Ginecologia

DIU: tipos, inserção, quanto dura e efeitos — guia completo

📅 Atualizado em agosto de 2026 ⏱ Leitura: 14 minutos 👩‍⚕️ Revisado por especialista em ginecologia

O DIU (Dispositivo Intrauterino) é hoje um dos métodos contraceptivos mais eficazes e procurados — e também um dos que mais geram dúvidas. "Dói para colocar?", "engorda?", "posso usar mesmo sem ter tido filhos?", "como sei se saiu do lugar?". Essas perguntas afastam muitas mulheres de um método que poderia ser ideal para elas, simplesmente por falta de informação clara.

Este guia reúne, em linguagem direta, tudo o que você precisa saber sobre o DIU: os tipos disponíveis no Brasil, como é a inserção de verdade, quanto cada modelo dura, os efeitos colaterais reais (e os mitos), e como saber se ele está no lugar. Se você quer comparar o DIU com outros métodos contraceptivos, veja também o nosso guia completo de contracepção.

📌 Resumo rápido

  • O que é: um pequeno dispositivo em formato de "T" colocado dentro do útero pelo ginecologista, em consulta
  • Eficácia: acima de 99% — entre os métodos reversíveis mais eficazes que existem
  • Dois grandes tipos: DIU de cobre (sem hormônio) e DIU hormonal (Mirena, Kyleena, Jaydess)
  • Duração: de 3 a 10 anos, conforme o modelo — e pode ser retirado antes a qualquer momento
  • Reversível: a fertilidade volta logo após a remoção

O que é o DIU e como ele funciona

O DIU (Dispositivo Intrauterino) é um método contraceptivo de longa duração e reversível, em formato de "T", inserido dentro do útero pelo ginecologista. Ele previne a gravidez pela ação do cobre ou pela liberação contínua de um hormônio (levonorgestrel), com eficácia superior a 99%.

O DIU faz parte do grupo dos LARC (sigla em inglês para Contraceptivos Reversíveis de Longa Ação) — métodos que, depois de colocados, funcionam por anos sem depender de nada da rotina da mulher. É justamente isso que os torna tão eficazes: não há "esquecer de tomar".

O DIU atua principalmente antes da fecundação, impedindo o encontro do espermatozoide com o óvulo — ele não interrompe uma gravidez já estabelecida. Cada tipo age de um jeito:

  • DIU de cobre: os íons de cobre liberados criam um ambiente hostil aos espermatozoides, imobilizando-os e impedindo que cheguem ao óvulo. Também alteram o muco do colo do útero e o revestimento interno (endométrio).
  • DIU hormonal: libera pequenas quantidades de um progestagênio (levonorgestrel) direto no útero. Isso espessa o muco do colo (formando uma barreira para os espermatozoides), afina o endométrio e, em parte das mulheres, reduz a ovulação.

Tipos de DIU disponíveis no Brasil

Existem dois grandes grupos — o DIU de cobre (não hormonal) e o DIU hormonal — e, dentro do hormonal, modelos com tamanhos e doses diferentes.

DIU de cobre (TCu380A)

O modelo mais clássico e amplamente disponível, inclusive de forma gratuita pelo SUS. Não contém nenhum hormônio. Existe também uma versão com cobre e prata (o núcleo de prata ajuda a evitar a fragmentação do cobre e permite modelos menores, chamados muitas vezes de "mini"), além de modelos de cobre de tamanho reduzido para mulheres com útero menor. Vale saber: a prata não demonstrou reduzir cólica ou sangramento em comparação com os DIUs só de cobre, e a duração varia conforme o modelo (alguns modelos com prata são registrados para 5 anos, contra 10 anos do TCu380A clássico).

  • Hormônio: nenhum
  • Duração: duração padrão de 10 anos para o TCu380A (há evidência de eficácia por mais tempo em alguns estudos, mas o uso estendido segue a orientação do produto e do serviço)
  • Ponto forte: opção totalmente livre de hormônios; também pode ser usado como contracepção de emergência se inserido em até 5 dias após uma relação desprotegida
  • Ponto de atenção: pode aumentar o fluxo menstrual e as cólicas, especialmente nos primeiros meses

DIU hormonal (Mirena, Kyleena, Jaydess)

Liberam levonorgestrel localmente, com absorção para o restante do corpo muito baixa. Diferem na dose e no tamanho:

