Ultrassonografia

Ultrassom Pélvico Transvaginal: indicações e como interpretar

📅 Atualizado em agosto de 2026 ⏱ Leitura: 12 minutos 👩‍⚕️ Revisado por especialista em Ginecologia e Ultrassonografia

O ultrassom pélvico transvaginal é o principal exame de imagem da ginecologia. Ao posicionar o transdutor dentro do canal vaginal — muito próximo ao útero e aos ovários —, ele oferece imagens com resolução e detalhe incomparáveis ao ultrassom abdominal convencional. É o método de escolha para avaliação do endométrio, diagnóstico de miomas, cistos ovarianos, pólipos, endometriose e monitoração da ovulação — além de ser essencial na investigação de dor pélvica, sangramento uterino anormal e acompanhamento da gestação inicial.

📋 Ultrassom Transvaginal — Dados Essenciais

  • Via: transdutor vaginal introduzido delicadamente no canal vaginal
  • Bexiga: deve estar vazia ou semi-vazia
  • Dói? Não em geral — sensação de pressão leve
  • Vantagem sobre o abdominal: muito maior resolução para estruturas pélvicas
  • Pode ser feito durante a menstruação? Sim, sem contraindicação
  • Estruturas avaliadas: útero (corpo, colo, cavidade), endométrio, ovários, regiões anexiais e fundo de saco. As trompas normais em geral não são individualizadas — elas aparecem sobretudo quando estão dilatadas ou alteradas

Ultrassom transvaginal: dói, precisa de preparo e pode fazer menstruada?

O ultrassom transvaginal dói?

Em geral, não. O transdutor é fino, revestido por um protetor descartável e introduzido delicadamente com gel lubrificante — a maioria das mulheres sente apenas uma leve pressão. Não precisa de anestesia e é um exame rápido (cerca de 10 a 15 minutos).

🤝 Antes de tudo: você precisa consentir

Este é um exame íntimo, e isso importa. O procedimento deve ser explicado antes e realizado somente com o seu consentimento. Durante o exame, se houver dor ou desconforto importante, avise — a técnica pode ser adaptada e o exame pode ser interrompido. Em alguns serviços é possível pedir a presença de um acompanhante ou de outro profissional na sala.

Quando há dor intensa, vaginismo ou alguma condição que dificulte a introdução do transdutor, a conduta é individualizada, e outras vias de exame podem ser usadas. Vale um esclarecimento: infecção pélvica não é contraindicação — pelo contrário, o transvaginal costuma ser justamente o exame que identifica abscessos e coleções nas trompas.

🧼 E sobre a higiene do aparelho

A capa descartável é trocada a cada paciente, mas ela não é a única barreira: transdutores endocavitários devem passar por desinfecção de alto nível entre um exame e outro, conforme as normas de controle de infecção. Se você tiver dúvida, pode perguntar — é uma pergunta legítima.

Precisa de algum preparo?

  • Bexiga vazia ou semi-vazia — ao contrário do ultrassom abdominal, que exige bexiga cheia como janela acústica.
  • Não é necessário jejum — o jejum só é exigido em ultrassons do abdome superior, não no exame pélvico.
  • Não há necessidade de abstinência sexual nem de depilação para realizar o exame.

Pode fazer durante a menstruação?

Sim, não há contraindicação — e em algumas situações o exame precisa mesmo ser feito nesse momento, como na investigação de um sangramento em curso.

Mas há uma nuance útil de saber: quando o objetivo principal é avaliar o endométrio e procurar pólipos ou outras lesões dentro da cavidade, as melhores imagens costumam ser obtidas depois que a menstruação termina, na primeira metade do ciclo. Sangue e coágulos dentro da cavidade podem esconder uma lesão — ou simular uma que não existe. Se o seu exame tem esse objetivo, vale confirmar com quem pediu qual o melhor dia.

Fora isso, se preferir remarcar por conforto pessoal, converse com o médico; clinicamente, a menstruação não impede o exame.

Por que o transvaginal é superior ao abdominal na ginecologia

O ultrassom abdominal depende da bexiga cheia como "janela acústica" e opera a uma distância maior dos órgãos pélvicos — o que limita a resolução da imagem. O transdutor vaginal, por estar a poucos centímetros do útero e dos ovários, usa frequências mais altas e produz imagens com muito mais detalhe: é possível medir o endométrio com precisão milimétrica, caracterizar pequenos cistos ovarianos, identificar pólipos intracavitários de 3–4 mm e avaliar a vascularização das estruturas com Doppler colorido.

