Obstetrícia

Vacinas na Gravidez: quais são seguras, obrigatórias e quando tomar

📅 Atualizado em maio de 2026 ⏱ Leitura: 8 minutos 👩‍⚕️ Revisado por obstetra especialista

Vacinar durante a gravidez é um dos atos mais eficazes de proteção que uma gestante pode oferecer ao seu bebê. Isso porque o recém-nascido nasce sem um sistema imunológico maduro e depende dos anticorpos transferidos pela mãe — via placenta e, depois, pelo leite materno — para se defender de infecções nos primeiros meses de vida. Entender quais vacinas são recomendadas, quais são contraindicadas e o melhor momento para cada uma é parte fundamental do pré-natal.

📋 Vacinas na Gravidez — Dados Essenciais

  • Imunidade passiva: anticorpos maternos IgG cruzam a placenta e protegem o bebê nos primeiros meses de vida
  • Obrigatórias no SUS: algumas vacinas integram o calendário obrigatório do pré-natal na rede pública
  • Contraindicadas: vacinas de vírus vivo atenuado (MMR, varicela, febre amarela) são contraindicadas durante a gestação
  • dTpa salva vidas: a vacina dTpa protege contra coqueluche neonatal — principal causa de morte infantil evitável por vacinação

Por que vacinar na gravidez?

A gravidez altera o sistema imunológico materno para evitar a rejeição do feto — o que pode deixar a gestante mais vulnerável a certas infecções e a formas mais graves de doenças respiratórias. Mas há um benefício ainda maior: a proteção transferida ao bebê.

Durante o terceiro trimestre, anticorpos do tipo IgG atravessam ativamente a placenta e se acumulam na circulação do recém-nascido. O bebê nasce com uma reserva de imunidade emprestada que o protege enquanto seu próprio sistema imune amadurece e enquanto ele completa o calendário vacinal básico, iniciado apenas após o nascimento.

Essa é a base da chamada estratégia "casulo" — não apenas a mãe, mas todos que terão contato próximo com o recém-nascido (pai, avós, babás) devem estar com as vacinas em dia, criando um círculo de proteção coletiva ao redor de quem ainda não pode se vacinar.

Calendário vacinal recomendado na gestação

Vacinas Recomendadas na Gravidez

Vacina Quando tomar Por quê Segurança
dTpa (difteria + tétano + coqueluche acelular) A partir de 20 sem, idealmente entre 27–36 sem Protege o bebê contra coqueluche neonatal fatal Segura — recomendada em TODA gestação
Influenza (gripe) Qualquer trimestre, preferencialmente antes da temporada gripal Gestante tem risco aumentado de complicações graves Segura — recomendada anualmente
COVID-19 (preferência para vacina de mRNA) Qualquer trimestre Proteção contra forma grave da doença Segura — recomendada pelo MS e FEBRASGO
Hepatite B 3 doses durante a gestação, se não vacinada anteriormente Risco de transmissão vertical (mãe-bebê) da hepatite B Segura (vacina inativada)
Hepatite A Se suscetível e com risco epidemiológico elevado Hepatite A pode ter curso mais grave na gestação Segura (vacina inativada)

Está grávida e com dúvidas sobre quais vacinas tomar?

O calendário vacinal deve ser individualizado conforme a idade gestacional, o histórico vacinal e as condições clínicas. A Dra. Gabriella Dourado, ginecologista e obstetra em São Paulo, orienta cada gestante durante o pré-natal.

Agendar consulta →

Vacinas contraindicadas (proibidas) na gravidez

As vacinas que utilizam vírus vivo atenuado são contraindicadas durante a gestação porque apresentam risco teórico de infecção fetal, mesmo que nunca tenha sido comprovada transmissão vertical nas vacinas aprovadas:

Vacina Por que é contraindicada
Tríplice viral (MMR) — sarampo, caxumba, rubéolaVírus vivo atenuado
Varicela (catapora)Vírus vivo atenuado
Febre amarelaVírus vivo atenuado — exceção: epidemia com risco real de exposição, após avaliação individual de risco-benefício
BCGVírus vivo atenuado — aplicada ao recém-nascido, não à gestante

Mulheres que planejam engravidar devem atualizar essas vacinas antes da concepção, aguardando pelo menos 30 dias após as vacinas de vírus vivo antes de tentar engravidar.

dTpa — a mais importante vacina da gestação

A coqueluche (pertussis) é uma doença respiratória grave causada pela bactéria Bordetella pertussis. Em adultos e crianças maiores, costuma se manifestar como uma tosse prolongada e incômoda. Em bebês com menos de 2 meses de vida, porém, pode ser fatal — levando a pausas respiratórias, convulsões e morte.

O problema é que o bebê só recebe sua primeira dose da vacina contra coqueluche (parte da vacina pentavalente) aos 2 meses de vida. Esse intervalo entre o nascimento e a primeira dose deixa o recém-nascido completamente desprotegido — a menos que a mãe tenha sido vacinada durante a gestação.

  • A dTpa deve ser aplicada em toda gestação, mesmo que a mulher já tenha sido vacinada anteriormente ou em gestação prévia
  • O momento ideal é entre 27 e 36 semanas — tempo suficiente para produção e transferência placentária dos anticorpos
  • Familiares e cuidadores do bebê também devem receber a dTpa — é a estratégia casulo
  • A DT (difteria + tétano) isolada, que antes era usada em gestantes, foi substituída pela dTpa no calendário do SUS

Influenza na gravidez

Gestantes têm risco significativamente maior de complicações graves por influenza — incluindo pneumonia, internação em UTI e morte — em comparação com mulheres não grávidas da mesma faixa etária. Isso ocorre por mudanças imunológicas, cardiovasculares e pulmonares que a gestação provoca.

A vacina contra influenza usada em gestantes é do tipo inativada (não contém vírus vivo) — portanto, segura em qualquer trimestre. Além de proteger a mãe, os anticorpos produzidos são transferidos ao bebê e o protegem nos primeiros meses de vida, antes que ele possa receber sua própria vacina (disponível a partir dos 6 meses de idade).

  • Recomendada anualmente, de preferência antes do início da temporada de gripe (outono/inverno)
  • Segura em qualquer trimestre da gestação
  • Protege contra internação por complicações respiratórias

COVID-19 na gravidez

A gestação é fator de risco para formas graves da COVID-19 — gestantes têm maior chance de internação em UTI e de complicações. Por isso a vacinação é recomendada pelo Ministério da Saúde e pela FEBRASGO em qualquer trimestre.

  • Tipo preferencial: vacinas de mRNA, atualizadas para as variantes em circulação
  • Segurança: dados de milhões de gestantes vacinadas mostram segurança para a mãe e o bebê
  • Benefício ao bebê: os anticorpos maternos atravessam a placenta e oferecem proteção nos primeiros meses de vida

Vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR / Abrysvo)

O vírus sincicial respiratório (VSR) é a principal causa de bronquiolite e de internação por doença respiratória em bebês nos primeiros meses de vida. A vacina materna Abrysvo (RSVpreF) é uma das novidades mais importantes da obstetrícia recente: aplicada na gestante, induz anticorpos que atravessam a placenta e protegem o recém-nascido — a mesma lógica da dTpa.

  • Quando tomar: dose única entre 32 e 36 semanas de gestação. A janela é definida assim de propósito — não se aplica antes por precaução (estudos observaram um discreto aumento de partos prematuros no grupo vacinado, sem significância estatística confirmada).
  • O que previne: reduz de forma importante os casos graves de doença pelo VSR e as internações do bebê nos primeiros meses de vida.
  • Alternativa: quando a mãe não foi vacinada, existe o nirsevimabe — um anticorpo monoclonal aplicado diretamente no bebê para prevenir o VSR.

No Brasil, a Abrysvo está disponível sobretudo na rede privada e é recomendada por sociedades como a SBIm; sua incorporação ao SUS pode variar. Converse com seu obstetra sobre a disponibilidade e a indicação no seu caso.

E se eu esqueci de vacinar no momento certo?

Melhor tarde do que nunca. A dTpa tomada até a 36ª semana ainda tem efeito significativo na transferência de anticorpos ao bebê. A influenza pode ser tomada em qualquer momento da gestação. Se chegou ao final da gestação sem ter se vacinado, converse com o obstetra — algumas vacinas podem ser aplicadas no puerpério imediato (antes da alta hospitalar) com boa eficácia.

⚠️ Atenção: NÃO tome a tríplice viral (sarampo/rubéola/caxumba) durante a gravidez. Se for vacinada acidentalmente, comunique o obstetra — ela é contraindicada, mas na prática não há relatos de dano fetal comprovado. Aguarde pelo menos 1 mês após receber a tríplice viral antes de tentar engravidar.

Perguntas Frequentes

A vacina da gripe na gravidez pode transmitir a doença para o bebê?

Não. A vacina contra influenza usada na gravidez é inativada — não contém vírus vivo e não pode causar gripe. Ao contrário, ela protege a mãe de formas graves da doença e transfere anticorpos para o bebê, que ficará protegido nos primeiros meses de vida.

Por que a dTpa é tão importante na gravidez?

A coqueluche (pertussis) pode ser fatal em bebês com menos de 2 meses — antes de eles completarem o esquema vacinal básico. Vacinando a mãe entre 27 e 36 semanas, os anticorpos maternos são transferidos ao bebê e o protegem nesse período mais vulnerável. Deve ser feita em cada gestação.

Posso tomar a vacina da febre amarela durante a gravidez?

Geralmente não, pois é uma vacina de vírus vivo atenuado. A exceção é viagem inevitável a área com surto ativo, após avaliação individual de risco-benefício. Idealmente, mulheres que planejam engravidar devem atualizar a vacina antes da gestação, aguardando pelo menos 30 dias.

A vacina da COVID-19 é segura na gravidez?

Sim. As vacinas de mRNA (Pfizer, Moderna), atualizadas para as variantes em circulação, são as preferidas para gestantes. Estudos com milhões de mulheres vacinadas durante a gravidez mostram segurança para mãe e bebê. Gestantes não vacinadas têm risco aumentado de forma grave da COVID-19.

A tríplice viral (MMR) pode ser tomada depois do parto?

Sim — e é altamente recomendada. Mulheres sem esquema vacinal completo devem receber a tríplice viral no puerpério imediato (antes da alta hospitalar). A vacina é segura durante a amamentação.

Familiares do bebê também precisam se vacinar?

Sim — é a chamada "estratégia casulo". Pai, avós, babá e qualquer pessoa que terá contato frequente com o recém-nascido devem estar com dTpa em dia. Isso cria um círculo protetor de imunidade ao redor do bebê antes que ele possa se vacinar.

Posso tomar mais de uma vacina no mesmo dia na gravidez?

Sim. As vacinas recomendadas na gestação são inativadas e podem ser aplicadas no mesmo dia, em locais diferentes, sem prejuízo de segurança ou eficácia — por exemplo, dTpa e influenza na mesma consulta. O obstetra organiza o melhor cronograma conforme a idade gestacional.

Vacinação completa é proteção para você e seu bebê

Um calendário vacinal bem conduzido é parte fundamental do pré-natal. A Dra. Gabriella Dourado orienta cada gestante individualmente sobre as vacinas indicadas, o melhor momento para cada uma e como garantir a máxima proteção para o recém-nascido.

Agendar consulta com a Dra. Gabriella Dourado →

Conteúdo informativo. Este artigo não substitui a consulta médica. Para avaliação individualizada, procure um obstetra de sua confiança.

Referências: Ministério da Saúde do Brasil (PNI), FEBRASGO, American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), Centers for Disease Control and Prevention (CDC).