  • Mirena (52 mg): 8 anos para contracepção; quando usado para tratar sangramento menstrual intenso ou como proteção do endométrio na terapia estrogênica, a indicação de bula é de 5 anos. A amenorreia (parar de menstruar) é possível, mas não garantida: cerca de 1 em cada 5 usuárias fica sem menstruar após 1 ano, proporção que aumenta com o tempo — muito valorizado por quem tem fluxo intenso. Também é usado, com respaldo de diretrizes, para controle de dor e sangramento em endometriose e adenomiose (embora essas não sejam indicações formais da bula brasileira do Mirena).
  • Kyleena (19,5 mg): dura 5 anos; dispositivo e aplicador menores. Reduz o fluxo, mas causa amenorreia com menos frequência que o Mirena.
  • Jaydess (13,5 mg): dura 3 anos; é o menor de todos. Um dispositivo menor pode ser interessante em algumas pacientes, mas não é obrigatório para quem não tem filhos: nulíparas e adolescentes também usam com segurança o Mirena e o DIU de cobre.
Modelo Hormônio Duração Efeito na menstruação
DIU de cobre (TCu380A) Nenhum Até 10 anos Pode aumentar fluxo e cólica
Mirena (52 mg) Levonorgestrel 8 anos (5 p/ sangramento e proteção endometrial) Reduz muito; ~1 em 5 sem menstruar em 1 ano
Kyleena (19,5 mg) Levonorgestrel 5 anos Reduz o fluxo; menos amenorreia
Jaydess (13,5 mg) Levonorgestrel 3 anos Reduz o fluxo

DIU de cobre ou hormonal: qual escolher?

Não existe um DIU melhor para todas as mulheres — existe o mais adequado para o seu corpo, sua saúde e suas preferências. A diferença mais sentida no dia a dia é o efeito sobre a menstruação:

📊 Comparativo rápido

  • Prefere ficar sem hormônio? → DIU de cobre
  • Tem fluxo intenso, cólicas fortes, endometriose ou adenomiose? → DIU hormonal (Mirena)
  • Não se incomoda de menstruar e quer durar mais tempo? → DIU de cobre (até 10 anos)
  • Gostaria de reduzir ou parar de menstruar? → DIU hormonal
  • Tem contraindicação ao estrogênio (trombose, enxaqueca com aura)? → ambos servem; nenhum tem estrogênio

Quer ver lado a lado o mecanismo de ação, quem se beneficia mais de cada um e a comparação com pílula, implante e injeção? Aprofunde no nosso guia de contracepção, que traz a tabela completa de eficácia de todos os métodos.

DIU dói? Como é a inserção do DIU

Esta é, de longe, a maior dúvida — e o maior medo. A resposta honesta: a inserção pode causar cólica de intensidade muito variável, especialmente no momento em que o dispositivo passa pelo colo do útero. Algumas mulheres mal sentem, outras descrevem dor moderada ou forte — e não há como prever com certeza quem sentirá mais. O que quase ninguém relata é dor prolongada: a parte mais intensa dura segundos.

💬 Da prática clínica

O medo da dor da inserção é o que mais faz as pacientes adiarem o DIU. Na prática do consultório, o que mais ajuda é o preparo: explicar cada passo, usar analgesia quando indicado e realizar o procedimento com calma. A grande maioria das mulheres sai surpresa, dizendo que foi bem mais tranquilo do que imaginava. — Dra. Gabriella Dourado

Passo a passo da inserção

  • Quando é feita: em consulta ambulatorial. Não é preciso esperar a menstruação — o DIU pode ser inserido em qualquer fase do ciclo, desde que haja razoável certeza de que a mulher não está grávida.
  • Como é: o médico coloca o espéculo (como no preventivo), mede a profundidade do útero e introduz o DIU com um aplicador fino. O dispositivo se abre em "T" dentro do útero.
  • Quanto dura: o procedimento todo leva cerca de 5 minutos; a parte que causa a cólica dura segundos.

Como reduzir a dor

As opções de controle da dor devem ser conversadas com toda paciente (recomendação ACOG 2025), de forma individualizada:

  • Anestésico local — lidocaína (em creme/spray na mucosa ou como bloqueio paracervical) tem a melhor evidência para reduzir a dor da própria inserção, e deve ser discutido conforme preferência e disponibilidade
  • Anti-inflamatório: ajuda sobretudo na cólica após o procedimento, mas não reduz de forma consistente a dor no momento da passagem do DIU pelo colo
  • Misoprostol não é usado de rotina antes da inserção — pode ser considerado em casos selecionados (por exemplo, após uma tentativa anterior malsucedida), mas costuma causar mais cólica e náusea
  • Para algumas pacientes — como quem tem muita ansiedade ou histórico de dor intensa — existem opções de sedação, conversadas individualmente
  • Respiração calma e estar relaxada fazem diferença real no desconforto

E depois?

