Ginecologia

Infertilidade e Reprodução Assistida: investigação do casal e caminhos para a gestação

📅 Atualizado em agosto de 2026 ⏱ Leitura: 11 minutos 👩‍⚕️ Revisado por ginecologista especialista

A infertilidade afeta muitas pessoas em idade reprodutiva — a OMS estima que cerca de 1 em cada 6 pessoas passará por ela ao longo da vida. Na maioria dos casos há uma causa identificável e tratamento disponível. Compreender o processo de investigação e as opções terapêuticas é o primeiro passo.

📋 Infertilidade: Dados Essenciais

  • Definição: ausência de gestação após 12 meses de relações sexuais regulares sem contracepção (6 meses se ≥35 anos)
  • Frequência: aproximadamente 1 em cada 6 pessoas em idade reprodutiva ao longo da vida (OMS)
  • Causas: fatores femininos e masculinos contribuem em proporções semelhantes e podem coexistir — por isso o casal é avaliado em conjunto
  • Fator idade: a fertilidade feminina começa a declinar no início dos 30 anos e cai de forma mais acentuada após os ~37 anos
  • Prognóstico: depende muito da idade, do diagnóstico, da duração da infertilidade e do tratamento — é individual, não um número fixo

Quanto tempo tentar antes de investigar a infertilidade?

A busca por avaliação especializada é recomendada quando:

  • Mulher <35 anos: após 12 meses de tentativas sem sucesso
  • Mulher ≥35 anos: após 6 meses de tentativas — o fator tempo é mais crítico
  • Investigar imediatamente (independente do tempo) se: amenorreia, ciclos muito irregulares, endometriose conhecida, cirurgia pélvica prévia, DIP, fator masculino suspeito
  • Mulher ≥40 anos: iniciar investigação imediatamente, sem período de espera

Causas de infertilidade feminina

1. Fator ovulatório (30–40% das causas femininas)

  • SOP (Síndrome dos Ovários Policísticos), renomeada em 2026 para SOMP: causa mais comum de anovulação — hiperandrogenismo, ciclos irregulares, ovários com múltiplos folículos
  • Insuficiência ovariana prematura (IOP): perda da atividade ovariana antes dos 40 anos — FSH elevado. A atividade ovariana pode ser intermitente, e a gravidez espontânea, embora incomum, ainda é possível
  • Hiperprolactinemia: prolactina elevada inibe GnRH → anovulação
  • Disfunção tireoidiana: hipo e hipertireoidismo podem alterar a ovulação
  • Hipogonadismo hipogonadotrófico: baixa disponibilidade energética (transtorno alimentar, exercício excessivo), estresse

Atenção — reserva ovariana não é a mesma coisa que anovulação: uma reserva ovariana diminuída (AMH baixo, poucos folículos antrais) significa menos óvulos disponíveis, mas a maioria dessas mulheres ovula normalmente. Os marcadores de reserva preveem sobretudo a resposta à estimulação na FIV — não a fertilidade espontânea (veja adiante).

2. Fator tubário e peritoneal (30–40%)

  • DIP (Doença Inflamatória Pélvica): sequela de clamídia, gonorreia — obstrução tubária, hidrossalpinge
  • Endometriose: aderências pélvicas, distorção anatômica, inflamação local — compromete transporte do óvulo e implantação
  • Cirurgias pélvicas/abdominais prévias: aderências pós-operatórias
  • Laqueadura tubária: oclusão intencional mas tratável por recanalização ou FIV

3. Fator uterino (10–15%)

  • Miomas submucosos (distorcem a cavidade uterina)
  • Pólipo endometrial
  • Sinéquias uterinas (Síndrome de Asherman) — após curetagem, infecção
  • Malformações uterinas congênitas (útero bicorno, septo uterino)
  • Adenomiose

4. Fator cervical (raro)

O chamado fator cervical isolado é raro, e os antigos testes de interação muco-espermatozoide não são recomendados de rotina. A estenose do colo (após conização ou cirurgia) pode, em situações específicas, dificultar a passagem dos espermatozoides.

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Causas de infertilidade masculina

O fator masculino está presente em ~40% dos casos de infertilidade do casal. Avaliação pelo espermograma é obrigatória no início da investigação.

Parâmetros Normais do Espermograma (OMS 2021)

Parâmetro Valor de Referência
Volume≥ 1,4 mL
Concentração de espermatozoides≥ 16 milhões/mL
Motilidade progressiva≥ 30%
Morfologia normal (Kruger)≥ 4%
Vitalidade≥ 54% vivos

Estes são limites inferiores de referência (OMS 2021), não uma linha divisória entre "fértil" e "infértil": um homem com valores abaixo pode ter filhos, e valores normais não garantem fertilidade.

