Funciona melhor nas primeiras 72 horas, mas pode ser usado até 120 horas, com eficácia decrescente;
- Acetato de ulipristal: funciona por mais tempo (até 120h) e é mais eficaz que o levonorgestrel, sobretudo entre o 3º e o 5º dia e em mulheres com peso mais alto. Exige receita, e a disponibilidade no Brasil é irregular: sociedades médicas chegaram a registrar que ele não estava disponível no país e, mesmo havendo apresentação registrada, encontrá-lo na farmácia pode ser difícil dependendo da região.
Há ainda o DIU de cobre, colocado por um profissional em até 5 dias: é a opção de emergência mais eficaz (mais de 99%) e ainda funciona como contracepção contínua depois. É uma boa escolha para quem também quer um método de longo prazo. Uma observação que amplia a janela: quando é possível estimar razoavelmente o dia da ovulação, o DIU de cobre pode ser opção mesmo depois de passados 5 dias da relação, desde que a colocação ocorra até 5 dias após a ovulação — essa avaliação é do profissional.
Estudos recentes também mostraram boa eficácia do DIU hormonal de levonorgestrel 52 mg como contracepção de emergência, e algumas sociedades já o oferecem como opção. Ainda assim, essa estratégia não foi incorporada de forma uniforme às diretrizes internacionais e brasileiras: o DIU de cobre segue como o método intrauterino de emergência mais estabelecido.
Existe ainda um esquema antigo com pílulas combinadas, o método de Yuzpe. Como é menos eficaz e causa mais náusea e vômito, fica reservado a situações em que as opções preferenciais não estão disponíveis — e exige orientação profissional para a dose correta. Não improvise com a sua cartela de anticoncepcional.
Funciona 100%? A eficácia real
Não existe pílula do dia seguinte 100% eficaz. A eficácia:
- É maior quanto mais cedo se toma — isso vale especialmente para o levonorgestrel, cuja eficácia cai mais com o passar dos dias; o ulipristal se mantém melhor ao longo das 120 horas;
- É menor se a ovulação já ocorreu — o mecanismo é atrasar a ovulação, então perto ou depois dela o efeito diminui;
- Reduz o risco de gravidez daquela relação, mas não zera.
Por isso ela é um plano B de emergência, não um método para o dia a dia — os métodos contínuos (pílula, DIU, implante, injeção) são bem mais eficazes. Se a menstruação atrasar mais de 7 dias, faça um teste de gravidez; de forma prática, vale também fazer o teste se passarem cerca de 3 semanas da relação sem que venha uma menstruação normal — como a pílula pode adiantar, atrasar ou alterar o sangramento, esse prazo é mais confiável para quem tem ciclos irregulares.
O peso reduz o efeito?
Sim, é um ponto pouco divulgado: há evidências de que a eficácia do levonorgestrel pode ser menor em mulheres com peso mais elevado ou IMC alto. Nesses casos:
- O acetato de ulipristal tende a manter melhor a eficácia — embora ele também possa perder desempenho na obesidade;
- O DIU de cobre é a opção de emergência mais eficaz, independentemente do peso.
Duas ressalvas importantes para não gerar angústia: não existe um "peso mágico" a partir do qual a pílula simplesmente deixa de funcionar — os dados não sustentam um limiar absoluto. E, principalmente, nenhuma mulher deve deixar de tomar a contracepção de emergência oral por causa do peso se a opção mais eficaz não estiver disponível naquele momento. Tomar é melhor do que não tomar.
Se esse for o seu caso e for possível, vale considerar o ulipristal ou o DIU — idealmente com orientação de um ginecologista.
Efeitos colaterais
Costumam ser leves e passageiros. Os mais comuns:
- Náusea (às vezes vômito), dor de cabeça, cansaço;
- Sensibilidade nas mamas e dor abdominal leve;
- Pequeno sangramento de escape nos dias seguintes;
- Alteração no dia da menstruação (pode adiantar ou atrasar).