Isso não significa que o abdominal seja obsoleto: ele é complementar, preferido em virgens, em casos de vaginismo, em úteros muito aumentados e na gestação avançada. Na ginecologia de rotina, porém, o transvaginal é o exame de referência.

Principais indicações do ultrassom transvaginal

Investigação de sangramento uterino anormal

O ultrassom transvaginal é um dos principais exames na investigação do sangramento uterino anormal, sobretudo quando se suspeita de causas estruturais — pólipos, miomas submucosos, adenomiose ou alterações do endométrio.

Vale a precisão, porém: nem todo sangramento irregular exige ultrassom de imediato. A investigação depende da idade, da possibilidade de gravidez, do padrão do sangramento, dos medicamentos em uso e dos fatores de risco — e em alguns casos exames laboratoriais ou a avaliação do tecido endometrial vêm antes.

E um limite importante do método: o ultrassom levanta a suspeita de hiperplasia ou câncer, mas não fecha esses diagnósticos. Isso depende da análise do tecido, obtida por biópsia ou outro método de amostragem.

Avaliação de dor pélvica crônica ou aguda

Na dor pélvica crônica, o transvaginal investiga causas estruturais como endometriose, miomas, cistos ovarianos e hidrossalpinge. Na dor aguda, é o exame de urgência para investigar torção ovariana, rotura de cisto, doença inflamatória pélvica (DIP) e gravidez ectópica.

⚠️ Um ponto que salva diagnósticos: fluxo normal ao Doppler NÃO exclui torção ovariana. O ovário tem irrigação dupla, e por isso o sangue pode continuar chegando mesmo com o pedículo torcido. O que orienta é o conjunto — assimetria entre os ovários, aumento de volume, edema, folículos deslocados para a periferia, posição anômala e, acima de tudo, o quadro clínico. Dor intensa e súbita com ultrassom "sem alteração vascular" continua exigindo avaliação.

Monitoração do ciclo e da ovulação

O ultrassom transvaginal é usado para monitorar o desenvolvimento folicular em ciclos naturais ou induzidos por medicação (reprodução assistida). Permite medir folículos com precisão, confirmar a ovulação (colapso folicular e formação do corpo lúteo) e acompanhar o desenvolvimento e a espessura do endométrio ao longo do tratamento. Vale a ressalva: a espessura informa sobre o desenvolvimento do endométrio, mas não mede diretamente "receptividade" — não existe, hoje, um teste validado que faça isso.

Rastreamento e acompanhamento de patologias uterinas e ovarianas

Gestação inicial

Na gestação do 1º trimestre, o transvaginal confirma a localização intrauterina da gestação, avalia a frequência cardíaca fetal, mede o comprimento cabeça-nádega (CCN) e investiga sangramento ou dor pélvica. É o método de escolha para localizar a gestação inicial.

💡 Útero vazio não é diagnóstico de gravidez ectópica

Esta confusão causa muito susto. Quando o teste de gravidez é positivo e o ultrassom ainda não mostra a gestação nem dentro nem fora do útero, a situação tem nome: gestação de localização desconhecida. Pode ser uma gravidez muito inicial, uma perda gestacional precoce ou, sim, uma ectópica — e a definição vem do conjunto: sintomas, achados nos anexos, ultrassons seriados e a evolução do beta hCG.

Do mesmo modo, o diagnóstico de gestação anembrionada ou de perda gestacional segue critérios rigorosos. Um exame feito muito cedo, ou com achados no limite, geralmente pede repetição antes de qualquer conclusão — justamente para não se afirmar uma perda que não existe.

Posição do DIU

Uma das indicações mais frequentes e que costuma não aparecer nas listas: quando há dúvida sobre a posição do DIU — fio não visualizado na consulta, dor, sangramento novo ou suspeita de deslocamento —, o transvaginal mostra onde o dispositivo está dentro da cavidade. Em casos selecionados, o modo 3D acrescenta informação sobre a relação do DIU com a cavidade uterina.

O que o laudo avalia — e como interpretar

Útero

  • Tamanho e forma: útero normal mede aproximadamente 7–9 cm de comprimento; pode ser maior em multíparas ou com miomas
  • Posição: anteversoflexão (normal), retroversão (variante normal em ~20% das mulheres)
  • Ecotextura: homogênea é o habitual; um miométrio heterogêneo pode ocorrer na adenomiose e na presença de miomas
  • Contorno: regular é o habitual; irregularidades podem ocorrer com miomas ou alterações anatômicas do útero

Endométrio

A espessura endometrial varia ao longo do ciclo e tem significado diferente conforme o status hormonal da mulher. E aqui vale desfazer a expectativa mais comum de quem lê um laudo:

⚠️ Antes da menopausa, não existe um número que separe "normal" de "doente". Essa é a posição do consenso internacional de 2026 sobre avaliação do endométrio: um ponto de corte de espessura não é útil antes da menopausa, porque o endométrio muda continuamente sob estímulo hormonal — e outras características importam mais do que a espessura.

O que o médico realmente valoriza: o dia do ciclo em que o exame foi feito, o aspecto do endométrio (regular ou não, a linha média, a transição com o miométrio), a presença de lesões focais como pólipos, a vascularização e os seus sintomas. Um endométrio de 12 mm na fase secretora pode ser perfeitamente normal; um de 7 mm com uma lesão focal pode merecer investigação.

📏 Como a espessura é medida

Mede-se a dupla camada — as duas paredes do endométrio juntas — no ponto de maior espessura, em corte longitudinal (sagital) do útero. Quando há líquido dentro da cavidade, ele não entra na conta: mede-se cada camada separadamente e somam-se as duas.

As faixas abaixo servem para dar ordem de grandeza do que é fisiológico em cada fase — não como limites de normalidade:

Espessura Endometrial — faixas fisiológicas aproximadas

Situação Faixa fisiológica aproximada Observação
Fase menstrual 1–4 mm Sangue e coágulos podem esconder ou simular lesões
Fase proliferativa 4–8 mm Aspecto trilaminar é o habitual; melhor fase para investigar pólipos
Fase secretora 8–14 mm Ecogênico e homogêneo; alterações fisiológicas podem simular doença
Pós-menopausa (sem TH) ≤ 4–5 mm Corte criado para quem sangra na pós-menopausa — ver a ressalva abaixo
Pós-menopausa (com terapia hormonal) Não há corte único Depende do esquema (contínuo ou sequencial), da dose e do momento do tratamento. No esquema contínuo o endométrio tende a ser fino

⚠️ O corte de 4–5 mm tem contexto

Esses valores foram criados para a mulher que apresenta sangramento na pós-menopausa — e, mesmo nela, a orientação mudou: a recomendação da ACOG, atualizada em 2026, passou a incluir a amostragem (biópsia) do endométrio na avaliação inicial da maioria dessas pacientes, em vez de usar a espessura de ≤4 mm para dispensar automaticamente a biópsia. Um endométrio fino reduz muito a probabilidade de câncer, mas não a exclui — e sangramento que persiste ou volta sempre exige avaliação do tecido.

Na mulher sem sangramento, em que o espessamento apareceu por acaso, esse corte não se aplica. As indicações de biópsia de quem sangra não devem ser estendidas à assintomática: sem sintomas e sem fatores de risco, valores abaixo de cerca de 11 mm geralmente não exigem investigação invasiva. Veja hiperplasia endometrial.

Ovários

  • Tamanho: varia bastante com a idade, a fase do ciclo, o uso de anticoncepcional e a reserva ovariana — é menor na pós-menopausa. O volume é interpretado junto com a morfologia e o contexto, e não como um divisor entre ovário "normal" e "alterado"
  • Folículo dominante: estrutura anecoica (escura) de 18–24 mm no período periovulatório — normal
  • Cisto folicular: folículo que não rompeu, geralmente regride espontaneamente em 1–2 ciclos
  • Corpo lúteo: estrutura complexa pós-ovulação — normal
  • Endometrioma: cisto com conteúdo homogêneo de baixa ecogenicidade ("vidro fosco") — sugestivo de endometriose
  • Cisto dermóide (teratoma): aspecto heterogêneo com sombra acústica posterior — geralmente benigno

🔬 Diante de um cisto, o tamanho não é o que mais importa

Quando existe uma lesão no ovário, o que orienta a conduta não é só o diâmetro: são as características — paredes, septos, presença de partes sólidas, projeções para dentro do cisto e a vascularização ao Doppler. Existem sistemas padronizados que organizam essa leitura e estimam o risco de malignidade, como o IOTA e o O-RADS, usados por serviços especializados.

