Ginecologia

Adenomiose: sintomas, diagnóstico, tratamento e gravidez

📅 Atualizado em junho de 2026 ⏱ Leitura: 11 minutos 👩‍⚕️ Revisado por especialista em ginecologia

A adenomiose é uma das causas mais comuns — e mais subdiagnosticadas — de cólica intensa e menstruação muito abundante. Por muito tempo ela só era confirmada depois da retirada do útero, o que fez com que fosse pouco falada. Hoje, com o ultrassom e a ressonância, é possível diagnosticá-la sem cirurgia e tratá-la com bons resultados — sem que a mulher precise conviver, em silêncio, com dores e sangramentos que comprometem a vida.

Neste guia você vai entender o que é a adenomiose, por que ela é confundida com a endometriose e com o mioma, quais são os sintomas, como se faz o diagnóstico, todas as opções de tratamento e o que ela significa para quem deseja engravidar.

📌 Em resumo

  • O que é: tecido semelhante ao endométrio cresce dentro da parede muscular do útero
  • Sintomas principais: cólica forte, sangramento menstrual intenso e útero aumentado/dolorido
  • Diagnóstico: ultrassom transvaginal especializado e ressonância magnética
  • Tratamento: controle dos sintomas (DIU hormonal, hormônios, medicação) — cirurgia só em casos selecionados
  • Importante: é benigna, não vira câncer e costuma melhorar após a menopausa

O que é adenomiose

A adenomiose é uma condição benigna em que tecido semelhante ao endométrio (o revestimento interno do útero) cresce dentro da parede muscular do útero, o miométrio. Isso deixa o útero maior e dolorido e provoca cólicas intensas e sangramento menstrual aumentado. É dependente do estrogênio e tende a melhorar após a menopausa.

O útero tem três camadas: o endométrio (revestimento interno, que descama na menstruação), o miométrio (a parede muscular) e a serosa (camada externa). Na adenomiose, tecido semelhante ao endométrio invade o miométrio — ou seja, cresce para dentro do músculo do útero, onde não deveria estar.

Esse tecido "infiltrado" continua respondendo aos hormônios do ciclo: a cada menstruação, ele sangra dentro da parede muscular, provocando inflamação, dor e o aumento do útero, que fica mais globoso e amolecido. A adenomiose pode ser difusa (espalhada pela parede) ou, mais raramente, formar uma área concentrada chamada adenomioma, que pode lembrar um mioma na imagem.

Adenomiose e endometriose: qual a diferença?

Essa é a dúvida mais comum — e a confusão faz sentido, porque as duas têm a mesma origem (tecido endometrial fora do lugar) e sintomas parecidos. A diferença está no local:

  Adenomiose Endometriose
Onde cresce Dentro da parede do útero (miométrio) Fora do útero (ovários, peritônio, intestino)
Sintoma mais marcante Sangramento intenso + cólica forte Dor pélvica e cólica (sangramento nem sempre aumentado)
Útero Aumentado e amolecido Geralmente de tamanho normal
Idade mais típica Em torno dos 40–50 anos Mais comum dos 20 aos 40 anos
Diagnóstico por imagem Ultrassom transvaginal / ressonância Ultrassom / ressonância; lesões profundas às vezes só na laparoscopia
Fertilidade Pode dificultar Pode dificultar

As duas condições podem coexistir na mesma mulher, e isso é frequente. Por isso, ao investigar uma cólica intensa, o ginecologista costuma avaliar as duas possibilidades. Apesar das semelhanças, o tratamento e o impacto de cada uma têm particularidades.

Sintomas da adenomiose

Cerca de um terço das mulheres com adenomiose não tem sintomas e descobre por acaso, em um exame de rotina. Quando há sintomas, os mais típicos são:

  • Cólica menstrual intensa (dismenorreia): muitas vezes progressiva, piorando ao longo dos anos — veja também cólica menstrual
  • Sangramento menstrual aumentado (menorragia): fluxo abundante e/ou prolongado, com coágulos, podendo levar a anemia por deficiência de ferro
  • Dor pélvica crônica: que pode ocorrer fora do período menstrual
  • Dor durante a relação sexual (dispareunia)
  • Sensação de peso ou aumento do volume no baixo ventre, pelo útero aumentado

A intensidade dos sintomas não depende só do "tamanho" da adenomiose — algumas mulheres com doença extensa têm poucos sintomas, e vice-versa.

