Obstetrícia

Eclâmpsia e Pré-Eclâmpsia: do diagnóstico ao manejo

📅 Atualizado em agosto de 2026 ⏱ Leitura: 9 minutos 👩‍⚕️ Revisado por especialista em obstetrícia de alto risco

A pré-eclâmpsia e a eclâmpsia fazem parte de um espectro de distúrbios hipertensivos da gestação e estão entre as principais causas de morte materna no mundo. No Brasil, os distúrbios hipertensivos da gestação figuram como a principal causa direta de mortalidade materna. Compreender seus critérios diagnósticos, sinais de gravidade e princípios de manejo é essencial para toda gestante e profissional de saúde — especialmente em gestações de alto risco.

📋 Definições Fundamentais

  • Pré-eclâmpsia: hipertensão (PA sistólica ≥140 ou diastólica ≥90 mmHg) após a 20ª semana + proteinúria (>300 mg/24h) ou sinais de lesão de órgão, mesmo sem proteinúria
  • Eclâmpsia: convulsões tônico-clônicas generalizadas no contexto da doença hipertensiva da gestação, sem outra causa neurológica — pode ser a primeira manifestação, sem pré-eclâmpsia previamente diagnosticada
  • Pré-eclâmpsia com características de gravidade: hipertensão grave (PAS ≥160 ou PAD ≥110 mmHg) ou manifestações graves de órgão (plaquetas baixas, disfunção renal ou hepática, edema pulmonar, sintomas neurológicos) — qualquer um deles isoladamente já caracteriza gravidade
  • Síndrome HELLP: Hemolysis, Elevated Liver enzymes, Low Platelets — variante grave
  • Resolução: o único tratamento definitivo é o parto

Diferenças entre Pré-eclâmpsia, Eclâmpsia e Síndrome HELLP

Condição Critério principal Laboratório Manejo
Pré-eclâmpsia PA ≥ 140/90 mmHg após 20ª semana + proteinúria ou critério de gravidade Proteinúria; plaquetas e creatinina podem ser normais Anti-hipertensivos; parto conforme IG e gravidade
Eclâmpsia Convulsões tônico-clônicas na doença hipertensiva da gestação, sem outra causa (pode ser a 1ª manifestação) Semelhante à pré-eclâmpsia com gravidade Sulfato de magnésio IV + anti-hipertensivo + parto após estabilização
Síndrome HELLP Hemólise + elevação de transaminases + plaquetopenia (<100.000/mm³) LDH elevado; TGO/TGP >2×; plaquetas baixas; bilirrubina elevada Corticoide (se <34 sem); parto após estabilização; transfusão se necessário

Fisiopatologia: o que causa a pré-eclâmpsia?

A pré-eclâmpsia resulta de uma placentação anormal. Na gestação normal, as células do trofoblasto invadem profundamente as artérias espirais maternas, transformando-as em vasos de baixa resistência com alto fluxo. Na pré-eclâmpsia, essa invasão é superficial — as artérias espirais permanecem de alta resistência, levando a:

  • Isquemia uteroplacentária → liberação de fatores antiangiogênicos (sFlt-1, endoglina solúvel)
  • Desequilíbrio entre fatores pró e antiangiogênicos → disfunção endotelial sistêmica
  • Vasoespasmo generalizado → hipertensão, proteinúria, edema
  • Ativação da coagulação → síndrome HELLP

Os marcadores angiogênicos (sFlt-1/PlGF ratio) têm grande valor preditivo e diagnóstico — especialmente no diagnóstico diferencial com hipertensão crônica.

Gestação com pressão alta ou risco de pré-eclâmpsia?

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Fatores de risco para pré-eclâmpsia

Fatores de risco clínicos (abordagem ACOG/USPSTF)

Esta lista por fatores clínicos (≥1 alto ou ≥2 moderados) é diferente do algoritmo combinado da Fetal Medicine Foundation, que soma características maternas, pressão arterial média, Doppler das artérias uterinas e biomarcadores (PlGF).