Na prática isso significa que um cisto grande de aspecto simples pode ser bem menos preocupante do que um cisto pequeno com componente sólido.

Fundo de saco de Douglas

Pequena quantidade de líquido livre no fundo de saco é normal no período pós-ovulatório. Líquido em quantidade aumentada ou com ecos suspeitos pode indicar sangramento (gravidez ectópica rota, cisto hemorrágico) ou infecção (DIP). Implantes nodulares no fundo de saco são altamente sugestivos de endometriose profunda.

⚠️ Laudo não é diagnóstico clínico: O ultrassom descreve achados morfológicos — não fecha diagnósticos por si só. Um "cisto simples de 3 cm" pode ser um folículo normal ou um cisto de retenção; a interpretação correta depende da correlação com a clínica, o histórico menstrual, os sintomas e, quando necessário, exames laboratoriais. Sempre discuta o laudo com seu ginecologista.

💬 Da prática clínica

Muitas pacientes têm receio do ultrassom transvaginal, mas é um exame rápido, seguro e bem tolerado — o que melhor avalia o útero e os ovários. Não precisa de jejum nem de bexiga cheia e pode ser feito mesmo menstruada. Esclarecer isso já tranquiliza bastante. — Dra. Gabriella Dourado

Perguntas Frequentes

Endométrio de 10 mm é normal? E de 15 mm?

Não dá para responder pelo número sozinho — e essa é a resposta honesta, não uma evasiva. Antes da menopausa, o consenso internacional é claro: não existe um ponto de corte de espessura que separe normal de doente, porque o endométrio muda continuamente ao longo do ciclo. Um endométrio de 15 mm na fase secretora pode ser perfeitamente esperado, enquanto 7 mm com uma lesão focal pode merecer investigação. O que orienta é o dia do ciclo, o aspecto do endométrio, a existência de lesões, a vascularização e os seus sintomas. Depois da menopausa a lógica muda, e o que mais pesa é haver ou não sangramento.

Ultrassom transvaginal pode causar aborto?

Não. O exame usa ondas sonoras, não radiação, e é justamente o método recomendado para avaliar a gestação inicial — localização, viabilidade e investigação de sangramento ou dor. Não há evidência de que a introdução do transdutor provoque aborto ou descolamento. O receio é compreensível, sobretudo em quem já teve uma perda, mas nesse cenário o exame é o que ajuda a esclarecer o que está acontecendo. Se houver desconforto durante o procedimento, avise: a técnica pode ser adaptada.

O ultrassom mostra se o DIU está no lugar?

Mostra, e essa é uma das indicações mais comuns. Quando o fio não é visualizado na consulta, quando surge dor ou um sangramento diferente, ou quando há suspeita de que o dispositivo tenha se deslocado, o transvaginal identifica onde ele está dentro da cavidade uterina. Em situações selecionadas, o modo 3D acrescenta informação sobre a relação do DIU com a cavidade. Vale lembrar que fio não visualizado não significa necessariamente que o DIU saiu — muitas vezes ele apenas se recolheu para dentro do canal.

Ultrassom normal exclui torção do ovário?

Não exclui — e este é um dos pontos mais importantes desta página. Existe uma crença de que, se o Doppler mostra fluxo normal, a torção está afastada. Não está: o ovário tem irrigação dupla, e o sangue pode continuar chegando mesmo com o pedículo torcido. O diagnóstico se apoia no conjunto: dor súbita e intensa, assimetria entre os ovários, aumento de volume, edema, folículos deslocados para a periferia — e, acima de tudo, o quadro clínico. Diante de uma dor compatível, um Doppler tranquilizador não encerra a investigação.

Preciso depilar ou ficar sem relação antes do exame?

Não, nem uma coisa nem outra. Não existe recomendação de depilação nem de abstinência sexual para realizar o ultrassom transvaginal, e nada disso interfere no resultado. Também não é necessário jejum — esse preparo vale para exames do abdome superior, não para o pélvico. O único preparo que costuma ser pedido é o contrário do ultrassom abdominal: a bexiga deve estar vazia ou quase vazia.

O ultrassom transvaginal dói?