💬 Da prática clínica

Muitas pacientes chegam ao consultório depois de anos ouvindo que cólica forte "é normal". Não é. Quando a dor e o sangramento atrapalham a rotina, vale investigar — a adenomiose tem diagnóstico acessível e tratamento eficaz, e acompanhar a paciente recuperar a qualidade de vida é uma das partes mais gratificantes da consulta. — Dra. Gabriella Dourado

O que causa a adenomiose

A causa exata ainda não é totalmente conhecida, mas a teoria mais aceita é a de que a barreira entre o endométrio e o músculo do útero é rompida, permitindo que o tecido endometrial invada o miométrio. Alguns fatores estão associados a maior frequência:

  • Idade: é mais diagnosticada entre os 40 e 50 anos, embora também ocorra em mulheres mais jovens
  • Partos prévios (multiparidade)
  • Cirurgias uterinas anteriores, como cesárea e curetagem
  • Por depender do estrogênio, tende a regredir após a menopausa

Cólica forte e menstruação intensa não são "normais"

Se a dor ou o sangramento atrapalham sua rotina, vale investigar. A Dra. Gabriella Dourado é ginecologista em São Paulo e avalia adenomiose, endometriose e mioma com ultrassom especializado.

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Como é feito o diagnóstico

O caminho do diagnóstico combina a história clínica, o exame e a imagem:

  • Suspeita clínica: cólica intensa + sangramento aumentado; ao exame, o útero pode estar aumentado, amolecido e dolorido
  • Ultrassom transvaginal especializado: é o exame inicial. Sinais sugestivos incluem útero globoso, espessamento assimétrico das paredes, pequenos cistos no miométrio, estrias e alteração da "zona juncional" (a faixa entre o endométrio e o músculo)
  • Ressonância magnética: é o exame de maior precisão, especialmente útil quando o ultrassom é inconclusivo, quando há mioma associado ou para o planejamento de tratamento
  • Diagnóstico definitivo: só pela análise do útero após a histerectomia — mas, na prática, a imagem permite hoje um diagnóstico confiável sem necessidade de cirurgia

🔬 Como o ultrassom identifica a adenomiose

No ultrassom transvaginal especializado, alguns achados sugerem adenomiose (os chamados critérios MUSA):

  • Miométrio heterogêneo: o músculo do útero perde o aspecto uniforme
  • Estrias e sombras lineares partindo do endométrio em direção ao músculo
  • Cistos no miométrio: pequenas bolsas de líquido na parede do útero
  • Zona juncional espessada ou irregular: a faixa entre o endométrio e o músculo (também muito bem avaliada pela ressonância)
  • Útero globoso e assimétrico: aumentado, com uma parede mais espessa que a outra

Adenomiose tem cura?

A única cura definitiva da adenomiose é a retirada do útero (histerectomia) — uma opção reservada para casos graves em mulheres que não desejam mais engravidar. Para todas as demais, o foco não é "curar", e sim controlar muito bem os sintomas, o que é perfeitamente possível.

Há ainda uma boa notícia natural: como a adenomiose depende do estrogênio, os sintomas tendem a diminuir e desaparecer após a menopausa, quando os níveis hormonais caem. Por isso, em mulheres próximas dessa fase, muitas vezes o objetivo é controlar os sintomas até a transição acontecer.

Tratamento da adenomiose

O tratamento é individualizado conforme a intensidade dos sintomas, a idade e — fundamental — o desejo de engravidar. As principais opções:

Tratamento para controlar dor e sangramento

  • DIU hormonal (Mirena): uma das opções de primeira linha. Libera progestagênio dentro do útero, afina o endométrio e reduz de forma importante a cólica e o sangramento, com ótima resposta na maioria das mulheres
  • Anticoncepcionais e progestagênios: a pílula (em uso contínuo) e os progestagênios isolados ajudam a reduzir o fluxo e a dor
  • Anti-inflamatórios (AINEs): aliviam a cólica
  • Ácido tranexâmico: reduz o volume do sangramento durante a menstruação
  • Análogos de GnRH: "desligam" temporariamente o estrogênio; muito eficazes, usados em situações específicas e por tempo limitado

