Ultrassonografia

Grau da placenta (maturidade placentária): o que significam os graus 0, 1, 2 e 3?

📅 Atualizado em agosto de 2026 ⏱ Leitura: 10 minutos 👩‍⚕️ Revisado por especialista em Medicina Fetal e Ultrassonografia

Os graus de 0 a 3 da placenta (a classificação de Grannum) descrevem alterações de maturação observadas no ultrassom — e não funcionam como uma "nota" da saúde da placenta. O grau III no final da gestação pode ser um achado normal e, isoladamente, não indica cesárea, necessidade de antecipar o parto nem insuficiência placentária. Quando aparece precocemente, deve ser interpretado junto com o crescimento do bebê, o líquido amniótico, o Doppler e as condições da mãe.

Resposta rápida: o grau da placenta vai de 0 a 3 e reflete a maturação natural dela ao longo da gravidez. Grau III no fim da gestação costuma ser normal e, sozinho, não indica cesárea nem antecipação do parto. O grau III precoce (antes de ~37 semanas) foi associado, em estudos, a condições como restrição de crescimento e pré-eclâmpsia — mas não é diagnóstico por si só; o que decide é o conjunto (crescimento, Doppler, líquido amniótico).

Dúvida Resposta direta
Placenta grau 3 é perigoso?Geralmente não, sobretudo no fim da gestação
Grau 2 no 3º trimestre é normal?Sim, é frequentemente observado no 3º trimestre
"Envelhecimento" da placenta é ruim?É maturação; o contexto é o que importa
Grau III precoce (antes de ~37 sem)?Olhar o conjunto — não é diagnóstico isolado
Muda a via de parto?Não — sozinho não indica cesárea
O que realmente importa?Crescimento, Doppler e líquido — não o grau

📌 Em resumo

  • O que é: grau de maturação/calcificação da placenta (0 a 3) visto no ultrassom
  • Grau III no fim da gestação: geralmente normal
  • Não é uma "nota" de saúde: o grau sozinho não é diagnóstico
  • "Envelhecimento/calcificação": sinais de maturação da placenta
  • O que importa: crescimento do bebê, Doppler e líquido amniótico
  • Grau III precoce: olhar o conjunto, sem pânico

O que é a maturidade placentária

A maturidade placentária é uma forma de descrever o quanto a placenta amadureceu ao longo da gravidez, avaliada pela sua aparência no ultrassom. Assim como o resto do corpo, a placenta muda com o tempo: no começo é lisa e homogênea; com o passar das semanas, vão surgindo ondulações e pequenas calcificações (depósitos de cálcio).

Essa evolução é organizada em graus (de 0 a 3) pela chamada classificação de Grannum. É importante entender desde já: o grau não é uma nota de "saúde" da placenta — é apenas uma descrição do estágio de maturação. Uma placenta madura perto do fim da gravidez é o esperado, não um defeito.

Os graus da placenta (0, 1, 2 e 3)

Cada grau corresponde a uma aparência e a uma época em que costuma ser observado:

Grau Aparência Momento em que é mais comum
Grau 0Placenta lisa e homogênea, placa coriônica lisa, sem calcificaçõesMais comum no início da gestação
Grau IDiscretas ondulações e pequenos focos ecogênicos (calcificações)Mais frequente do 2º ao início do 3º trimestre
Grau IIIndentações mais marcadas e calcificações na baseComum no 3º trimestre
Grau IIIIndentações atingindo a placa basal, delimitando os cotilédones, com calcificações mais evidentesMais comum no final do 3º trimestre

Não existe uma semana obrigatória para cada grau. Essas correspondências são apenas aproximadas, com ampla sobreposição: há placentas que permanecem grau I ou II até o parto em gestações totalmente normais, e nem toda placenta normal chega ao grau III antes do nascimento. A aparência também varia entre examinadores — a classificação de Grannum tem baixa concordância mesmo entre especialistas, o que a torna uma descrição, não um diagnóstico.

Placenta grau 3 é perigoso?

Essa é a maior dúvida — e a resposta tranquiliza: na maioria das vezes, não. A placenta grau 3 pode fazer parte da maturação normal no fim da gestação (embora nem toda gestação normal chegue ao grau 3). Por si só, ela não indica que a placenta parou de funcionar, nem que o bebê está em risco, nem é indicação isolada de indução ou de cesárea.