Não são sinais de que "algo deu errado" — são reações hormonais esperadas, que passam sozinhas.
E se eu vomitar?
Se você vomitar dentro de 2 a 3 horas após tomar o comprimido, o corpo pode não ter absorvido a dose — nesse caso, repita a dose. Se o vômito for depois desse período, não precisa repetir. Para reduzir a chance de enjoo, tomar com um pouco de alimento ajuda.
A menstruação depois
É muito comum a menstruação vir alguns dias mais cedo ou mais tarde do que o esperado após a pílula do dia seguinte, e pode haver um sangramento de escape antes. Na maioria das vezes, o ciclo se normaliza no mês seguinte.
O sinal de alerta é o atraso: se a menstruação demorar mais de 7 dias além do previsto, faça um teste de gravidez — lembrando que a pílula não é 100% eficaz.
Faz mal? Pode tomar várias vezes?
A pílula do dia seguinte é segura: não causa infertilidade e não há evidência de prejuízo à fertilidade futura quando usada como contracepção de emergência. Pode ser usada mais de uma vez quando necessário — inclusive mais de uma vez no mesmo ciclo, se preciso.
Mas ela não deve virar rotina — e vale entender o motivo certo. O problema do uso frequente não é toxicidade: é que ela é menos eficaz que os métodos contínuos, tende a causar mais irregularidade menstrual e não protege nas relações seguintes. Se você está recorrendo a ela com frequência, é o corpo avisando que vale a pena adotar um método contraceptivo regular — e um ginecologista ajuda a escolher o melhor para você.
Depois de tomar, posso retomar o anticoncepcional?
Pode — e é o momento ideal para organizar a contracepção de rotina. Mas o "quando" depende de qual pílula de emergência você tomou:
- Depois do levonorgestrel: em geral é possível iniciar ou retomar o anticoncepcional habitual imediatamente. Use preservativo por 7 dias até o método regular voltar a proteger;
- Depois do ulipristal: a orientação é aguardar 5 dias para iniciar ou retomar métodos hormonais — porque a progesterona do anticoncepcional pode reduzir o efeito do ulipristal. Nesse intervalo, use preservativo.
Se estava tomando a pílula e a esqueceu, retome o quanto antes conforme a bula; se os esquecimentos são frequentes, vale conversar sobre um método que não dependa da memória (DIU, implante).
Quando procurar ginecologista ou serviço de saúde
Procure atendimento se:
- Houve violência sexual — procure um serviço de saúde imediatamente: além da contracepção de emergência, há profilaxia para ISTs/HIV, vacinação, exames e acolhimento;
- A menstruação atrasar mais de 7 dias ou o teste de gravidez der positivo;
- Houver dor abdominal forte, dor em um lado da pelve, tontura ou desmaio — para descartar gravidez ectópica;
- Você usa medicamentos que reduzem a eficácia: rifampicina/rifabutina, alguns anticonvulsivantes (carbamazepina, fenitoína, topiramato), efavirenz ou erva-de-são-joão — nesses casos o DIU de cobre pode ser a melhor opção;
- Você recorre à pílula com frequência e quer um método regular.
A pílula do dia seguinte é um recurso de emergência seguro e importante — e não é aborto. Mas o melhor "dia seguinte" é o que não precisa dela: com um método contínuo bem escolhido, a emergência vira exceção rara.
💬 Da prática clínica
No consultório, eu tranquilizo: a pílula do dia seguinte não é abortiva e não vai te deixar infértil. Uso a conversa para desfazer o medo e, principalmente, para entender por que a emergência aconteceu — camisinha que falha, pílula esquecida — e ajudar a escolher um método que caiba na sua rotina. A ideia não é julgar, é resolver e prevenir a próxima. — Dra. Gabriella Dourado
Perguntas Frequentes
Até quando posso tomar a pílula do dia seguinte?