Cólicas leves e um pequeno sangramento (borra) nas horas e nos primeiros dias seguintes são esperados e melhoram com analgésico comum. Após uma inserção sem intercorrências, a ultrassonografia de rotina não é obrigatória (CDC e FSRH não a recomendam de rotina). O ultrassom é especialmente indicado quando há dor persistente, sangramento incomum, dificuldade na inserção, fios não visíveis ou suspeita de expulsão/perfuração.

🛡️ A partir de quando o DIU protege?

O DIU de cobre protege imediatamente, em qualquer dia da inserção — inclusive como contracepção de emergência. Já o DIU hormonal protege na hora se colocado nos primeiros 7 dias do ciclo (a partir do início da menstruação); se for inserido depois disso, use preservativo por 7 dias. Na dúvida, confirme com quem fez a inserção.

Pensando em colocar um DIU?

A Dra. Gabriella Dourado realiza a avaliação, a indicação do modelo mais adequado e a inserção do DIU em consultório, com todo o cuidado para o seu conforto. Agende uma consulta em São Paulo.

Agendar consulta →

Quanto tempo o DIU dura (e quando trocar)

A duração depende do modelo, e em todos os casos o DIU pode ser retirado antes do prazo, a qualquer momento, se você quiser engravidar ou trocar de método:

  • DIU de cobre TCu380A: 10 anos (padrão)
  • Mirena: 8 anos para contracepção; 5 anos quando usado para sangramento intenso ou proteção do endométrio na terapia hormonal
  • Kyleena: 5 anos
  • Jaydess: 3 anos

Perto do fim do prazo, o ginecologista pode remover e, se você desejar, inserir um novo na mesma consulta. A remoção é simples e rápida — uma tração suave dos fios — e costuma incomodar bem menos que a colocação.

DIU engorda? E outros efeitos colaterais

DIU de cobre não engorda — ele não tem hormônio nenhum. Já o DIU hormonal libera o levonorgestrel localmente, com absorção sistêmica muito baixa, e os estudos clínicos não confirmam ganho de peso significativo associado a ele. A sensação de inchaço que algumas mulheres relatam no início costuma não corresponder a ganho real de gordura.

Outros efeitos possíveis, por tipo:

  • DIU de cobre: aumento do fluxo menstrual e das cólicas, principalmente nos primeiros 3 a 6 meses, tendendo a estabilizar depois
  • DIU hormonal: sangramento de escape (spotting) irregular nos primeiros 3 a 6 meses é o efeito mais comum; em uma minoria das mulheres podem ocorrer acne, sensibilidade mamária ou alteração do humor, pela pequena absorção do hormônio

Vale lembrar: o sangramento irregular dos primeiros meses do DIU hormonal costuma melhorar com o tempo, dando lugar a uma menstruação muito mais leve — ou ausente.

Como saber se o DIU está no lugar

O DIU tem dois fios finos de náilon que saem pelo colo do útero e se projetam alguns centímetros na vagina. Eles servem para você acompanhar o dispositivo e para o médico removê-lo depois.

Como checar os fios em casa (opcional)

Se você quiser, pode aprender a reconhecer os fios — mas não é obrigatório checá-los todo mês, e não checar não significa estar usando o DIU de forma errada.

  • Lave bem as mãos e, de cócoras ou com um pé apoiado, introduza um dedo limpo na vagina até sentir o colo do útero (parece a ponta do nariz)
  • Você deve sentir os fios finos saindo do colo
  • Se optar por checar, um bom momento é logo após a menstruação
  • Não puxe os fios — apenas confirme que estão lá, no mesmo comprimento de sempre
  • Atenção com coletor menstrual: rompa o vácuo antes de retirá-lo e evite puxar os fios — alguns estudos associam o uso de coletor a maior chance de expulsão

Sinais de alerta

Procure o ginecologista (e use preservativo enquanto isso) se você:

  • Não sentir mais os fios
  • Sentir os fios muito mais compridos do que o habitual
  • Sentir a haste rígida do DIU na entrada do colo
  • Tiver cólica forte que não passa, sangramento anormal ou dor durante a relação

Não sentir os fios não significa necessariamente que o DIU foi expelido: os fios podem ter subido pelo canal, ter sido cortados curtos, ou (mais raramente) o dispositivo pode ter se deslocado. A posição é confirmada por ultrassom transvaginal; se o DIU não aparecer no útero e não houver certeza de expulsão, pode ser necessário um raio-X para descartar que ele tenha migrado para fora do útero.