Alto risco (≥1 fator):

  • Pré-eclâmpsia em gestação anterior
  • Hipertensão crônica
  • Diabetes mellitus tipo 1 ou 2
  • Doença renal crônica
  • Doenças autoimunes (LES, SAAF)
  • Gestação múltipla

Risco moderado (combinação de ≥2):

  • Nuliparidade, IMC >30, idade >35 anos
  • Intervalo interpartal >10 anos
  • História familiar de pré-eclâmpsia (mãe ou irmã)

Prevenção com aspirina no 1º trimestre

A triagem combinada do 1º trimestre (PA média, doppler das artérias uterinas, PAPP-A, PlGF, características maternas) permite identificar gestantes com risco elevado. Para essas mulheres, a aspirina em baixa dose (100–150 mg/dia, à noite), iniciada antes de 16 semanas, reduz o risco de pré-eclâmpsia pré-termo em 62% (estudo ASPRE, que usou 150 mg à noite). É uma das intervenções preventivas mais importantes da obstetrícia moderna. A dose e o critério exato de indicação variam conforme o protocolo — o ACOG, por exemplo, tradicionalmente usa 81 mg com base nos fatores de risco clínicos.

  • Quem deve tomar: gestantes com ≥1 fator de alto risco ou ≥2 fatores de risco moderado (ver fatores acima).
  • Quando iniciar: idealmente entre 12 e 16 semanas — quanto mais cedo dentro dessa janela, maior o efeito protetor.
  • Até quando usar: mantida até cerca de 36 semanas, conforme orientação do obstetra.

Diagnóstico da pré-eclâmpsia

O diagnóstico requer dois critérios: hipertensão gestacional (PAS ≥140 ou PAD ≥90 mmHg) após a 20ª semana + qualquer dos seguintes. A confirmação da PA não grave é feita em 2 medidas com pelo menos 4h de intervalo; já a PA grave (≥160/110) não deve esperar 4 horas — confirma-se em poucos minutos e trata-se com urgência.

  • Proteinúria >300 mg em urina de 24h (ou proteinúria/creatinina ≥0,3)
  • Plaquetas <100.000/mm³
  • Creatinina >1,1 mg/dL (sem doença renal prévia)
  • TGO/TGP elevados (2x o limite superior da normalidade)
  • Edema pulmonar
  • Sintomas neurológicos de nova instalação (cefaleia intensa, distúrbio visual)

📊 Critérios diagnósticos — valores de referência

Critério Valor
Pressão arterial (diagnóstico)≥ 140/90 mmHg após 20 sem
Pressão arterial (gravidade)≥ 160/110 mmHg
Proteinúria≥ 300 mg/24h ou relação P/Cr ≥ 0,3
Plaquetas< 100.000/mm³
Creatinina> 1,1 mg/dL (sem doença renal prévia)
TGO / TGP (transaminases)> 2× o limite superior da normalidade

Critérios de gravidade — pré-eclâmpsia com características graves

  • PA sistólica ≥160 mmHg ou diastólica ≥110 mmHg (confirmada em curto intervalo, ~15 min)
  • Trombocitopenia (<100.000/mm³)
  • Insuficiência renal (creatinina >1,1 mg/dL ou 2x o basal)
  • Disfunção hepática (transaminases ~2x o limite superior ou dor persistente em hipocôndrio direito/epigástrio sem outra explicação)
  • Edema pulmonar
  • Cefaleia intensa de novo início, escotomas, fotofobia ou amaurose

A restrição de crescimento fetal não é, pelo ACOG, uma "característica materna de gravidade" da pré-eclâmpsia — é uma manifestação de disfunção placentária que altera a vigilância fetal e o momento do parto, e é conduzida por seus próprios critérios.