Causas do fator masculino: varicocele, criptorquidia, infecções genitais, fatores genéticos (Klinefelter, microdeleção do Y), distúrbios hormonais, toxinas ambientais, idiopática.

Investigação do casal infértil

A investigação moderna é dirigida e econômica — organiza-se em torno de quatro perguntas: ela ovula? o útero/cavidade são normais? as trompas são pérvias? como está o fator masculino? Não se pede um "painel" imenso de exames em toda mulher.

Avaliação feminina

  • Ela ovula? Em ciclos regulares (21–35 dias), a própria história menstrual já sugere ovulação, e não é preciso confirmá-la de rotina. Quando necessário, dosa-se a progesterona na 2ª fase (cerca de 7 dias antes da próxima menstruação esperada) — a temperatura basal e o ultrassom folicular seriado não são recomendados de rotina. Saiba mais sobre ovulação e período fértil.
  • Útero e trompas: avaliação da permeabilidade tubária por histerossalpingografia (HSG) ou histerossonografia (HyCoSy), conforme a disponibilidade; a histeroscopia não é rotina — é indicada para diagnosticar/tratar alterações da cavidade quando há suspeita.
  • Reserva ovariana: AMH e contagem de folículos antrais ajudam sobretudo a planejar o tratamento (resposta esperada à estimulação), não a fechar o diagnóstico.
  • Exames hormonais dirigidos: o TSH pode integrar a avaliação; a prolactina é pedida diante de galactorreia ou ciclos muito irregulares/amenorreia; androgênios, quando há sinais de hiperandrogenismo. Não são exames universais, e o cortisol não faz parte da investigação de rotina.
  • Cariótipo: em insuficiência ovariana prematura ou abortos de repetição.

À parte: sorologias (toxoplasmose, rubéola, HIV, hepatites, sífilis) e a atualização vacinal fazem parte do aconselhamento pré-concepcional e do preparo para reprodução assistida — não investigam a causa da infertilidade.

Avaliação masculina

  • Espermograma com morfologia estrita (Kruger). Se o primeiro exame estiver normal, não é preciso repeti-lo; se estiver alterado, repete-se (geralmente após pelo menos ~11 semanas), pela variabilidade natural do sêmen.
  • FSH, LH e testosterona quando o espermograma está alterado.
  • Cariótipo e pesquisa de microdeleção do Y em azoospermia ou oligospermia grave.
  • Não se fazem, de rotina, cultura seminal nem ultrassom de bolsa escrotal — ficam reservados a indicações específicas (ex.: sinais de infecção).

Reserva ovariana baixa significa infertilidade?

Não necessariamente — e essa é uma das maiores confusões do tema. A reserva ovariana se refere à quantidade de óvulos que ainda restam nos ovários, estimada por exames como o AMH, a contagem de folículos antrais (no ultrassom transvaginal) e o FSH. Pontos-chave:

  • Reserva baixa = menos óvulos, não "óvulos ruins". Quem tem reserva reduzida pode, sim, engravidar naturalmente — basta um óvulo de boa qualidade.
  • A qualidade dos óvulos depende mais da idade do que da reserva. Em média, mulheres mais jovens têm maior probabilidade de ter óvulos cromossomicamente competentes, mesmo com reserva baixa — embora nenhum exame consiga medir diretamente essa qualidade em uma paciente específica.
  • O AMH/folículos antrais predizem a resposta à estimulação na FIV (quantos óvulos serão captados) — não são um teste de "fertilidade natural".
  • Interprete junto com a idade e o contexto: uma reserva reduzida indica menor quantidade de folículos e menor resposta à estimulação — mas, isoladamente, não permite prever o tempo até a gravidez espontânea nem calcular quantos anos férteis restam. O que orienta o planejamento é sobretudo a idade e o desejo reprodutivo do casal, não o número do exame.

Ou seja: reserva ovariana baixa não é um "relógio de fertilidade" exato nem um diagnóstico de infertilidade — é um dado que ajuda a planejar, sempre lido junto com a idade.

O que é o AMH (hormônio anti-Mülleriano)?