O DIU pode sair do lugar (expulsão)?

Sim, embora seja incomum. A expulsão — quando o útero empurra o DIU para fora, total ou parcialmente — acontece em cerca de 1 em cada 20 mulheres (~5%), na maioria das vezes no primeiro ano e sobretudo nos primeiros 3 meses. Os fatores mais associados são inserção logo após o parto, adolescência, fluxo menstrual muito intenso, miomas e expulsão anterior. Ter ou não ter filhos, isoladamente, não é um fator decisivo.

Outra preocupação comum é a perfuração do útero: é uma complicação rara — cerca de 1 a 2 casos por 1.000 inserções — que acontece quase sempre no momento da colocação. O risco é um pouco maior durante a amamentação e nas primeiras semanas após o parto, mas continua muito baixo em termos absolutos.

🧲 DIU e ressonância magnética

A maioria dos DIUs modernos (cobre, Mirena, Kyleena, Jaydess) é compatível com ressonância magnética nas condições habituais. Ainda assim, informe sempre à equipe de radiologia qual modelo você usa — a segurança depende do material do dispositivo, e o DIU pode gerar um pequeno artefato na imagem.

DIU e menstruação: o que muda

Esse costuma ser o fator decisivo na escolha, porque os dois tipos agem em direções opostas. Para entender melhor o seu ciclo, veja também o artigo sobre menstruação e ciclo menstrual.

  • DIU de cobre: tende a aumentar o fluxo (em 20 a 50%) e as cólicas, sobretudo nos primeiros meses. Para quem já tem fluxo intenso, pode não ser a melhor escolha.
  • DIU hormonal (Mirena): reduz progressivamente o fluxo — cerca de 50% em 3 meses e 80 a 90% em 6 meses. Depois de 1 ano, boa parte das usuárias fica sem menstruar. É inclusive um tratamento de primeira linha para o sangramento menstrual excessivo.

💡 Parar de menstruar com o DIU hormonal faz mal?

Não. A ausência de menstruação com o DIU hormonal acontece porque o endométrio (o revestimento interno do útero) fica mais fino — não há sangue "acumulando" nem fazendo mal. É um efeito seguro e reversível: ao remover o DIU, o ciclo volta ao normal.

DIU dá cólica, corrimento ou infecção?

Cólicas leves são comuns nos primeiros meses, principalmente com o DIU de cobre, e tendem a diminuir. Corrimento ou pequeno aumento da secreção também podem ocorrer na fase de adaptação — mas corrimento com odor forte, cor amarelada/esverdeada ou coceira merece avaliação, pois pode indicar uma infecção que não tem relação com o DIU (veja corrimento vaginal).

Sobre infecção pélvica (DIP): o risco absoluto é muito baixo. Há um pequeno aumento nas primeiras ~3 semanas após a inserção, principalmente quando existe uma infecção do colo por clamídia ou gonococo não tratada. Passado esse período, o DIU não aumenta o risco de infecção. E, se uma DIP acontecer durante o uso, em geral o tratamento é feito com o DIU no lugar — não é preciso retirá-lo às pressas, e a decisão é reavaliada conforme a resposta ao antibiótico. Importante reforçar: o DIU não protege contra ISTs — para isso, o preservativo é insubstituível.

Mulher sem filhos pode usar DIU?

Sim. A ideia de que "DIU é só para quem já teve filho" está totalmente ultrapassada. As principais entidades médicas recomendam o DIU como uma excelente opção também para mulheres sem filhos (nulíparas) e até para adolescentes — justamente por ser altamente eficaz e não depender da rotina.

Para essas mulheres, existem os modelos menores — Kyleena e Jaydess (hormonais) e versões reduzidas do DIU de cobre — com sistema mais estreito e inserção mais confortável. Mesmo o Mirena e o DIU de cobre tradicional podem ser inseridos em nulíparas por um profissional experiente.