O papel do PlGF e da relação sFlt-1/PlGF

Além da pressão e dos exames clássicos, os marcadores angiogênicos hoje ajudam a confirmar ou afastar a pré-eclâmpsia — especialmente quando o diagnóstico é duvidoso (por exemplo, distinguir pré-eclâmpsia de hipertensão crônica ou de outras causas de proteinúria):

  • PlGF (fator de crescimento placentário): produzido por uma placenta saudável. Na pré-eclâmpsia, a placenta doente produz pouco PlGF — por isso ele fica baixo.
  • sFlt-1: fator antiangiogênico liberado pela placenta isquêmica — fica elevado na pré-eclâmpsia.
  • Relação sFlt-1/PlGF: combina os dois numa única medida. Em ensaios validados, um valor ≤ 38 tem altíssimo valor preditivo negativo (cerca de 99%) para afastar a pré-eclâmpsia na semana seguinte (estudo PROGNOSIS), evitando internações desnecessárias. Valores > 38 aumentam a probabilidade de a doença evoluir nas semanas seguintes, mas o valor preditivo positivo é modesto — não fecham o diagnóstico isoladamente.

Esses marcadores não substituem a avaliação clínica, mas agregam objetividade — uma ferramenta cada vez mais usada na medicina fetal para individualizar a conduta.

Eclâmpsia: reconhecimento e tratamento imediato

A eclâmpsia é o surgimento de convulsões tônico-clônicas generalizadas em gestante com pré-eclâmpsia (ou, raramente, sem diagnóstico prévio de hipertensão). É uma emergência obstétrica.

Sinais que podem preceder a eclâmpsia (nem sempre presentes)

  • Cefaleia intensa e progressiva
  • Distúrbios visuais (escotomas, amaurose, diplopia)
  • Dor epigástrica ou em hipocôndrio direito
  • Hiperreflexia com clônus
  • Agitação psicomotora

Manejo imediato da eclâmpsia

  1. Decúbito lateral esquerdo — proteger vias aéreas, prevenir aspiração
  2. Oxigênio suplementar (máscara 8–10 L/min)
  3. Sulfato de magnésio IV: dose de ataque 4–6 g em 15–20 min, seguida de 1–2 g/h de manutenção — anticonvulsivante de 1ª linha, que reduz significativamente a recorrência de crises e tem melhores desfechos que diazepam ou fenitoína. Se houver nova convulsão, faz-se uma dose adicional de 2 g EV
  4. Anti-hipertensivo de ação rápida se PAS ≥160 ou PAD ≥110 mmHg (persistente): hidralazina IV, labetalol IV ou nifedipino oral — idealmente iniciado em 30–60 minutos, para reduzir o risco de AVC materno
  5. Monitoramento contínuo: PA, SpO2, diurese (sonda vesical), reflexos tendíneos (toxicidade por Mg)
  6. Avaliação fetal (cardiotocografia, deceleração é comum durante convulsão — geralmente transitória)
  7. Resolução da gestação — após estabilização materna
⚠️ Toxicidade por Sulfato de Magnésio — monitorar rigorosamente: diurese >25 mL/h, reflexo patelar presente, frequência respiratória >12/min. Sinais de toxicidade: perda de reflexos → depressão respiratória → parada cardíaca. Antídoto: gluconato de cálcio 10%, 1 g por via intravenosa, administrado lentamente. A dosagem sérica de magnésio de rotina não é necessária com função renal normal — torna-se relevante se houver insuficiência renal ou suspeita de toxicidade.

Síndrome HELLP

Complicação grave da pré-eclâmpsia (5–10% dos casos), caracterizada por:

  • Hemolysis: hemólise microangiopática (esquizócitos no esfregaço, LDH elevado, bilirrubina indireta aumentada)
  • ELevated Liver enzymes: TGO/TGP >2x o normal
  • LP: Low Platelets — plaquetas <100.000/mm³

Pode surgir sem hipertensão ou proteinúria importantes (10–20% dos casos). Manejo: estabilização materna e parto. O corticoide, quando indicado, serve para a maturação pulmonar fetal se houver risco de parto antes de 34 semanas — não é tratamento da própria HELLP (a melhora transitória de plaquetas não traz benefício clínico comprovado).