Em geral, não dói. O transdutor vaginal é fino, revestido com um protetor descartável e introduzido delicadamente no canal vaginal com gel lubrificante. A maioria das mulheres relata apenas uma sensação de pressão leve. O exame deve ser explicado antes e realizado com o seu consentimento, e se doer durante você pode avisar — a técnica é adaptada ou o exame interrompido. Em casos de vaginismo, dor intensa ou pós-operatório recente, a conduta é individualizada e outras vias podem ser usadas. Vale esclarecer que infecção pélvica não é contraindicação: o transvaginal costuma ser justamente o exame que identifica abscessos e coleções. Não há restrição para realizar o exame em mulheres sexualmente ativas.

Preciso fazer o ultrassom transvaginal com bexiga cheia ou vazia?

Para o ultrassom transvaginal, a bexiga deve estar vazia ou semi-vazia. Diferente do ultrassom abdominal — que exige bexiga cheia como janela acústica —, o transvaginal usa o próprio transdutor próximo aos órgãos, dispensando esse recurso. Uma bexiga muito cheia pode, inclusive, dificultar a visualização do útero ao deslocá-lo para trás.

Ultrassom transvaginal pode ser feito durante a menstruação?

Sim, pode. Em alguns casos, é inclusive indicado durante o período menstrual — a avaliação do endométrio na fase menstrual tem características específicas, e a investigação de sangramento anormal muitas vezes exige que o exame seja realizado nesse momento. Não há contraindicação clínica para o exame durante a menstruação.

Qual a diferença entre ultrassom transvaginal e abdominal?

O ultrassom abdominal usa um transdutor externo sobre o abdome, exigindo bexiga cheia como janela. Por ser mais distante dos órgãos, tem menor resolução para estruturas pequenas. O transvaginal posiciona o transdutor próximo ao útero e ovários, oferecendo imagens com muito mais detalhe e resolução — especialmente para endométrio, ovários e estruturas pélvicas. Em ginecologia, o transvaginal é o padrão preferencial na maioria das indicações.

O que é espessura endometrial e quais são os valores normais?

A espessura endometrial é a medida da parede interna do útero em seu maior diâmetro. Os valores variam conforme a fase do ciclo: na menstrual é fina (1–4 mm), na proliferativa aumenta progressivamente (4–8 mm), atingindo o máximo na fase secretora (8–14 mm). Na pós-menopausa, acima de 4–5 mm sem terapia hormonal é indicação de investigação adicional.

Ultrassom transvaginal detecta endometriose?

O ultrassom transvaginal detecta endometriomas ovarianos com boa acurácia — eles têm aspecto característico de "vidro fosco". No entanto, a endometriose superficial e os implantes profundos em estruturas como septo retovaginal, bexiga e intestino têm acurácia variável. O ultrassom de endometriose profunda — técnica especializada com preparo intestinal — melhora significativamente a detecção nesses casos.

O ultrassom transvaginal serve para diagnosticar gravidez ectópica?

Sim — o ultrassom transvaginal é o método de escolha para investigar gravidez ectópica. Ele pode detectar uma gestação intrauterina com apenas 4–5 semanas, identificar ausência de saco gestacional no útero, e visualizar o saco ectópico na tuba uterina, ovário ou abdome. É exame de urgência em mulheres com dor pélvica e sangramento no 1º trimestre, especialmente com beta-hCG positivo e útero vazio.

Ultrassom Pélvico com Especialista em Ginecologia e Medicina Fetal

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Conteúdo informativo. Este artigo não substitui a consulta médica. Para avaliação individualizada, procure um especialista em ginecologia ou medicina fetal de sua confiança.

Referências: ISUOG — “Consensus Statement on sonographic assessment of the endometrium: how to perform a gynecological ultrasound scan and report the findings” (Van den Bosch T et al., “Ultrasound in Obstetrics & Gynecology”, 2026), base para a ausência de ponto de corte útil antes da menopausa, a técnica de medida em dupla camada, a fase preferencial do exame, o consentimento e a desinfecção de alto nível do transdutor; ACOG, para a avaliação do sangramento na pós-menopausa e do sangramento uterino anormal; IETA — consenso de terminologia do endométrio e da cavidade uterina (Leone FPG et al.); IOTA e O-RADS, para a descrição e a estratificação de risco das lesões anexiais; grupo IDEA, para o mapeamento ultrassonográfico da endometriose; FEBRASGO.