Ginecologia

Endometriose: sintomas, diagnóstico e tratamentos disponíveis

📅 Atualizado em agosto de 2026 ⏱ Leitura: 10 minutos 👩‍⚕️ Revisado por especialista em ginecologia

A endometriose é uma doença crônica e inflamatória na qual tecido semelhante ao endométrio (o revestimento interno do útero) cresce fora da cavidade uterina — nos ovários, nas trompas, no peritônio, na bexiga, no intestino e em outros órgãos pélvicos. Afeta aproximadamente 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva e é uma das causas mais comuns de dor pélvica crônica e infertilidade.

📋 Em resumo

  • Prevalência: cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva; entre mulheres com infertilidade, estima-se 25–50%
  • Diagnóstico: costuma atrasar vários anos (mediana em torno de 7)
  • Como se diagnostica: clínica + exames de imagem (ultrassom/ressonância); a laparoscopia ficou reservada a casos selecionados
  • Não tem cura: mas tem controle com tratamento clínico ou cirúrgico
  • Impacto na fertilidade: presente, mas gravidez é possível — muitas vezes com acompanhamento especializado

O que causa a endometriose?

A causa exata ainda não é completamente conhecida — provavelmente é multifatorial. Uma das principais hipóteses é a menstruação retrógrada: durante a menstruação, parte do sangue e tecido endometrial reflui pelas trompas para a cavidade abdominal, onde se implanta e prolifera em resposta a estímulos hormonais — principalmente ao estrogênio.

Entretanto, a menstruação retrógrada ocorre em grande parte das mulheres, e apenas algumas desenvolvem endometriose — o que aponta para a participação de fatores genéticos, imunológicos, inflamatórios e hormonais. Há importante componente familiar: ter mãe, irmã ou outra parente de primeiro grau com endometriose aumenta o risco da doença.

Quais são os sintomas da endometriose?

Os sintomas variam muito de mulher para mulher. Algumas têm doença extensa e poucos sintomas; outras têm lesões mínimas mas dor intensa. Os principais sintomas são:

  • Dismenorreia (cólica menstrual intensa): dor que começa antes da menstruação e persiste durante, muitas vezes incapacitante
  • Dor pélvica crônica: presente fora do período menstrual
  • Dispareunia: dor durante ou após a relação sexual
  • Disquezia: dor ao evacuar, especialmente durante a menstruação (sugestivo de endometriose intestinal)
  • Disúria: dor ao urinar, com possível sangue na urina durante a menstruação (sugere acometimento vesical)
  • Infertilidade: dificuldade para engravidar, presente em até 50% das mulheres com endometriose
  • Fadiga crônica: sintoma frequentemente negligenciado mas relatado por muitas pacientes
⚠️ Sinal de alerta: Cólica menstrual que interfere nas atividades diárias, piora ao longo dos anos ou exige uso contínuo de analgésicos NÃO é normal. Procure um ginecologista para avaliação.

💡 A intensidade da dor não reflete a gravidade da doença

Esta é uma das dúvidas mais frequentes — e a resposta surpreende: não há relação direta entre o tamanho das lesões e a intensidade dos sintomas. Algumas mulheres com doença extensa sentem pouca dor, enquanto outras com lesões pequenas têm sintomas intensos e incapacitantes. Por isso, a dor nunca deve ser minimizada com base na suposição de que "é leve".

Cólica intensa ou suspeita de endometriose?

A Dra. Gabriella Dourado é ginecologista e obstetra especializada em São Paulo. Agende uma avaliação personalizada.

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Por que o diagnóstico demora tanto?

O diagnóstico ainda costuma atrasar vários anos — estudos recentes apontam mediana próxima de 7 anos, com grande variação entre populações. Esse atraso reflete vários problemas:

  • Normalização da dor menstrual intensa ("é assim mesmo, toda mulher sente")
  • Ausência de um exame de sangue simples e acessível para o diagnóstico
  • Sintomas que se confundem com outras condições (síndrome do intestino irritável, infecções)
  • Falta de treinamento específico dos médicos para suspeitar da doença

Uma mudança importante dos últimos anos: a cirurgia deixou de ser obrigatória para confirmar o diagnóstico. Hoje, em muitas pacientes, a endometriose pode ser reconhecida pela clínica e pelos exames de imagem — especialmente o endometrioma e a endometriose profunda —, e o tratamento pode ser iniciado sem cirurgia. A laparoscopia ficou reservada a situações selecionadas.