Procedimentos e cirurgia

  • Embolização das artérias uterinas: reduz o fluxo de sangue ao útero, podendo melhorar sintomas — alternativa minimamente invasiva em casos selecionados
  • Cirurgia conservadora (adenomiomectomia): remoção da área mais afetada, preservando o útero — possível em casos focais, com indicação criteriosa
  • Histerectomia (retirada do útero): a solução definitiva, reservada para casos graves, sem resposta ao tratamento clínico, em mulheres que não desejam mais filhos

💡 A boa notícia

A grande maioria das mulheres com adenomiose não precisa de cirurgia. Com o tratamento clínico adequado — em especial o DIU hormonal —, é possível controlar muito bem a dor e o sangramento e recuperar a qualidade de vida.

Adenomiose e gravidez: dá para engravidar?

Sim, é possível engravidar com adenomiose — muitas mulheres engravidam naturalmente. Ainda assim, a adenomiose pode estar associada a:

  • Maior dificuldade para engravidar (subfertilidade), por alterar o ambiente uterino e a implantação do embrião
  • Risco um pouco maior de algumas complicações na gestação, como abortamento e parto prematuro

Isso não significa infertilidade. Para quem deseja engravidar e tem dificuldade, há estratégias — desde o tratamento prévio para "esfriar" a doença até técnicas de reprodução assistida, quando indicadas. O planejamento com o ginecologista (e, se necessário, com o especialista em reprodução) faz diferença real no resultado.

Por que a adenomiose pode dificultar a gravidez

Quando há dificuldade para engravidar, ela costuma vir de alterações no ambiente uterino — e não dos óvulos:

  • Inflamação e alteração da zona juncional: a região entre o endométrio e o músculo fica espessada e com contrações uterinas anormais, o que pode dificultar o transporte dos espermatozoides e a fixação do embrião.
  • Implantação prejudicada: o endométrio inflamado pode ficar menos receptivo, reduzindo as chances de o embrião se implantar.
  • Maior risco de abortamento, inclusive de repetição, e de algumas complicações na gestação.

Adenomiose, FIV e reserva ovariana

Em tratamentos de reprodução assistida (FIV), a adenomiose pode estar associada a menores taxas de implantação e gravidez e a maior risco de aborto. Em casos selecionados, o especialista pode indicar um preparo prévio — por exemplo, com análogos de GnRH antes da transferência do embrião — para melhorar o ambiente uterino.

Um ponto que tranquiliza: a adenomiose em si não reduz a reserva ovariana (a quantidade de óvulos), diferentemente dos endometriomas — os cistos de endometriose no ovário. O que mais pesa é a idade e eventuais cirurgias prévias. Por isso, quando há desejo de engravidar, planejar com tempo conta a favor.

Adenomiose é grave? Pode virar câncer?

A adenomiose é uma doença benigna e não se transforma em câncer. Em si, não é uma condição grave — mas pode comprometer bastante a qualidade de vida pela dor e pelo sangramento, que às vezes leva à anemia. Por isso, "benigna" não quer dizer que deva ser ignorada: tratar os sintomas é importante para o bem-estar.

Um ponto de atenção: como o sangramento aumentado também pode ter outras causas (incluindo algumas que exigem investigação), todo sangramento anormal — especialmente fora do padrão habitual ou após a menopausa — deve ser avaliado pelo ginecologista.

Adenomiose ou mioma: como diferenciar

As duas são condições benignas do útero, causam sintomas parecidos (sangramento e cólica) e podem aparecer juntas — mas são diferentes:

  • Mioma: é um nódulo bem delimitado de tecido muscular, que pode ser pequeno ou volumoso, único ou múltiplo. Na imagem, tem contornos definidos.
  • Adenomiose: é uma infiltração difusa do tecido endometrial pela parede do útero, sem formar um nódulo claro. O útero fica globalmente aumentado e "amolecido".

A distinção é feita pela imagem (ultrassom e ressonância). Quando coexistem, o tratamento leva em conta as duas. Curiosamente, o DIU hormonal ajuda a controlar o sangramento nas duas situações.

Cólica que piora a cada ano e menstruação que "inunda" não são apenas parte de ser mulher — podem ser sinais de adenomiose. O diagnóstico é acessível e o tratamento, eficaz. Procurar ajuda é o primeiro passo para viver sem essa dor.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre adenomiose e endometriose?