O AMH é um hormônio produzido pelos pequenos folículos em crescimento dos ovários. Ele não conta diretamente o estoque: como o número desses folículos se relaciona ao tamanho do pool ovariano, o AMH funciona como um marcador indireto da reserva ovariana. É um dos melhores de que dispomos:

  • Pode ser coletado em qualquer dia do ciclo — não depende da fase menstrual.
  • AMH mais alto sugere um número maior de pequenos folículos; AMH baixo, um número menor. Atenção: assim como AMH baixo não significa infertilidade, AMH alto não significa fertilidade alta — uma mulher com SOP pode ter AMH muito elevado e não ovular.
  • É muito usado para planejar a FIV, prevendo a resposta à estimulação. No congelamento de óvulos ele ajuda a estimar quantos óvulos podem ser captados por ciclo — mas a decisão de congelar depende principalmente da idade e dos planos reprodutivos, e um AMH baixo isoladamente não é indicação automática.

Importante: o AMH mede quantidade, não qualidade dos óvulos, e sozinho não diz se a mulher vai ou não engravidar naturalmente. Não existe um valor universal que separe todas as mulheres em reserva baixa, normal ou alta: os métodos de dosagem não são padronizados entre laboratórios, então o resultado precisa ser comparado com a referência de quem o dosou e lido junto da idade. Vale lembrar também que ele não é um exame de rotina para toda mulher — faz sentido na investigação de infertilidade, no planejamento de tratamento e em situações que ameaçam a função ovariana. Veja em detalhe no guia Reserva ovariana e AMH: o que é e como interpretar.

Opções de tratamento

Escalonamento dos Tratamentos de Reprodução Assistida

Técnica Indicação Principal Taxa de Sucesso (por ciclo)
Indução da ovulação + coito programadoAnovulação (SOP), fator leve10–20%
Inseminação intrauterina (IIU)Fator cervical, masculino leve/moderado, inexplicada15–25%
FIV (fertilização in vitro)Fator tubário, masculino moderado, endometriose, falha de IIU (a ICSI é a técnica de fertilização usada dentro da FIV no fator masculino grave)Varia muito com a idade
FIV com doação de óvulosInsuficiência ovariana prematura, baixa reserva, idade materna avançadaDepende sobretudo da idade da doadora

⚠️ "Taxa de sucesso" varia muito conforme a idade da paciente (ou da doadora), o diagnóstico, a qualidade embrionária e a forma de calcular (por ciclo iniciado, por coleta, por transferência ou de forma cumulativa). Números fixos genéricos podem enganar.

Indução da ovulação e coito programado

Indicado para mulheres anovulatórias (principalmente SOP). Principais medicamentos:

  • Letrozol (inibidor de aromatase): é hoje o tratamento farmacológico de primeira linha para indução da ovulação na SOP com infertilidade anovulatória, sem outros fatores de infertilidade (diretriz internacional de SOP 2023 e OMS 2025). Tem melhores taxas de ovulação e de nascidos vivos que o clomifeno e menor risco de gestação múltipla. O uso para essa finalidade pode ser off-label conforme a regulamentação.
  • Citrato de clomifeno (Clomid): continua sendo uma alternativa válida (isolado ou com metformina), com risco de gestação gemelar em torno de 8%.
  • Gonadotrofinas (FSH recombinante/HMG): segunda linha — injeções SC com monitorização rigorosa por ultrassom para evitar a síndrome de hiperestimulação ovariana (SHO).

Inseminação Intrauterina (IIU)

Espermatozoides capacitados em laboratório são depositados diretamente na cavidade uterina próximo ao período ovulatório. Realizada sob leve estimulação ovariana. Indicação: fator cervical, fator masculino leve a moderado (concentração ≥5 milhões/mL após capacitação), infertilidade inexplicada, doadora de sêmen. Geralmente tenta-se 3–4 ciclos antes de escalar para FIV.

Fertilização In Vitro (FIV)

Processo que envolve:

  • Estimulação ovariana controlada: injeções de FSH/LH por 10–14 dias com monitorização por ultrassom e dosagens hormonais
  • Punção folicular: coleta dos óvulos guiada por ultrassom transvaginal — procedimento ambulatorial com sedação leve
  • Fertilização: convencional (FIV) ou por microinjeção do espermatozoide no óvulo (ICSI)
  • Cultivo embrionário: por 3 (clivagem) ou 5 dias (blastocisto) em laboratório especializado
  • Transferência embrionária: busca-se transferir o menor número de embriões capaz de dar boa chance de gravidez, para reduzir o risco de gestação múltipla (muitas vezes um único embrião). No Brasil, a Resolução CFM nº 2.320/2022 define os limites máximos por idade; excedentes são vitrificados
  • Suporte de fase lútea: progesterona vaginal

Diagnóstico Genético Pré-implantacional (PGT)

São duas coisas diferentes:

  • PGT-M: testa os embriões para uma doença monogênica específica conhecida — indicado quando há risco conhecido de transmitir essa doença.
  • PGT-A: pesquisa alterações no número de cromossomos (aneuploidias). Não é recomendado como rotina para toda paciente de FIV: o benefício não foi demonstrado. Pode ser discutido em situações selecionadas, mas não é indicado automaticamente por idade, por falha de FIV ou por perda gestacional recorrente — nesta última, a ASRM (2026) afirma que o PGT-A não reduziu o aborto nem aumentou os nascidos vivos em comparação com a conduta expectante.