Como a endometriose é diagnosticada?

1. Anamnese e exame clínico

A história clínica detalhada — tipo de dor, relação com o ciclo menstrual, impacto nas atividades — já levanta forte suspeita. O exame pélvico pode revelar nódulos dolorosos, útero em retroversão fixo ou espessamento dos ligamentos útero-sacros.

2. Ultrassonografia transvaginal especializada

É o principal exame de imagem inicial. Um ultrassom transvaginal especializado e sistemático, feito por examinador experiente, tem excelente desempenho para endometriomas ovarianos (cistos de "chocolate") e para endometriose profunda que acomete intestino, bexiga e ligamentos. Em protocolos de mapeamento da endometriose profunda, pode ser realizado com preparo intestinal — que ajuda em alguns casos, mas não é um requisito universal.

3. Ressonância magnética da pelve

Exame complementar que oferece mapeamento detalhado da extensão da doença, especialmente em endometriose profunda. Auxilia no planejamento cirúrgico.

⚠️ Imagem normal não exclui endometriose

Um ultrassom ou uma ressonância normais não descartam completamente a endometriose — sobretudo as lesões peritoneais superficiais, que costumam ser o "ponto cego" da imagem. Por isso, os sintomas e o exame clínico continuam sendo decisivos.

4. Laparoscopia

A cirurgia não é mais necessária para confirmar todos os casos. Ela fica reservada principalmente para situações selecionadas — imagem negativa com suspeita persistente, falha do tratamento clínico, ou quando já há indicação de tratamento cirúrgico —, permitindo então visualizar e, em geral, tratar as lesões no mesmo procedimento.

Classificação da endometriose

A endometriose é classificada em quatro estágios (I a IV) pela American Society for Reproductive Medicine (rASRM). O estágio é calculado durante a cirurgia, por um sistema de pontos baseado sobretudo na localização e extensão das lesões e aderências:

Estágio rASRM Denominação
IMínima
IILeve
IIIModerada
IVGrave

Duas ressalvas importantes: o estágio rASRM não se correlaciona bem com a intensidade dos sintomas nem com a fertilidade (uma mulher no estágio IV pode engravidar espontaneamente, e uma no estágio I pode ter infertilidade importante), e ele descreve mal a endometriose profunda de intestino, bexiga e ureter. Para estimar o prognóstico reprodutivo após cirurgia, usa-se uma ferramenta específica, o Índice de Fertilidade da Endometriose (EFI), junto com idade, reserva ovariana, trompas e o espermograma do parceiro.

Uma classificação mais útil clinicamente divide a doença em três tipos, conforme a localização e a profundidade das lesões:

Tipo Localização / exemplos
Peritoneal superficialLesões na superfície do peritônio pélvico — a forma mais comum
Ovariana (endometrioma)Cisto ovariano preenchido por sangue antigo — o "cisto de chocolate"
ProfundaLesões que se estendem abaixo da superfície do peritônio e podem comprometer ligamentos útero-sacros, vagina, intestino, bexiga ou ureteres

Quando suspeitar de endometriose intestinal?

A endometriose intestinal é uma forma de endometriose profunda infiltrativa que acomete a parede do intestino — mais frequentemente o reto e o sigmoide. É uma das apresentações que mais geram dúvida, porque os sintomas podem ser confundidos com problemas digestivos. O sinal mais característico é que as queixas pioram no período menstrual. Suspeite quando houver:

  • Dor para evacuar cíclica (disquezia): dor ao evacuar que piora durante a menstruação
  • Sangramento intestinal cíclico: sangue nas fezes coincidindo com a menstruação (menos comum, porém muito sugestivo)
  • Distensão abdominal: inchaço abdominal acentuado, às vezes chamado de "endo belly"
  • Dor pélvica profunda: incluindo dispareunia profunda (dor no fundo da vagina na relação)
  • Alteração do hábito intestinal: constipação ou diarreia que se intensificam no período menstrual

A confirmação envolve ultrassom transvaginal com preparo intestinal e, em casos selecionados, ressonância magnética. O manejo da endometriose intestinal exige equipe especializada e é individualizado conforme a extensão e os sintomas.