🩸 Transfusão de plaquetas na HELLP — atenção aos limiares: não se transfunde plaquetas apenas porque estão abaixo de 100.000/mm³ (esse é o valor que define a HELLP). A transfusão é indicada quando há sangramento significativo ou para elevar a contagem a cerca de 50.000/mm³ antes de uma cesárea. São três coisas distintas: o valor que define a HELLP (<100 mil), o limiar de transfusão antes da cesárea (~50 mil) e a decisão sobre anestesia raqui/peridural (~70 mil, em contexto favorável).

Conduta obstétrica: quando antecipar o parto

O parto e a retirada da placenta são o tratamento definitivo da causa — mas as manifestações podem persistir ou até surgir após o parto, exigindo vigilância no puerpério. A decisão de antecipar depende da idade gestacional e da gravidade:

  • ≥37 semanas + qualquer pré-eclâmpsia: parto indicado
  • 34–37 semanas + pré-eclâmpsia com gravidade: parto após estabilização
  • <34 semanas + pré-eclâmpsia com gravidade, mas clinicamente estável e sem indicação imediata de parto: pode-se considerar manejo expectante em serviço de alta complexidade, com vigilância materna e fetal rigorosa, para ganhar tempo de maturação fetal (não apenas 24–48h);
  • Quando há indicação materna ou fetal de resolução (eclâmpsia, hipertensão grave não controlável, edema pulmonar, HELLP em deterioração, descolamento de placenta, comprometimento fetal): o parto não deve ser adiado só para completar o corticoide;
  • <34 semanas sem características de gravidade: manejo expectante com acompanhamento materno-fetal frequente; a internação depende do quadro e da possibilidade de acompanhamento seguro (não é obrigatória para todas);
  • Eclâmpsia ou HELLP: parto após estabilização, independentemente da IG

A via de parto (vaginal vs. cesariana) é definida pela idade gestacional, condições cervicais e bem-estar fetal — não pela doença hipertensiva em si.

Cuidados pós-parto

O risco não desaparece com o parto: a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia podem surgir pela primeira vez no puerpério, inclusive após a alta hospitalar, e a pressão frequentemente atinge seus maiores valores entre o 3º e o 7º dia. Pontos importantes:

  • Os anti-hipertensivos são mantidos e ajustados conforme a pressão — a duração é individualizada (não há um "mínimo de 6 semanas"). Os fármacos usados na gestação costumam ser revistos após o parto; a metildopa em geral é trocada nos primeiros dias do puerpério (risco de efeitos depressivos), preferindo-se opções compatíveis com a amamentação (como nifedipino, enalapril/captopril)
  • Na eclâmpsia, o sulfato de magnésio é geralmente mantido até 24 horas após o parto ou após a última convulsão (o que for mais recente), salvo individualização
  • Monitoramento de PA — inclusive após a alta, pelo pico do 3º–7º dia
  • Risco aumentado de doença cardiovascular, AVC e doença renal na vida futura — seguimento a longo prazo recomendado
  • Avaliar possível depressão pós-parto — mais frequente em gestações de alto risco
  • Risco médio de recorrência ~15%, mas substancialmente maior quando a doença anterior foi precoce, grave ou associada a outros fatores (podendo chegar a ~50%)

💬 Da prática clínica

A eclâmpsia é a complicação mais temida da pré-eclâmpsia, mas a maioria dos casos pode ser prevenida com pré-natal atento e controle da pressão. Dor de cabeça forte, alterações visuais e dor no estômago no fim da gravidez são sinais que nunca devem esperar. — Dra. Gabriella Dourado

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre pré-eclâmpsia e eclâmpsia?

A pré-eclâmpsia é uma síndrome da gestação caracterizada por pressão alta e lesão de órgãos, que surge após a 20ª semana. A eclâmpsia é a ocorrência de convulsões nesse contexto, sem outra causa neurológica — uma complicação grave. Importante: a eclâmpsia pode ser a primeira manifestação da doença, sem que a pré-eclâmpsia tenha sido diagnosticada antes. Nem toda pré-eclâmpsia evolui para eclâmpsia.

Como sei se minha pressão na gravidez é preocupante?

Qualquer pressão igual ou acima de 140/90 mmHg após a 20ª semana de gestação deve ser avaliada pelo obstetra. Pressão acima de 160/110 mmHg é uma emergência — procure pronto-socorro imediatamente. Cefaleia intensa, visão embaçada ou piscando e dor no estômago junto com pressão alta são sinais de gravidade.

Para que serve o sulfato de magnésio na eclâmpsia?

O sulfato de magnésio é o anticonvulsivante de escolha na eclâmpsia — ele interrompe e previne novas convulsões com eficácia superior a outros medicamentos. É dado em dose de ataque endovenosa seguida de manutenção. Não controla a pressão arterial diretamente, para isso usam-se outros medicamentos.

A aspirina na gravidez realmente previne pré-eclâmpsia?

Sim, em mulheres com risco elevado. Para quem tem fatores de risco, a aspirina em baixa dose (100–150 mg/dia, à noite), iniciada antes de 16 semanas, reduz o risco de pré-eclâmpsia pré-termo em até 62%. É uma das intervenções preventivas mais importantes da obstetrícia atual e deve ser prescrita pelo obstetra.

Tive pré-eclâmpsia — meu próximo parto também vai ter?

O risco médio de recorrência é de cerca de 15%, mas pode ser bem maior (até cerca de 50%) quando a doença anterior foi precoce, grave ou associada a outros fatores de risco. Em gestações futuras, o acompanhamento deve ser intensificado: rastreamento combinado do 1º trimestre, uso preventivo de aspirina e pré-natal com obstetra especializado em gravidez de alto risco. Ainda assim, muitas mulheres com história de pré-eclâmpsia têm gestações subsequentes sem complicações.

O que é a síndrome HELLP e é pior que pré-eclâmpsia?

A síndrome HELLP é uma complicação grave da pré-eclâmpsia, com destruição de glóbulos vermelhos, elevação de enzimas do fígado e queda de plaquetas. Ocorre em 5 a 10% dos casos de pré-eclâmpsia e exige resolução do parto após estabilização materna. É considerada uma das formas mais graves dos distúrbios hipertensivos gestacionais.

A pré-eclâmpsia pode aparecer só depois do parto?

Sim. A pré-eclâmpsia e a eclâmpsia podem surgir pela primeira vez no pós-parto, inclusive depois da alta — a pressão costuma atingir o pico entre o 3º e o 7º dia. Por isso o monitoramento continua no puerpério; os anti-hipertensivos são mantidos e ajustados conforme a pressão, por tempo individualizado (não há um mínimo fixo de 6 semanas). Qualquer pressão alta, cefaleia intensa ou sintomas visuais no pós-parto devem ser comunicados imediatamente ao médico.

Pré-natal de alto risco exige acompanhamento especializado

Se você tem fatores de risco para pré-eclâmpsia ou histórico em gestação anterior, a triagem do 1º trimestre e o acompanhamento por obstetra especializado podem salvar vidas. A Dra. Gabriella Dourado oferece pré-natal completo com rastreamento de pré-eclâmpsia em São Paulo.

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Conteúdo informativo. Este artigo não substitui a consulta médica. Para avaliação individualizada, procure um obstetra de sua confiança.

Referências: ACOG Practice Bulletin 222 (Gestational Hypertension and Preeclampsia, reafirmado); ISSHP — classificação e manejo (2021); FEBRASGO — síndromes hipertensivas da gestação; estudos ASPRE (NEJM, 2017), PROGNOSIS (sFlt-1/PlGF) e Magpie; Fetal Medicine Foundation (FMF).