Preservação da fertilidade

Opções para mulheres que desejam adiar a maternidade ou que enfrentarão tratamentos que comprometem a fertilidade (quimio/radioterapia):

  • Vitrificação de óvulos: congelamento de ovócitos maduros — taxa de sobrevivência após descongelamento: 80–90%; taxa de gravidez varia com a idade ao congelar (melhor antes dos 35 anos). Veja o guia completo de congelamento de óvulos
  • Vitrificação de embriões: requer parceiro ou doador de sêmen. A escolha entre congelar óvulos ou embriões depende de idade, número de óvulos, disponibilidade de sêmen, situação conjugal e preferência da paciente — não há uma opção universalmente "melhor".
  • Criopreservação de tecido ovariano: é uma técnica estabelecida (não mais experimental) de preservação da fertilidade em situações selecionadas — particularmente em meninas pré-púberes ou quando um tratamento gonadotóxico precisa começar sem tempo para estimulação e coleta de óvulos. Deve ser feita em centros especializados.

Fatores que influenciam a fertilidade

Estilo de vida e fertilidade

  • Peso corporal: obesidade e baixo peso comprometem a ovulação — IMC ideal entre 18,5–25 kg/m²
  • Tabagismo: reduz reserva ovariana, piora qualidade dos óvulos, aumenta risco de aborto
  • Álcool: mesmo consumo moderado reduz chance de gestação — abstinência recomendada
  • Exercício: moderado é benéfico; o excesso pode afetar a ovulação sobretudo quando há baixa disponibilidade energética (treino intenso sem ingestão calórica suficiente), mais do que o simples tempo de exercício
  • Estresse: pode contribuir para irregularidade menstrual, mas raramente é a causa isolada de infertilidade. Técnicas como mindfulness e psicoterapia ajudam no bem-estar e no enfrentamento, sem que se possa afirmar que aumentem a fertilidade
  • Ácido fólico: 400 mcg/dia 3 meses antes da concepção; 5 mg/dia em histórico de defeito do tubo neural
⚠️ A idade é o fator mais importante: a qualidade dos óvulos diminui progressivamente com a idade. Após os 35 anos, a queda é mais acentuada; aos 40, a chance de gestação espontânea por ciclo já é inferior a 10% e continua diminuindo. Não existe tratamento que reverta o envelhecimento ovariano — por isso a investigação precoce é fundamental.

Qual a chance de engravidar naturalmente aos 35, 38 e 40 anos?

A fertilidade natural diminui com a idade — sobretudo a partir dos ~37 anos —, mas continua existindo. De forma aproximada, a chance de engravidar por ciclo em casais sem problemas de fertilidade é:

  • 20 aos ~30 e poucos anos: cerca de 20–30% por ciclo
  • Início dos 30: começa a declinar de forma gradual
  • A partir de ~37 anos: a queda se acelera
  • Aos 40 anos: a chance por ciclo já é inferior a 10% e continua diminuindo com a idade

Ou seja: com o avanço da idade, é normal demorar mais para engravidar — o que não significa que seja impossível. O que muda é o tempo até a gestação e a chance acumulada ao longo dos meses. Por isso, a partir dos 35 anos recomenda-se investigar após 6 meses de tentativa (e não 12). Vale lembrar ainda que a idade materna mais avançada aumenta o risco de alterações cromossômicas — tornando o rastreamento pré-natal, como o NIPT, ainda mais relevante depois que a gravidez acontece.