Tratamentos disponíveis

Tratamento clínico (medicamentoso)

O objetivo do tratamento hormonal é suprimir o estímulo estrogênico às lesões endometrióticas, reduzindo a inflamação e a dor. As principais opções são:

  • Anticoncepcionais combinados (pílula, adesivo, anel): primeira linha para controle da dor; o uso contínuo pode reduzir ou suprimir o sangramento e a dor associada à menstruação
  • Progestágenos: DIU hormonal (Mirena), implante, desogestrel ou dienogeste — também primeira linha, muito eficazes para a dor; o DIU tem ação predominantemente local
  • Análogos (agonistas) de GnRH: induzem menopausa temporária; ficam geralmente como segunda linha, quando os hormonais de 1ª linha não funcionam ou não são tolerados. No uso mais prolongado, associa-se terapia "add-back" para reduzir fogachos e perda óssea
  • Antagonistas orais de GnRH: opções mais recentes (por exemplo, associados a estradiol/noretisterona) para casos selecionados, geralmente após falha ou intolerância aos tratamentos de primeira linha
  • Inibidores de aromatase: reservados para casos refratários, geralmente combinados com outros hormonais

Tratamento cirúrgico

A cirurgia é considerada principalmente diante de dor persistente apesar do tratamento clínico, comprometimento funcional de órgãos (intestino, ureter, bexiga), suspeita diagnóstica relevante ou determinadas situações de endometrioma. A laparoscopia é a via de escolha, com o objetivo de tratar as lesões preservando ao máximo a função ovariana. A infertilidade, por si só, não é indicação automática de cirurgia — a decisão é individualizada.

⚠️ Cirurgia de endometrioma e reserva ovariana: retirar um endometrioma pode reduzir a reserva ovariana (AMH, contagem de folículos), sobretudo em cirurgias repetidas ou bilaterais. Por isso, operar o endometrioma antes de uma FIV não é rotina — não aumenta as taxas de nascimento e pode prejudicar a reserva. Em muitas mulheres assintomáticas, a conduta expectante é preferida; a cirurgia é reservada sobretudo para dor, suspeita de malignidade ou impedimento técnico.

A cirurgia não é curativa e a doença pode recorrer ao longo dos anos, sobretudo quando não se usa supressão hormonal depois. Para mulheres que não desejam engravidar imediatamente, a terapia hormonal após a cirurgia ajuda a controlar a dor e reduzir a recorrência. Já quem tem a gestação como prioridade não deve ficar em supressão hormonal apenas para "melhorar a fertilidade" — a estratégia pós-operatória é então individualizada.

Endometriose e fertilidade

Endometriose pode comprometer a fertilidade por múltiplos mecanismos: inflamação pélvica, aderências, redução da reserva ovariana (especialmente após cirurgia de endometrioma) e alterações na receptividade endometrial. Porém, muitas mulheres com endometriose conseguem engravidar espontaneamente ou com técnicas de reprodução assistida (FIV/ICSI). Para quem também tem irregularidade menstrual, é importante descartar síndrome do ovário policístico concomitante.

A decisão entre tratamento clínico, cirúrgico ou reprodução assistida deve ser individualizada com um especialista.

Endometriose não é só "cólica forte". É uma doença crônica, inflamatória e complexa que merece diagnóstico precoce, tratamento especializado e acompanhamento contínuo.

Endometriose tem cura?

Não existe cura definitiva para a endometriose — mas a doença tem controle eficaz e a maioria das pacientes consegue qualidade de vida muito boa com tratamento adequado. Essa é uma das perguntas mais importantes que os pacientes fazem, e a resposta merece clareza:

  • O tratamento clínico (hormonal) suprime o estímulo estrogênico às lesões, controlando os sintomas e a atividade da doença — mas não elimina definitivamente a endometriose, e os sintomas podem voltar após a suspensão
  • O tratamento cirúrgico remove as lesões visíveis, mas não elimina a predisposição à doença, que pode recorrer ao longo dos anos — recorrência maior quando não se usa supressão hormonal depois (em quem não está tentando engravidar)
  • Após a menopausa, os sintomas frequentemente melhoram pela queda do estrogênio, embora a doença possa persistir ou, menos comumente, permanecer ativa

O que o tratamento pode oferecer

  • ✅ Controle da dor pélvica e da dismenorreia
  • ✅ Supressão da atividade da doença e redução de recorrência
  • ✅ Planejamento reprodutivo e estratégias para minimizar a perda de reserva ovariana
  • ✅ Qualidade de vida próxima ao normal com o tratamento certo
  • ⚠️ Recorrência possível — o acompanhamento contínuo é parte do plano

Endometriose e fertilidade: posso engravidar?

Sim — engravidar com endometriose é possível para a maioria das mulheres, embora o caminho possa exigir mais atenção e, em alguns casos, apoio especializado. A endometriose afeta a fertilidade por vários mecanismos: inflamação pélvica crônica, aderências que deformam as trompas e os ovários, redução da reserva ovariana (especialmente após cirurgia de endometrioma) e alterações na receptividade do endométrio.

Mas é importante contextualizar: muitas mulheres com endometriose engravidam espontaneamente. A doença está associada a maior risco de infertilidade — estima-se que 30–50% das mulheres com endometriose possam ter dificuldade para engravidar —, sobretudo quando há distorção anatômica, comprometimento das trompas ou dos ovários, idade reprodutiva avançada ou reserva ovariana reduzida.

💡 Hormônio não é tratamento de fertilidade

Um ponto que gera muita confusão: o tratamento hormonal serve para controlar a dor, não para engravidar. Como ele suprime a ovulação, não aumenta a chance de gravidez espontânea enquanto é usado — e não deve ser prescrito com esse objetivo em quem está tentando conceber. Quem quer engravidar discute com o especialista o melhor momento e as opções (tentativa dirigida, cirurgia em casos selecionados ou reprodução assistida).

Estratégias de fertilidade na endometriose

Situação Abordagem
Doença mínima/leve, trompas pérvias, espermograma normal Tentativa espontânea ou, em casos selecionados, estimulação ovariana com inseminação intrauterina — conforme idade e demais fatores
Endometrioma ovariano Operar não é rotina antes da FIV; decisão individualizada por sintomas, idade, reserva ovariana e planos — não pelo tamanho isolado
Fator tubário, fator masculino, tentativas anteriores sem sucesso FIV/ICSI — a indicação depende de idade, reserva ovariana, trompas, espermograma e prognóstico, não apenas do estágio da endometriose
Reserva ovariana reduzida Avaliação precoce da fertilidade; discutir estratégias para preservar reserva ovariana

Atenção ao tempo: o tratamento hormonal da endometriose suprime a ovulação — quem deseja engravidar não deve adiar indefinidamente. A discussão sobre o momento de tentar deve ser feita com o especialista, levando em conta a reserva ovariana e a progressão da doença.

DIU hormonal para endometriose: funciona?

Sim — o DIU de levonorgestrel (Mirena e similares) é uma das opções mais eficazes e práticas para o controle da endometriose, especialmente para mulheres que apresentam dor pélvica e sangramento abundante como sintomas predominantes.

  • Como age: libera levonorgestrel diretamente no útero, criando um ambiente com progestagênio local que atrofia o endométrio e reduz a inflamação pélvica. Não elimina as lesões, mas suprime seus sintomas
  • Eficácia na dor: estudos mostram redução significativa da dismenorreia e da dor pélvica crônica em muitas pacientes
  • Vantagens: predomínio de ação local, com menor exposição sistêmica do que muitos tratamentos hormonais orais; efeito anticoncepcional simultâneo; duração de até 5–8 anos; reversível
  • Limitações: não elimina as lesões profundas (a resposta clínica varia conforme localização, extensão e sintomas predominantes); não é indicado para quem deseja engravidar em curto prazo; pode causar sangramento irregular nos primeiros meses

O DIU hormonal pode ser especialmente vantajoso como tratamento de manutenção após a cirurgia de endometriose, reduzindo o risco de recorrência e mantendo o controle sintomático a longo prazo.

💬 Da prática clínica

No consultório, vejo muitas mulheres que conviveram anos com cólicas incapacitantes ouvindo que "era normal". A endometriose costuma demorar a ser diagnosticada — e quanto antes investigamos uma dor que foge do comum, mais cedo é possível controlar a doença e devolver qualidade de vida. — Dra. Gabriella Dourado

Perguntas Frequentes

Cólica menstrual intensa pode ser endometriose?

Pode ser, sim. Cólica que piora ao longo dos anos, que não melhora com analgésicos comuns ou que chega a impedir atividades normais não é algo para ignorar. Esse padrão é um dos principais sinais de alerta para endometriose e merece avaliação ginecológica.

Endometriose tem cura?

Não existe cura definitiva, mas a doença tem controle eficaz com tratamento adequado — seja clínico (hormonal) ou cirúrgico. O objetivo é reduzir a dor e suprimir a atividade da doença; o tratamento hormonal não é usado para melhorar a fertilidade e, quando há desejo de engravidar, a conduta é individualizada. O acompanhamento contínuo com especialista é fundamental.

Como é feito o diagnóstico da endometriose?

A suspeita começa pela história clínica e pelo exame físico. O ultrassom transvaginal especializado identifica endometriomas e lesões profundas (a ressonância complementa o mapeamento). Hoje, a cirurgia não é mais necessária para confirmar todos os casos: em muitas pacientes o diagnóstico é clínico e por imagem, e o tratamento pode começar sem laparoscopia. Vale lembrar que uma imagem normal não exclui a doença, sobretudo lesões superficiais.

Endometriose impede de engravidar?

Não necessariamente. A endometriose pode dificultar a gravidez, mas muitas mulheres com a doença conseguem engravidar espontaneamente ou com apoio de reprodução assistida. A decisão entre tratamento clínico, cirúrgico ou técnicas como FIV é individualizada e deve ser discutida com um especialista em fertilidade.

O DIU hormonal trata a endometriose?

O DIU de levonorgestrel (Mirena) é uma opção eficaz para controlar a dor e o sangramento da endometriose, especialmente pela ação local no útero. Ele não elimina as lesões, mas reduz significativamente os sintomas em muitas pacientes e é uma boa alternativa para quem não tolera ou não quer outros hormônios.

Por que o diagnóstico de endometriose demora tanto?

O diagnóstico costuma atrasar vários anos — estudos recentes apontam mediana em torno de 7 anos. Isso acontece porque a dor menstrual intensa é frequentemente normalizada, os sintomas se confundem com outras condições e não há um exame de sangue simples para o diagnóstico. Buscar avaliação cedo, ao notar um padrão anormal de dor, é a melhor forma de encurtar esse caminho.

Após a cirurgia de endometriose, a doença volta?

A cirurgia controla as lesões, mas a doença pode recorrer ao longo dos anos — a recorrência é maior quando não se usa supressão hormonal depois. Para quem não está tentando engravidar, o tratamento hormonal após a cirurgia ajuda a controlar a dor e a reduzir a recorrência. Já quem deseja engravidar não deve ficar em supressão hormonal só para isso: a estratégia é individualizada.

Dor durante a relação sexual é sinal de endometriose?

Pode ser. A dispareunia (dor durante ou após o sexo) é um dos sintomas clássicos da endometriose, especialmente quando associada a dor pélvica em outros momentos ou cólica intensa. Esse sintoma deve ser relatado ao ginecologista para investigação adequada.

Suspeita de endometriose? Procure uma especialista.

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Conteúdo informativo. Este artigo não substitui a consulta médica. Para avaliação individualizada, procure um ginecologista especializado em endometriose.

Referências: ESHRE — Guideline on Endometriosis (2022); NICE NG73 — Endometriosis: diagnosis and management (atualizado 2024); FEBRASGO — posicionamento sobre diagnóstico e manejo da infertilidade associada à endometriose (2026); ACOG — Clinical Practice Guideline sobre diagnóstico de endometriose (2026); OMS — Endometriose.