DIU no pós-parto, amamentação e menopausa

  • Pós-parto: o DIU pode ser inserido logo após o parto (inclusive na cesárea) ou na consulta de revisão. A inserção imediata é segura e muito prática, mas tem chance de expulsão maior do que quando é feita semanas depois — essa diferença deve fazer parte da escolha. O momento exato também depende do tipo de dispositivo e do protocolo: para o DIU de cobre, o Ministério da Saúde apoia a inserção pós-parto imediata; a bula brasileira do Mirena orienta esperar a involução do útero (em geral após 6 semanas).
  • Amamentação: tanto o DIU de cobre quanto o hormonal são seguros durante a amamentação e não interferem na produção de leite — diferentemente dos métodos com estrogênio. A única ressalva é o risco um pouco maior de perfuração nesse período, já comentado acima.
  • Perimenopausa: o DIU hormonal (Mirena) é especialmente útil nessa fase: além de contraceptivo, controla o sangramento irregular e pode ser usado como a parte progestagênica da terapia hormonal da menopausa, protegendo o endométrio. Atenção a um detalhe importante: quando o Mirena é usado para essa proteção do endométrio, deve ser trocado a cada 5 anos (os 8 anos valem apenas para a finalidade contraceptiva).

Quando o DIU é contraindicado

O DIU é seguro para a grande maioria das mulheres, mas há situações em que ele não deve ser usado, ou exige cautela:

  • Gravidez confirmada ou suspeita
  • Infecção pélvica (DIP) atual, ou cervicite purulenta / clamídia ou gonorreia ativas no momento da inserção (vaginose bacteriana e tricomoníase não impedem a colocação)
  • Sangramento vaginal de causa ainda não esclarecida
  • Malformação importante da cavidade uterina que impeça o posicionamento
  • Câncer de colo ou de endométrio em investigação/tratamento
  • Específico do DIU hormonal: câncer de mama atual (para câncer de mama no passado, a decisão é individualizada com o oncologista; o DIU de cobre, sem hormônio, é uma alternativa)
  • Específico do DIU de cobre: doença de Wilson (alteração rara do metabolismo do cobre)

🔬 Preciso de exames ou antibiótico antes de colocar?

Na maioria das vezes, não. Basta a avaliação ginecológica e a exclusão razoável de gravidez — não são necessários de rotina ultrassom, hemograma, dosagens hormonais ou sorologias extensas. Se houver indicação de rastrear clamídia/gonorreia, a coleta pode ser feita no mesmo dia, sem esperar o resultado para inserir (desde que não haja sinais de infecção do colo). Antibiótico preventivo também não é rotina.

A avaliação individualizada com o ginecologista define com segurança se — e qual — DIU é o mais indicado para você.

O DIU é um dos métodos mais eficazes, práticos e duradouros disponíveis hoje. Os medos mais comuns — dor, ganho de peso, "não poder usar sem ter tido filhos" — em geral não se confirmam. Informação de qualidade e uma boa avaliação médica são o que transformam a decisão em algo tranquilo.

Perguntas Frequentes

DIU dói para colocar?

A inserção pode causar cólica de intensidade variável quando o DIU atravessa o colo do útero — algumas mulheres mal sentem, outras têm dor moderada ou forte, e não dá para prever com certeza. Dura poucos segundos, e o procedimento todo leva cerca de 5 minutos. As opções de alívio da dor devem ser conversadas com toda paciente: a lidocaína (creme, spray ou bloqueio no colo) tem a melhor evidência para a dor da inserção, enquanto o anti-inflamatório ajuda mais na cólica depois do procedimento. Cólicas leves nas horas seguintes são esperadas e melhoram com analgésico comum.

DIU engorda?

O DIU de cobre não tem hormônio nenhum, portanto não engorda. O DIU hormonal libera levonorgestrel diretamente dentro do útero, com absorção para o corpo muito baixa, e os estudos clínicos não confirmam ganho de peso significativo associado a ele. A sensação de inchaço nos primeiros meses pode ocorrer, mas não corresponde a ganho real de gordura na maioria dos casos.

Mulher que nunca teve filho pode colocar DIU?

Sim. A ideia de que o DIU é só para quem já teve filho está ultrapassada — as principais entidades médicas recomendam o DIU independentemente de a mulher ter tido filhos, inclusive para adolescentes. Existem modelos menores, como o Kyleena e o Jaydess, que podem ser uma opção interessante, mas um dispositivo menor não garante inserção sem dor. O Mirena e o DIU de cobre também podem ser inseridos com segurança em quem não tem filhos.

Como sei se o meu DIU saiu do lugar?

O DIU tem dois fios finos que saem pelo colo e se projetam na vagina. Se quiser, você pode aprender a senti-los introduzindo um dedo limpo até o colo do útero — mas checar todo mês não é obrigatório. Sinais de alerta de que o DIU pode ter se deslocado ou sido expelido: não sentir mais os fios, senti-los muito mais compridos, sentir a haste rígida do DIU, cólica forte persistente, sangramento anormal ou dor na relação. Nessas situações, use preservativo e procure o ginecologista; não sentir os fios nem sempre significa expulsão, e a posição é confirmada por ultrassom.

Posso engravidar usando DIU?

É raro. O DIU é um dos métodos mais eficazes que existem, com mais de 99% de eficácia — a falha acontece em menos de 1 em cada 100 mulheres por ano. O risco aumenta se houver expulsão parcial ou total, mas, excepcionalmente, a gravidez pode ocorrer mesmo com o DIU bem posicionado. Se o teste der positivo com o DIU no lugar, procure avaliação logo: é preciso primeiro descartar gravidez fora do útero (ectópica), cuja proporção relativa é maior nesse cenário. Se a gravidez for dentro do útero e desejada, costuma-se retirar o DIU precocemente quando os fios estão acessíveis, o que reduz riscos como aborto e infecção.

DIU de cobre ou DIU hormonal: qual é o melhor?

Não existe um melhor para todas — existe o melhor para o seu perfil. O DIU de cobre não tem hormônio, dura até 10 anos e é ideal para quem não quer ou não pode usar hormônio, mas tende a aumentar o fluxo e as cólicas. O DIU hormonal (Mirena, Kyleena, Jaydess) reduz muito o fluxo — podendo até cessar a menstruação — e trata cólicas, sangramento intenso, endometriose e adenomiose, mas algumas mulheres têm escape nos primeiros meses. A escolha é individualizada com o ginecologista.

Quanto tempo o DIU dura?

Depende do modelo: o DIU de cobre TCu380A dura 10 anos; o Mirena dura 8 anos para contracepção (5 anos quando usado para sangramento intenso ou proteção do endométrio na terapia hormonal); o Kyleena dura 5 anos; e o Jaydess dura 3 anos. Em todos os casos o DIU pode ser removido antes do prazo, a qualquer momento, se a mulher desejar — e a fertilidade retorna logo após a remoção.

Preciso usar preservativo nos primeiros dias após colocar o DIU?

Depende do tipo. O DIU de cobre protege imediatamente, em qualquer dia da inserção. O DIU hormonal protege na hora se for colocado nos primeiros 7 dias do ciclo (contando do início da menstruação); se for inserido depois disso, use preservativo por 7 dias. Na dúvida, confirme com quem realizou a inserção. E lembre-se: o preservativo continua sendo necessário para se proteger de ISTs, que o DIU não previne.

Preciso fazer exames ou tomar antibiótico antes de colocar o DIU?

Na maioria das vezes, não. Basta a avaliação ginecológica e a exclusão razoável de gravidez — não são necessários de rotina ultrassom, exames de sangue ou sorologias extensas. Se houver indicação de rastrear clamídia e gonorreia, a coleta pode ser feita no mesmo dia, sem atrasar a inserção, desde que não haja sinais de infecção do colo. Antibiótico preventivo também não é usado de rotina.

O DIU protege contra infecções sexualmente transmissíveis?

Não. Nenhum tipo de DIU oferece proteção contra ISTs como HIV, sífilis, gonorreia, clamídia e HPV. Para essa proteção, o preservativo é insubstituível. O ideal é a dupla proteção: o DIU para evitar a gravidez e o preservativo para se proteger das infecções.

Quer saber se o DIU é a melhor opção para você?

A Dra. Gabriella Dourado é ginecologista e obstetra em São Paulo (Paraíso e Higienópolis). Ela avalia seu perfil de saúde, indica o método mais adequado e realiza a inserção do DIU com segurança e conforto.

Agendar consulta com especialista →

Conteúdo informativo. Este artigo não substitui a consulta médica. Para avaliação individualizada, procure um ginecologista.

Referências: FEBRASGO; CDC — U.S. Medical Eligibility Criteria (US MEC 2024) e Selected Practice Recommendations (US SPR 2024); OMS — Medical Eligibility Criteria (MEC); ACOG — Pain Management for In-Office Uterine and Cervical Procedures (2025); FSRH — Intrauterine Contraception (2023, atualizado 2025); bula do Mirena aprovada pela Anvisa (2025); Ministério da Saúde do Brasil.