Abortos de repetição

Definido como 2 ou mais perdas gestacionais espontâneas — que não precisam ser consecutivas (definição da ASRM 2026). Principais fatores investigados:

  • Causas cromossômicas do embrião: aneuploidias — a causa mais comum, mais frequente com o avançar da idade materna
  • Síndrome antifosfolípide (SAF): causa tratável e importante, com AAS + heparina
  • Anomalias uterinas: por exemplo, septo uterino (avaliação individualizada) e miomas submucosos
  • Alterações hormonais/metabólicas: hipotireoidismo, diabetes descontrolado
  • Grande parte dos casos permanece sem causa identificada — e muitos casais têm gestação bem-sucedida depois, mesmo sem tratamento específico.
⚠️ O que mudou: a pesquisa rotineira de trombofilias hereditárias (Fator V Leiden, protrombina, proteínas C/S) e da mutação MTHFR não é recomendada na investigação de aborto de repetição, e a anticoagulação nessas situações (ou na perda inexplicada) não demonstrou aumentar os nascidos vivos (ASRM 2026). A síndrome antifosfolípide é diferente e permanece relevante.

💬 Da prática clínica

A jornada da infertilidade costuma vir carregada de ansiedade e cobrança. Lembro aos casais que investigar cedo (após 12 meses tentando, ou 6 meses acima dos 35 anos) abre mais caminhos. Boa parte dos casos tem solução, e o acompanhamento certo faz diferença. — Dra. Gabriella Dourado

Perguntas Frequentes

Quanto tempo devo tentar engravidar antes de buscar ajuda médica?

Para mulheres com menos de 35 anos, recomenda-se investigação após 12 meses de tentativas sem sucesso. A partir de 35 anos, o prazo cai para 6 meses. Ciclos irregulares, histórico de endometriose ou cirurgia pélvica são indicação de avaliação imediata, independentemente do tempo de tentativa.

A infertilidade é sempre problema da mulher?

Não. O fator masculino está presente em cerca de 40% dos casos de infertilidade conjugal. Por isso, o espermograma deve ser solicitado logo no início da investigação — investigar só a mulher atrasa o diagnóstico e o tratamento.

Quais os primeiros exames que o casal deve fazer?

Para a mulher: avaliação da reserva ovariana (AMH, FSH, ultrassom transvaginal), função ovulatória e histerossalpingografia para checar as trompas. Para o homem: espermograma com morfologia estrita (critério Kruger). Esses exames formam a base da investigação inicial.

FIV garante gravidez na primeira tentativa?

Não existe garantia. As taxas de sucesso da FIV variam muito conforme a idade da mulher, o diagnóstico e a qualidade embrionária, e dependem de como são calculadas (por ciclo, por transferência ou de forma cumulativa) — por isso um número único pode enganar. Muitas gestações bem-sucedidas ocorrem na segunda ou terceira transferência embrionária.

A endometriose sempre causa infertilidade?

Nem sempre, mas compromete a fertilidade em graus variados. Mesmo em estágios leves, o ambiente inflamatório pélvico afeta a qualidade dos óvulos e a receptividade endometrial. Mulheres com endometriose devem ser avaliadas precocemente caso desejem engravidar.

A idade influencia muito as chances com FIV?

Sim, de forma significativa. A qualidade e a quantidade dos óvulos diminuem progressivamente após os 35 anos. A FIV com óvulos próprios tem taxas mais altas antes dos 37 anos; após os 40, muitas mulheres consideram a doação de óvulos para aumentar as chances de sucesso.

O estresse pode causar infertilidade?

O estresse intenso e crônico pode causar irregularidade menstrual e anovulação, mas raramente é a causa isolada de infertilidade. Ainda assim, técnicas de manejo como mindfulness e psicoterapia são recomendadas como suporte, pois melhoram o bem-estar durante o tratamento.

Após um aborto espontâneo, quanto tempo esperar para tentar de novo?

Após um aborto precoce sem complicações, não há necessidade médica de aguardar um número fixo de ciclos antes de tentar de novo — a ovulação pode voltar já cerca de duas semanas depois. A nova tentativa pode ocorrer após a recuperação física e quando a mulher e o casal se sentirem emocionalmente preparados, salvo alguma situação clínica específica que exija espera.

O caminho para a maternidade começa com a investigação correta

Cada casal tem sua própria história e causas específicas. A avaliação completa e individualizada é o que permite identificar o tratamento mais adequado para cada situação. A Dra. Gabriella Dourado oferece investigação do casal infértil e encaminhamento para centros de reprodução assistida especializados.

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Conteúdo informativo. Este artigo não substitui a consulta médica. Para avaliação individualizada, procure um ginecologista ou especialista em reprodução humana de sua confiança.

Referências: OMS — Guideline for the Prevention, Diagnosis and Treatment of Infertility (2025); International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome (2023); ASRM — Recurrent Pregnancy Loss: a Committee Opinion (2026) e Fertility Preservation in Patients with Medical Indications (2026); AUA/ASRM — avaliação do fator masculino; ESHRE; Resolução CFM nº 2.320/2022; Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH).