Obstetrícia

Pré-natal: calendário completo de consultas e exames por trimestre

📅 Atualizado em agosto de 2026 ⏱ Leitura: 14 minutos 👩‍⚕️ Revisado por especialista em obstetrícia

O pré-natal é o conjunto de cuidados médicos, exames e orientações oferecidos à gestante desde a confirmação da gravidez até o parto. Seu objetivo principal é garantir a saúde da mãe e do bebê, identificar e tratar precocemente complicações e preparar a mulher para o parto e o puerpério. Um pré-natal bem conduzido é um dos fatores que mais reduzem a mortalidade materna e neonatal.

📋 Em resumo

  • Quando começar: assim que a gravidez for confirmada, preferencialmente ainda no 1º trimestre e antes das 12 semanas — mas começar a qualquer momento traz benefícios
  • Consultas: materiais oficiais mais antigos usavam 6 como mínimo, mas as referências atuais (Linha de Cuidado do MS e OMS) trabalham com oito ou mais contatos. O esquema mensal até a 28ª semana, quinzenal até a 36ª e semanal até o parto já resulta em bem mais de seis
  • Ultrassons: morfológico do 1º trimestre (11–14 semanas), morfológico do 2º trimestre (20–24 semanas) e avaliação do crescimento fetal no 3º trimestre
  • Vacinação (calendário 2026): influenza, COVID-19, dTpa, vacina contra o VSR e atualização de dT/hepatite B conforme histórico
  • Suplementação: ácido fólico (idealmente antes da concepção), ferro conforme protocolo e cálcio 1.000 mg/dia da 12ª semana ao parto (orientação do Ministério da Saúde)

Por que o pré-natal é tão importante?

O pré-natal é o acompanhamento médico da gestação, do início da gravidez até o parto. Com consultas e exames regulares, ele monitora a saúde da mãe e do bebê, previne e trata complicações e prepara para o parto — sendo o fator que mais contribui para uma gravidez segura.

Durante a gravidez, o organismo da mulher passa por transformações profundas — hormonais, cardiovasculares, metabólicas e imunológicas. O pré-natal permite monitorar essas mudanças, detectar condições que podem colocar em risco a mãe ou o bebê (como hipertensão gestacional, diabetes gestacional, infecções e anomalias fetais) e intervir precocemente, quando os resultados são melhores.

Além disso, as consultas são momento de educação em saúde: orientações sobre alimentação, atividade física, sinais de alerta, amamentação e planejamento do parto.

Quando começar o pré-natal?

O pré-natal deve ser iniciado assim que a gravidez for confirmada — idealmente até a 8ª semana de gestação. O início precoce permite:

  • Confirmar a localização e a viabilidade da gravidez (descartando gravidez ectópica)
  • Calcular com precisão a idade gestacional e a data provável do parto (DPP)
  • Iniciar suplementação de ácido fólico (que previne defeitos do tubo neural)
  • Solicitar os exames laboratoriais de rotina do 1º trimestre
  • Realizar o rastreamento de anomalias cromossômicas do 1º trimestre (translucência nucal) dentro da janela adequada

Posso iniciar o pré-natal após 12 semanas?

Sim — e vale muito a pena. Embora o início precoce seja o ideal, começar o pré-natal em qualquer momento da gestação traz benefícios reais para a mãe e o bebê. Se você passou da 12ª semana sem ainda ter iniciado, não há motivo para culpa: o obstetra fará a chamada "recuperação" de exames, solicitando de uma só vez a rotina laboratorial, as sorologias e o ultrassom apropriado para a idade gestacional atual.

O que muda é apenas que alguns rastreamentos com janela fixa — como a translucência nucal (11–14 semanas) — podem não ser mais possíveis. Nesses casos, há alternativas, como o NIPT e o ultrassom morfológico do 2º trimestre. O importante é iniciar o acompanhamento o quanto antes, a partir de agora.

Inicie o pré-natal com o suporte certo desde o começo

A Dra. Gabriella Dourado é ginecologista e obstetra especializada em São Paulo. Agende uma avaliação personalizada.

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Quantas consultas de pré-natal são necessárias?

O Ministério da Saúde recomenda no mínimo 6 consultas ao longo da gestação. A Organização Mundial da Saúde (OMS), desde 2016, recomenda um modelo ainda mais cuidadoso, com pelo menos 8 contatos de pré-natal, por estar associado a melhores desfechos perinatais. A frequência ideal aumenta conforme a gravidez avança:

  • Até a 28ª semana: uma consulta por mês (mensal)
  • Da 28ª à 36ª semana: uma consulta a cada 15 dias (quinzenal)
  • Da 36ª semana ao parto: uma consulta por semana (semanal)

Esse calendário pode ser individualizado: gestações de baixo risco e sem intercorrências podem seguir o esquema padrão, enquanto gestações de alto risco costumam exigir um número maior de consultas e exames — assunto detalhado mais adiante.

Calendário de consultas e exames por trimestre

Trimestre Semanas Principais exames Ultrassom
1º Trimestre Até 13sem 6d Hemograma, tipagem, glicemia, sorologias (toxo, sífilis, HIV, hepatites), urina, Papanicolau. TSH conforme indicação — não é rastreamento universal Translucência nucal (11–14 sem) + rastreamento combinado
2º Trimestre 14 a 27 sem TOTG 75g (24–28 sem), repetição de sorologias, hemograma, urina Morfológico do 2º trimestre (20–24 sem) + ecocardiograma fetal se indicado
3º Trimestre 28 sem ao parto Sorologias (sífilis, HIV, HBsAg), hemograma, GBS (36 0/7–37 6/7 sem), TOTG se necessário Crescimento fetal + ILA (28–32 sem); bem-estar + Doppler (34–36 sem)

1º Trimestre (até a 13ª semana e 6 dias)

O primeiro trimestre é o período de formação de todos os órgãos do bebê (organogênese). É o mais crítico em termos de malformações e também quando se faz o rastreamento genético precoce.

Consultas: 1ª consulta completa com anamnese, exame físico, cálculo da IG e DPP; consulta de retorno entre 11 e 14 semanas para avaliação do 1º trimestre.

Exames laboratoriais de rotina:

  • Hemograma completo
  • Tipagem sanguínea e fator Rh
  • Glicemia de jejum
  • Urina tipo I e urocultura
  • Sorologias: toxoplasmose (IgM e IgG), sífilis (VDRL), HIV, hepatite B (HBsAg) e hepatite C
  • Rubéola: o essencial é conferir o histórico vacinal. A pesquisa de IgM em gestante sem sintomas não é recomendada; a sorologia específica fica para situações de suspeita clínica ou exposição
  • TSH: não é rastreamento universal — o Ministério da Saúde não recomenda dosar em toda gestante assintomática. Entra quando há doença tireoidiana prévia, sintomas ou outros fatores que aumentem a suspeita. Alguns serviços privados adotam rastreamento mais amplo, conforme protocolo próprio
  • Parasitológico de fezes: quando houver indicação clínica ou epidemiológica — não é rotina para todas
  • Rastreamento do câncer do colo do útero: conferir se está em dia conforme idade e resultados anteriores. Desde 2025 o exame primário no Brasil é o teste de DNA-HPV (a cada 5 anos quando negativo), com a citologia mantida onde o teste molecular ainda não chegou. Engravidar não reinicia o relógio do rastreamento — não existe indicação de Papanicolau anual só porque a mulher está grávida

🦷 Gestante pode ir ao dentista?

Pode — e deve. A avaliação odontológica faz parte do cuidado pré-natal, e os tratamentos necessários podem ser realizados durante a gestação com os cuidados apropriados. Gengiva inflamada e sangramento são comuns na gravidez por efeito hormonal, e adiar tratamento não é a conduta mais segura.

Ultrassonografia do 1º trimestre (11–14 semanas): confirma a viabilidade e o número de fetos, define a datação com precisão, avalia a anatomia precoce e mede a translucência nucal. O exame pode incluir marcadores adicionais — osso nasal, ducto venoso, fluxo da valva tricúspide — conforme o protocolo de rastreamento adotado. Combinado com marcadores bioquímicos, forma o rastreamento combinado de primeiro trimestre para síndrome de Down e outras aneuploidias.

O NIPT (teste pré-natal não invasivo), que analisa o DNA fetal no sangue materno a partir de 10 semanas, é a estratégia de rastreamento cromossômico com maior sensibilidade para as aneuploidias mais comuns. Uma orientação importante: escolhe-se uma estratégia de rastreamento — não se somam vários testes de rastreio independentes, o que só gera resultados conflitantes e ansiedade. E o NIPT não substitui a ultrassonografia do 1º trimestre nem o estudo anatômico do 2º trimestre, que continuam indicados.

💊 Suplementação no 1º trimestre

  • Ácido fólico: 400 mcg/dia (idealmente desde 3 meses antes da concepção até a 12ª semana); 4 mg/dia em casos de risco aumentado (histórico de defeito do tubo neural, diabetes, uso de determinados medicamentos que interferem no folato — a dose é individualizada)
  • Ferro: a partir da 20ª semana em gestantes sem anemia; de imediato se houver deficiência
  • Cálcio: 1.000 mg/dia de cálcio elementar da 12ª semana até o parto, para todas as gestantes, conforme orientação do Ministério da Saúde — com intervalo de pelo menos 2 horas em relação ao ferro
  • Vitamina D: conforme avaliação individual

2º Trimestre (14ª a 27ª semana)

O segundo trimestre é geralmente o período mais confortável da gestação. Os enjoos do 1º trimestre tendem a diminuir e o abdome ainda não é tão volumoso. É quando se realiza o exame morfológico mais detalhado.

Consultas: mensais entre 14 e 28 semanas, com monitoramento de pressão arterial, ganho de peso, altura uterina e batimentos cardíacos fetais.

Exames do 2º trimestre:

  • Toxoplasmose: quem repete a sorologia ao longo da gestação é a gestante suscetível — ou seja, com IgG não reagente, que ainda pode se infectar. Quem já tem imunidade prévia em geral não precisa repetir de rotina. (Atenção: o critério é o IgG negativo, e não "IgM negativo".) A suscetível recebe orientações de prevenção e repete o exame periodicamente, conforme protocolo
  • Sífilis e HIV: repetidos ao longo da gestação conforme o protocolo brasileiro, com nova testagem no 3º trimestre e também diante de nova exposição de risco. Hepatites B e C são rastreadas no início e repetidas conforme situação clínica ou nova exposição
  • Teste oral de tolerância à glicose (TOTG 75g) entre 24 e 28 semanas para rastreamento de diabetes gestacional
  • Hemograma (repetição)
  • Urina tipo I e urocultura (repetição)

Ultrassom morfológico do 2º trimestre (20–24 semanas): o exame mais completo para avaliação da anatomia fetal. Verifica cérebro, coração, face, coluna, membros, órgãos abdominais, cordão umbilical, placenta e líquido amniótico. É também o melhor momento para a ecocardiografia fetal em gestações de risco.

⚠️ Diabetes gestacional: Afeta entre 7 e 18% das gestações no Brasil (a depender do critério diagnóstico). Não costuma causar sintomas, por isso o TOTG entre 24 e 28 semanas é obrigatório. Quando controlado, os desfechos maternos e fetais são excelentes.

3º Trimestre (28ª semana ao parto)

No terceiro trimestre, a frequência das consultas aumenta para permitir monitoramento mais próximo do crescimento fetal, da posição do bebê e das condições maternas — especialmente pressão arterial e glicemia.

Consultas: quinzenais da 28ª à 36ª semana; semanais da 36ª semana até o parto.

Exames do 3º trimestre:

  • Hemograma, urina tipo I, urocultura e nova testagem de sífilis e HIV; hepatite B conforme histórico, risco ou nova exposição
  • Streptococcus agalactiae do grupo B (GBS) entre 36 0/7 e 37 6/7 semanas: swab vaginal e retal para rastreamento de colonização (define profilaxia intraparto)
  • TOTG, se a gestante ainda não tiver sido adequadamente investigada — atenção: se o TOTG do 2º trimestre já veio alterado, o diagnóstico de diabetes gestacional está feito e o exame não se repete; o que começa é o tratamento

Ultrassonografias do 3º trimestre:

  • 28–32 semanas: avaliação do crescimento fetal (rastreando a restrição de crescimento fetal), volume de líquido amniótico e localização da placenta
  • 34–36 semanas: avaliação de bem-estar fetal, apresentação (cefálica ou pélvica), estimativa de peso e Doppler das artérias uterinas e umbilicais (em gestações de risco)

Cardiotocografia (CTG): monitoramento da frequência cardíaca fetal em repouso, indicado a partir de 32–34 semanas em gestações de risco ou conforme avaliação clínica.

Quais exames não podem faltar no pré-natal?

Aqui vale uma distinção que quase nenhum calendário faz — e que evita confusão. Os exames do pré-natal se dividem em três camadas diferentes: os que são rotina para praticamente todas, os que dependem do seu histórico ou da sua região, e os que dependem da estratégia de rastreamento escolhida ou de fatores de risco. Chamar tudo de "obrigatório" mistura saúde pública com assistência privada ampliada.

CamadaExemplos
Rotina para praticamente todasHemograma; tipagem sanguínea e fator Rh; avaliação de glicemia/diabetes gestacional; HIV; sífilis; hepatites B e C no início; urina e urocultura
Dependem do histórico, da suscetibilidade ou da regiãoRepetição de toxoplasmose (só nas suscetíveis); rubéola conforme histórico vacinal; estreptococo do grupo B; rastreamento do câncer do colo do útero; parasitológico de fezes; TSH
Dependem da estratégia de rastreamento ou de fatores de riscoNIPT ou bioquímica do 1º trimestre; ecocardiografia fetal; Doppler seriado; cardiotocografia; ultrassonografias adicionais

Sobre o estreptococo do grupo B, uma nota útil: o ACOG usa a janela de 36+0 a 37+6 semanas, enquanto protocolos do SUS podem trabalhar com 35–37 semanas conforme a rotina local. E há duas situações em que a profilaxia no parto já está indicada sem depender de novo exame: bacteriúria por GBS nesta gestação, ou filho anterior com doença neonatal por GBS.

🩸 Sou Rh negativo: o que muda no pré-natal?

Se você é RhD negativo, além da tipagem entra a pesquisa de anticorpos irregulares (Coombs indireto) para verificar se houve sensibilização. Na gestante não sensibilizada, a conduta inclui imunoglobulina anti-D por volta de 28 semanas e após o parto, quando indicado. Ela também pode entrar diante de eventos com risco de sangramento durante a gestação — mas aí a decisão depende da idade gestacional e da situação, e as recomendações para sangramentos e perdas muito precoces mudaram recentemente; veja os detalhes em sangramento na gestação. É um cuidado simples que protege as gestações futuras.

O calendário completo por trimestre acima detalha quando cada um é solicitado.

Pré-natal de alto risco exige mais consultas?

Sim. No pré-natal de alto risco, o número de consultas, exames e ultrassonografias costuma ser maior, e o acompanhamento é frequentemente compartilhado com um especialista em medicina fetal. O objetivo é vigiar de perto condições que aumentam o risco para a mãe ou o bebê.

São consideradas gestações de alto risco, entre outras:

  • Hipertensão crônica ou pré-eclâmpsia
  • Diabetes (prévio ou gestacional descompensado)
  • Restrição de crescimento fetal ou alterações no Doppler
  • Gestação múltipla (gêmeos)
  • Idade materna avançada ou doenças autoimunes, renais e cardíacas
  • Antecedente de prematuridade, perdas gestacionais ou malformação fetal

Nesses casos, além das consultas mais frequentes, podem ser necessários exames adicionais como Doppler seriado, perfil biofísico fetal e cardiotocografia, conforme a indicação clínica.

Rastreamento de pré-eclâmpsia

A pré-eclâmpsia — hipertensão com lesão de órgão-alvo na gravidez — afeta 3–8% das gestações e é uma das principais causas de mortalidade materna e perinatal. O rastreamento de primeiro trimestre (Doppler das artérias uterinas + PAPP-A + pressão arterial média + histórico clínico) permite identificar gestantes de alto risco para iniciar profilaxia com aspirina em baixa dose (100–150 mg/dia) antes da 16ª semana. Sobre o número de 62% que circula: ele vem do estudo ASPRE, em mulheres selecionadas por rastreamento combinado e referindo-se à pré-eclâmpsia pré-termo (parto antes de 37 semanas) — não é uma redução garantida para toda gestante que toma aspirina. O rastreamento combinado mais atual usa fatores maternos, pressão arterial média, Doppler das artérias uterinas e o biomarcador PlGF.

E há uma segunda medida de prevenção, recente e brasileira: o Ministério da Saúde orienta cálcio 1.000 mg/dia para todas as gestantes, da 12ª semana ao parto — tomado com pelo menos 2 horas de intervalo do ferro, porque um atrapalha a absorção do outro.

Vacinação na gestação

As vacinas recomendadas durante a gravidez são seguras e protegem tanto a mãe quanto o bebê:

  • Influenza (gripe): uma dose por temporada, em qualquer trimestre; reduz hospitalização materna e protege o recém-nascido nos primeiros meses de vida
  • COVID-19: uma dose a cada gestação, em qualquer fase
  • dTpa (difteria, tétano e coqueluche): uma dose a cada gestação, a partir da 20ª semana; os anticorpos maternos são transferidos ao bebê, protegendo-o nos primeiros meses
  • VSR (vírus sincicial respiratório): a novidade do calendário — dose única a partir da 28ª semana, a cada gestação. Protege o bebê justamente na fase de maior risco de internação por bronquiolite
  • Hepatite B e dT: iniciar ou completar o esquema conforme o histórico vacinal
  • Febre amarela: apenas em situações excepcionais, após avaliação de risco-benefício

O que acontece numa consulta de pré-natal além dos exames

Se você olhar só para a lista de exames, fica a impressão de que pré-natal é um pacote de laboratório. Não é. Boa parte do que protege mãe e bebê acontece na conversa, e uma consulta bem feita também inclui:

  • Pressão arterial, peso e crescimento uterino — o básico que detecta pré-eclâmpsia e alterações de crescimento antes de qualquer sintoma
  • Saúde mental: rastreio de ansiedade e depressão, que são frequentes na gestação e no puerpério e costumam passar despercebidas
  • Tabagismo, álcool e outras substâncias, com abordagem sem julgamento
  • Situação de violência — pergunta que precisa ser feita, e em ambiente seguro
  • Saúde bucal, alimentação, atividade física e uso seguro de medicamentos
  • Rede de apoio, condições de moradia e trabalho, e participação da parceria
  • Planejamento do parto e da amamentação, e orientação sobre direitos da gestante
  • Reclassificação do risco a cada consulta — o risco não é um carimbo do início: ele muda ao longo da gestação, para mais e para menos

Sinais de alerta durante a gestação

Procure atendimento imediato se apresentar:

  • Sangramento vaginal em qualquer fase da gestação
  • Dor abdominal intensa ou persistente
  • Pressão arterial ≥ 160/110 mmHg — hipertensão grave, avaliação urgente. Uma medida nova ou persistente ≥ 140/90 não é emergência por si só, mas precisa ser confirmada e avaliada logo
  • Cefaleia intensa, visão turva ou "pontos brilhantes"
  • Edema súbito de face, mãos e pés
  • Diminuição importante ou ausência dos movimentos fetais em relação ao padrão habitual — a partir do momento em que você já os percebe regularmente, e com atenção redobrada no 3º trimestre
  • Febre (temperatura ≥ 37,8°C)
  • Perda de líquido pela vagina — suspeita de rotura de membranas (bolsa rota). Vale em qualquer idade gestacional, mesmo sem dor ou contração
  • Contrações regulares antes da 37ª semana (trabalho de parto prematuro)

Planejamento do parto

O tipo de parto — vaginal ou cesariana — deve ser discutido com a obstetra levando em consideração fatores médicos, histórico obstétrico, posição do bebê, condições maternas e, claro, a preferência da gestante. Vale corrigir um mito muito repetido: a OMS não estabelece uma taxa ideal de cesáreas a ser atingida por países ou hospitais. O que ela recomenda é que a cirurgia esteja disponível para todas as mulheres que realmente precisam dela, e seja evitada quando não traz benefício. O Brasil, de todo modo, tem uma das maiores taxas do mundo — em 2024, cerca de 60% dos partos, chegando a aproximadamente 90% na rede privada.

A elaboração de um plano de parto — documento que registra as preferências da gestante sobre o trabalho de parto, alívio da dor, presença de acompanhante e cuidados com o recém-nascido — é encorajada e deve ser discutida com a equipe assistente.

Um pré-natal bem conduzido é o maior presente que uma mãe pode oferecer ao seu filho antes mesmo de ele nascer. Cada consulta, cada exame, cada orientação fazem parte dessa construção.

💬 Da prática clínica

O pré-natal bem feito é o que mais transforma o desfecho de uma gestação. Muitos problemas — pressão alta, diabetes gestacional, anemia, infecções — são silenciosos no início e só aparecem nos exames. Começar cedo e não faltar às consultas faz toda a diferença para a mãe e o bebê. — Dra. Gabriella Dourado

Perguntas Frequentes

Quando devo iniciar o pré-natal?

Assim que a gravidez for confirmada, preferencialmente ainda no primeiro trimestre e antes das 12 semanas. Uma consulta bem no início — por exemplo entre 6 e 10 semanas — ajuda a revisar medicamentos e antecedentes, iniciar a suplementação e calcular a data provável do parto com precisão. E permite fazer os rastreamentos que têm janela fixa, como o ultrassom de 11 a 14 semanas, no momento certo.

Quantas consultas de pré-natal eu preciso fazer?

O número de consultas, sozinho, não mede a qualidade do pré-natal — o que importa é começar cedo e manter o acompanhamento contínuo. Materiais oficiais brasileiros mais antigos usavam seis como mínimo, mas as referências atuais, incluindo a Linha de Cuidado do Ministério da Saúde e a OMS, trabalham com um modelo de oito ou mais contatos. Na prática, o esquema mensal até a 28ª semana, quinzenal até a 36ª e semanal até o parto já resulta em bem mais de seis. Gestações de alto risco podem exigir acompanhamento mais frequente.

Quais exames são feitos no primeiro trimestre?

No primeiro trimestre são solicitados hemograma, tipagem sanguínea e fator Rh, glicemia, urina e urocultura, além das sorologias para toxoplasmose, sífilis, HIV e hepatites B e C. A rubéola é avaliada pelo histórico vacinal, e não por pesquisa de IgM em quem não tem sintomas. O TSH não é rastreamento universal: entra quando há doença da tireoide, sintomas ou outros fatores de risco. E há o ultrassom de 11 a 14 semanas, que confirma a datação, avalia a anatomia precoce e mede a translucência nucal.

O que é o teste de diabetes gestacional e quando é feito?

É o teste oral de tolerância à glicose (TOTG 75g), feito entre 24 e 28 semanas de gestação. A gestante ingere uma solução de glicose e colhe sangue em intervalos para medir a resposta do organismo. O diabetes gestacional afeta entre 7 e 18% das gestações no Brasil e geralmente não causa sintomas — por isso todas as gestantes precisam ser rastreadas. Qual exame será necessário depende do resultado da glicemia inicial: se ela já preencher critério diagnóstico, o diabetes gestacional está definido e não é preciso esperar o TOTG. E se o TOTG vier alterado, o diagnóstico está feito: não se repete o exame para confirmar, começa-se o tratamento.

Quais vacinas posso tomar durante a gravidez?

Pelo calendário brasileiro de 2026: influenza (uma dose por temporada), COVID-19 (uma dose a cada gestação), dTpa (uma dose a cada gestação, a partir da 20ª semana) e a vacina contra o VSR (dose única a partir da 28ª semana, a novidade mais recente). Hepatite B e dT são atualizadas conforme o histórico. Todas são seguras, e os anticorpos maternos passam para o bebê, protegendo-o nos primeiros meses de vida — que é justamente quando ele é mais vulnerável.

Posso fazer atividade física durante a gravidez?

Sim, na grande maioria dos casos. A atividade física moderada, como caminhada, natação e exercícios supervisionados, é benéfica para a mãe e para o bebê. Converse com sua obstetra para saber quais atividades são adequadas para o seu caso e se há alguma restrição específica.

Quais são os sinais de alerta que exigem atendimento imediato?

Procure atendimento imediatamente em caso de sangramento vaginal, dor abdominal intensa, pressão arterial ≥ 160/110 mmHg, cefaleia intensa, visão turva, edema súbito de face e mãos, diminuição importante dos movimentos do bebê em relação ao padrão habitual, perda de líquido pela vagina (suspeita de bolsa rota) ou contrações regulares antes de 37 semanas. Uma pressão nova ou persistente ≥ 140/90 mmHg não é emergência por si só, mas deve ser confirmada e comunicada ao seu obstetra rapidamente.

Inicie seu pré-natal com acompanhamento especializado

A Dra. Gabriella Dourado é obstetra e especialista em medicina fetal em São Paulo, com atendimento humanizado e protocolos atualizados. Agende sua primeira consulta de pré-natal e cuide da sua saúde e do seu bebê desde o início.

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Conteúdo informativo. Este artigo não substitui a consulta médica. Para acompanhamento individualizado, procure um obstetra de sua confiança.

Referências: Ministério da Saúde — Linha de Cuidado do Pré-Natal de Risco Habitual (calendário laboratorial, TSH, toxoplasmose, ferro e estratificação de risco), Calendário Nacional de Vacinação da Gestante 2026 (inclui COVID-19 e VSR) e Nota Técnica Conjunta nº 251/2024 (suplementação universal de cálcio); INCA/Ministério da Saúde — Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero (2025, DNA-HPV); FEBRASGO; ISUOG (ultrassonografia de 11–14 semanas e de 3º trimestre); ACOG (rastreamento de aneuploidias por cfDNA, estreptococo do grupo B e imunoglobulina anti-D); OMS (modelo de contatos no pré-natal e taxas de cesariana).