Nas duas doenças, tecido semelhante ao endométrio (o revestimento interno do útero) cresce onde não deveria. A diferença é o local: na adenomiose, esse tecido invade a parede muscular do próprio útero (o miométrio), deixando o útero aumentado e dolorido; na endometriose, ele cresce fora do útero — em ovários, trompas, intestino e peritônio. As duas podem coexistir na mesma mulher e compartilham sintomas como cólica intensa, mas são condições distintas.

Adenomiose tem cura?

A única cura definitiva da adenomiose é a retirada do útero (histerectomia), reservada para casos graves em mulheres que não desejam mais engravidar. Nas demais situações, o objetivo é controlar os sintomas — e isso é possível com bons resultados por meio de tratamentos hormonais, do DIU hormonal e de medicamentos para dor e sangramento. Além disso, a adenomiose é dependente de estrogênio, por isso tende a melhorar naturalmente após a menopausa.

Adenomiose é grave? Pode virar câncer?

A adenomiose é uma doença benigna e não se transforma em câncer. Ela não é, por si só, grave, mas pode comprometer bastante a qualidade de vida pela cólica intensa e pelo sangramento abundante, que às vezes causa anemia. Como o sangramento aumentado também pode ter outras causas, qualquer sangramento anormal deve sempre ser avaliado pelo ginecologista.

Quem tem adenomiose pode engravidar?

Sim, muitas mulheres com adenomiose engravidam. A adenomiose pode estar associada a maior dificuldade para engravidar e a um risco um pouco maior de complicações na gestação (como abortamento e parto prematuro), mas isso não significa infertilidade. Com acompanhamento adequado e, quando necessário, tratamento prévio, a gravidez é plenamente possível. Converse com seu ginecologista sobre o melhor momento e a melhor estratégia.

Qual o melhor tratamento para adenomiose?

Não existe um tratamento único: a escolha depende dos sintomas, da idade e do desejo de engravidar. O DIU hormonal (Mirena) é uma das opções de primeira linha para controlar a cólica e o sangramento, com ótimos resultados. Outras opções incluem anticoncepcionais e progestagênios, anti-inflamatórios e ácido tranexâmico para o sangramento, e, em casos selecionados, a embolização das artérias uterinas ou a cirurgia. A histerectomia é reservada para casos graves em quem não deseja mais filhos.

Adenomiose sempre precisa de cirurgia?

Não. A maioria das mulheres com adenomiose é tratada sem cirurgia, com controle dos sintomas por meio de medicamentos e do DIU hormonal. A cirurgia — em especial a histerectomia (retirada do útero) — fica reservada para casos graves, sem resposta ao tratamento clínico, em mulheres que não desejam mais engravidar.

Como é feito o diagnóstico da adenomiose?

A suspeita vem dos sintomas (cólica intensa e sangramento aumentado) e do exame, que pode revelar um útero aumentado e dolorido. A confirmação é feita por imagem: o ultrassom transvaginal especializado mostra sinais como útero globoso, espessamento assimétrico da parede e pequenos cistos no miométrio; a ressonância magnética é o exame de maior precisão. O diagnóstico definitivo só é possível pela análise do útero após a histerectomia, mas hoje a imagem permite diagnosticar com boa confiança sem cirurgia.

Adenomiose e mioma são a mesma coisa?

Não. O mioma é um nódulo benigno bem delimitado de tecido muscular do útero; a adenomiose é uma invasão difusa de tecido endometrial pela parede uterina, sem formar um nódulo definido. As duas são benignas, causam sintomas parecidos (sangramento e cólica) e podem coexistir no mesmo útero, mas têm aparência, comportamento e tratamento diferentes.

Sofre com cólica intensa ou sangramento abundante?

A Dra. Gabriella Dourado é ginecologista e obstetra em São Paulo (Paraíso e Higienópolis). Ela investiga adenomiose, endometriose e mioma e define, com você, o tratamento que devolve sua qualidade de vida.

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Conteúdo informativo. Este artigo não substitui a consulta médica. Para avaliação individualizada, procure um ginecologista.

Referências: FEBRASGO, American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), European Society of Human Reproduction and Embryology (ESHRE), critérios MUSA (Morphological Uterus Sonographic Assessment) para ultrassonografia.