Depende do tipo. A mais comum, de levonorgestrel, deve ser tomada o quanto antes, idealmente nas primeiras 72 horas (3 dias) — mas, ao contrário do que muita gente pensa, ela ainda pode ser usada até 120 horas (5 dias), com eficácia menor depois do terceiro dia. Já o acetato de ulipristal funciona por até 120 horas e mantém boa eficácia até o 5º dia, sendo a melhor pílula entre o 3º e o 5º dia. O DIU de cobre, colocado em até 5 dias, é a opção mais eficaz de todas. A regra geral é tomar o quanto antes — mas passar de 72 horas não significa que não há mais nada a fazer.
A pílula do dia seguinte é abortiva?
Não. A pílula do dia seguinte age principalmente atrasando ou impedindo a ovulação — ou seja, evita que a gravidez comece. Ela não interrompe uma gravidez já existente e, se você já estiver grávida, não faz efeito e não prejudica a gestação. Por isso ela é diferente da pílula abortiva (misoprostol/mifepristona), que tem outra finalidade e outro mecanismo.
Como tomar a pílula do dia seguinte?
As versões atuais de levonorgestrel são de dose única: um comprimido de 1,5 mg tomado de uma vez (algumas marcas antigas vinham em 2 comprimidos de 0,75 mg, tomados juntos ou com 12 horas de intervalo). A de ulipristal também é um único comprimido de 30 mg. Tome com água, a qualquer hora do dia, o mais rápido possível após a relação. Não é preciso estar em jejum.
A pílula do dia seguinte funciona 100%?
Não. Nenhuma pílula do dia seguinte é 100% eficaz. A eficácia é maior quanto mais cedo se toma e é menor se a ovulação já tiver ocorrido — porque o mecanismo principal é atrasar a ovulação. Por isso ela é um método de emergência, não um método para uso regular. Se a menstruação atrasar mais de uma semana, faça um teste de gravidez.
O peso reduz o efeito da pílula do dia seguinte?
Há evidências de que a eficácia do levonorgestrel pode ser menor em mulheres com peso mais elevado ou IMC alto. Nesses casos, o acetato de ulipristal tende a manter melhor a eficácia, e o DIU de cobre é a opção de emergência mais eficaz, independentemente do peso. Se esse for o seu caso, vale conversar com um ginecologista sobre a melhor escolha.
E se eu vomitar depois de tomar?
Se você vomitar dentro de 2 a 3 horas após tomar o comprimido, o corpo pode não ter absorvido a dose — nesse caso, é recomendado repetir a dose. Se o vômito ocorrer depois desse período, não é preciso repetir. Náusea é um efeito colateral comum; tomar com algum alimento pode ajudar a reduzi-la.
Como fica a menstruação depois da pílula do dia seguinte?
É comum a menstruação vir alguns dias mais cedo ou mais tarde do que o esperado, e pode haver um pequeno sangramento de escape antes. Na maioria das vezes, o ciclo se normaliza no mês seguinte. Se a menstruação atrasar mais de 7 dias em relação ao previsto, faça um teste de gravidez, porque a pílula não é 100% eficaz.
A pílula do dia seguinte faz mal? Posso tomar várias vezes?
Ela é segura e não causa infertilidade nem faz mal à saúde a longo prazo. Pode ser usada mais de uma vez, se necessário, mas não deve virar método de rotina: é menos eficaz que os métodos contínuos (pílula, DIU, implante), causa mais efeitos colaterais e não protege as relações seguintes. Se você está recorrendo a ela com frequência, é sinal de que vale adotar um método contraceptivo regular.
A pílula do dia seguinte protege as próximas relações?
Não. Ela não cria uma proteção contraceptiva para o resto do ciclo: uma nova relação sem proteção depois da dose representa um novo risco de gravidez e pode exigir nova contracepção de emergência. Depois de tomá-la, se tiver novas relações, use preservativo ou outro método. E lembre: a pílula do dia seguinte não protege contra ISTs — só o preservativo faz isso.
Qual a diferença entre a pílula do dia seguinte e a pílula abortiva?
São coisas completamente diferentes. A pílula do dia seguinte (levonorgestrel ou ulipristal) previne a gravidez atrasando a ovulação e é vendida livremente na farmácia. A pílula abortiva (misoprostol/mifepristona) interrompe uma gravidez já estabelecida, tem uso restrito e regulamentado. A do dia seguinte não interrompe gravidez e não faz efeito em quem já está grávida.
A pílula do dia seguinte funciona no período fértil ou no dia da ovulação?
Ela pode ser menos eficaz quando a ovulação já aconteceu, porque o mecanismo principal é justamente atrasar ou impedir a ovulação. Ou seja, quanto mais próximo do dia da ovulação, maior a chance de falha. Por isso a recomendação é sempre tomar o quanto antes — e, no período fértil ou se a ovulação já pode ter ocorrido, o DIU de cobre (inserido em até 5 dias) é a opção de emergência mais eficaz.
Tomei a pílula do dia seguinte e a menstruação atrasou. Posso estar grávida?
É comum a menstruação atrasar (ou adiantar) alguns dias por efeito hormonal da própria pílula, então um pequeno atraso nem sempre significa gravidez. Mas, como ela não é 100% eficaz, se a menstruação atrasar mais de 7 dias em relação ao esperado, faça um teste de gravidez. Se o teste der positivo ou houver dor forte, procure avaliação.
A pílula do dia seguinte engorda?
Não. A pílula do dia seguinte é uma dose única (ou dupla) e não causa ganho de peso. Ela pode provocar efeitos passageiros como inchaço leve, sensibilidade nas mamas e retenção de líquido em alguns dias, mas isso não é engordar de verdade e some sozinho. Ganho de peso não é um efeito da contracepção de emergência.
Antibiótico corta o efeito da pílula do dia seguinte?
A maioria dos antibióticos comuns NÃO reduz o efeito da pílula do dia seguinte — esse é um mito frequente. A exceção importante é a rifampicina/rifabutina (usadas, por exemplo, em tuberculose), que realmente pode diminuir a eficácia. Alguns outros medicamentos também interferem (certos anticonvulsivantes, efavirenz, erva-de-são-joão). Nesses casos, o DIU de cobre é a opção mais segura.
Preciso fazer teste de gravidez antes de tomar?
Em geral, não — e o mais importante: não atrase a pílula para esperar o resultado. Se a relação de risco foi recente, um teste feito agora ainda estaria negativo mesmo que uma gravidez venha a ocorrer, então ele não muda a conduta. Também não são necessários exame ginecológico nem ultrassom para receber a contracepção de emergência oral. O teste passa a fazer sentido em outra situação: se houve relação desprotegida há mais de três semanas e você não teve uma menstruação normal desde então.
Posso tomar a pílula do dia seguinte amamentando?
Pode. O levonorgestrel é compatível com a amamentação, não exige nenhuma pausa e segue como a opção oral com maior experiência acumulada. Para o acetato de ulipristal a orientação mudou: em 2025, a FSRH revisou os dados e passou a recomendar que não é necessário interromper a amamentação após uma dose única — a antiga recomendação de ordenhar e descartar o leite por alguns dias foi abandonada, ainda que os dados sejam mais limitados que os do levonorgestrel. Na dúvida, prefira o levonorgestrel e confirme com o obstetra ou ginecologista.
Escolha o método certo para não depender da emergência
A Dra. Gabriella Dourado é ginecologista e obstetra em São Paulo (Paraíso e Higienópolis). Ajuda você a escolher a contracepção que combina com a sua rotina — com acolhimento e informação clara.
Agendar consulta com especialista →Conteúdo informativo. Este artigo não substitui a consulta médica. Para orientação individualizada sobre contracepção, procure um ginecologista.
Referências: OMS — Emergency contraception; CDC — U.S. Selected Practice Recommendations (contracepção de emergência); FEBRASGO — Anticoncepção de emergência; Ministério da Saúde — Saúde sexual e reprodutiva; ACOG — Emergency Contraception.