A ideia de que "placenta grau 3 = placenta ruim" é um mal-entendido comum. O que define se a placenta está cumprindo seu papel não é o grau, e sim se o bebê continua crescendo bem, com líquido amniótico adequado e Doppler normal. Quando o crescimento, o líquido e a avaliação Doppler estão adequados, não há evidência, apenas pelo grau III, de insuficiência placentária — a placenta está apenas madura.

Placenta calcificada ou "envelhecida": o que significa?

"Placenta envelhecida" é uma expressão popular frequentemente usada quando o ultrassom mostra sinais de maturação placentária, especialmente calcificações. Essas alterações podem fazer parte da evolução normal da placenta ao longo da gestação. O nome assusta, mas descreve um processo fisiológico — toda placenta amadurece.

Ter uma placenta mais madura ou calcificada perto do fim da gravidez não significa que ela "morreu" ou parou de nutrir o bebê. As calcificações são depósitos de cálcio que fazem parte da maturação; a termo e isoladamente, não demonstram falência placentária. (Quando muito acentuadas e precoces, porém, podem acompanhar algumas condições ligadas à disfunção da placenta — por isso devem ser lidas no contexto, não isoladamente.) O que realmente diz se a placenta está funcionando é a avaliação do bem-estar do bebê — e não a aparência calcificada no ultrassom.

Placenta grau 3 antes de 37 semanas: quando merece atenção?

Existe uma situação que pede um olhar mais atento: uma placenta grau 3 precoce, ou seja, antes de cerca de 37 semanas — às vezes chamada de "calcificação/maturação placentária precoce".

Aqui vale a calibragem honesta: estudos observacionais, incluindo uma revisão sistemática com meta-análise de 2025 (que definiu grau III precoce como o achado entre 28 e 37 semanas), encontraram associação entre a placenta grau III precoce e condições como restrição de crescimento fetal, fetos pequenos para a idade gestacional e pré-eclâmpsia. Isso não significa que o grau III cause essas complicações, nem que, isoladamente, indique insuficiência placentária ou necessidade de antecipar o parto.

É preciso, porém, ler essa evidência com cuidado: os estudos são observacionais, com heterogeneidade importante entre eles, e a associação não se manteve para todos os desfechos (por exemplo, não houve ligação consistente com óbito fetal/neonatal nem com necessidade de cesárea). Ou seja, o grau III precoce pode ser um possível marcador de maior risco de disfunção placentária — mas ainda não é um critério diagnóstico, e não existe um protocolo de vigilância fetal ou de antecipação do parto baseado apenas no grau da placenta.

Na prática, o grau III precoce funciona como um sinal para olhar o conjunto. Pode ser razoável revisar o crescimento do bebê, a pressão arterial materna, o líquido amniótico e, conforme o contexto clínico, o Doppler. A necessidade e a frequência de novos exames dependem dos demais achados e dos fatores de risco — e não do grau isoladamente. O grau III precoce, sozinho, não determina a via nem o momento do parto.

O que realmente importa (além do grau)

Se há uma mensagem para levar deste artigo, é esta: o grau da placenta, isolado, importa pouco. Não existe um exame de ultrassom que meça diretamente a "função" da placenta; o que se faz é inferir, pelo conjunto, se há repercussão no bebê ou evidência de disfunção placentária. O que ajuda nessa avaliação inclui:

  • O crescimento do bebê (a biometria fetal e o peso estimado; quando há exames seriados, a trajetória de crescimento ao longo das semanas) — reflete a repercussão ao longo do tempo;
  • O líquido amniótico (avaliado pelo maior bolsão vertical ou pelo índice de líquido amniótico);
  • O Doppler da circulação entre a mãe, a placenta e o bebê, quando indicado (por exemplo, a artéria umbilical — que leva o sangue do bebê à placenta e reflete a resistência da circulação placentária);
  • Nos casos indicados, a cardiotocografia e o perfil biofísico, que avaliam o bem-estar fetal (e não a função da placenta em si);
  • E, do seu lado, os movimentos do bebê e o pré-natal em dia.

Para responder à pergunta que a paciente realmente tem — "vi isso no meu laudo, e agora?" — esta tabela ajuda:

Achado no laudo O que pode significar O que NÃO significa sozinho O que costuma ser avaliado
Grau II no 3º trimestreMaturação placentária normalPlacenta insuficienteContexto obstétrico
Grau III no fim da gestaçãoPode fazer parte da maturação normalBebê em sofrimento ou necessidade de cesáreaCrescimento, líquido e Doppler quando indicados
Grau III antes de 37 semanasMaturação/calcificação precoceDiagnóstico automático de insuficiência placentáriaIG, crescimento, pressão, líquido, Doppler e fatores de risco

É esse conjunto que responde à pergunta que realmente importa — "meu bebê está bem?" —, e não o número do grau no laudo.

Seu laudo mostrou placenta grau 3 e você ficou insegura?

Na maioria das vezes, esse achado é normal. A Dra. Gabriella Dourado é obstetra e especialista em medicina fetal em São Paulo — pode revisar o laudo, avaliar o conjunto da gestação e explicar o que significa no seu caso.

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O grau da placenta é, provavelmente, um dos achados de ultrassom que mais assusta sem necessidade. Grau III no fim da gravidez é como cabelo branco na maturidade: sinal de tempo, não de doença. O que cuida do bebê é o conjunto — crescimento, líquido e Doppler.

💬 Da prática clínica

Recebo muitas gestantes apavoradas com "placenta grau 3" ou "placenta calcificada" no laudo, achando que o bebê está em risco. Explico que isso é maturação, esperada perto do fim da gravidez, e que o grau sozinho não define nada. O que eu olho é o crescimento do bebê, o líquido, o Doppler e os movimentos. Quando o grau aparece cedo demais, aí sim abro o olho para o conjunto — e, mesmo assim, na maioria das vezes está tudo bem. — Dra. Gabriella Dourado

Perguntas Frequentes

Placenta grau 3 é perigoso?

Na maioria das vezes, não — principalmente no final da gestação, quando a placenta grau 3 pode ser um achado normal da maturação. Ela não é, por si só, sinal de problema nem indica que a placenta parou de funcionar. O que pode merecer mais atenção é uma placenta grau 3 precoce (antes de cerca de 37 semanas), e mesmo assim o que decide é o conjunto: crescimento do bebê, Doppler, líquido amniótico e o quadro clínico da mãe, não o grau isolado.

Placenta grau 2 com quantas semanas é normal?

A placenta grau 2 costuma ser observada por volta de 30 a 38 semanas, o que é normal nessa fase. Os graus acompanham, de forma aproximada, a maturação da placenta: grau 0 no início da gravidez, grau 1 por volta de 18 a 29 semanas, grau 2 entre cerca de 30 e 38 semanas e grau 3 mais para o final. Essas faixas se sobrepõem bastante, então ver grau 2 no terceiro trimestre é esperado e não indica problema por si só.

Placenta grau 1 ou 2 com 39 a 40 semanas é problema?

Não necessariamente. A classificação de Grannum tem grande variabilidade, e nem toda placenta normal chega ao grau III antes do parto — muitas permanecem grau I ou II até o fim da gestação sem que isso indique qualquer problema. O grau, isoladamente, não determina a maturidade do bebê nem a função da placenta; o que importa é o crescimento do bebê, o líquido amniótico, o Doppler e o quadro clínico.

O que é envelhecimento da placenta?

Envelhecimento da placenta é uma expressão popular usada quando o ultrassom mostra sinais de maturação placentária, especialmente calcificações. Essas alterações podem fazer parte da evolução normal da placenta ao longo da gestação. O termo assusta, mas ter uma placenta mais madura perto do fim da gravidez não significa que ela parou de funcionar. A possível disfunção da placenta é avaliada de forma indireta, pelo conjunto (crescimento do bebê, líquido amniótico e Doppler), e não pela aparência calcificada isolada.

Placenta calcificada é perigoso para o bebê?

A calcificação da placenta faz parte da maturação normal e, na maioria dos casos, não prejudica o bebê — especialmente quando aparece perto do fim da gravidez. Calcificações são depósitos de cálcio que se acumulam à medida que a placenta amadurece. O que importa não é a aparência calcificada em si, e sim se a placenta continua nutrindo bem o bebê, o que se avalia pelo crescimento fetal, pelo líquido amniótico e pelo Doppler. Calcificação isolada, sem outras alterações, geralmente não é motivo de preocupação.

Placenta grau 3 antes das 37 semanas é problema?

Não é automaticamente um problema, mas é a situação que merece um olhar mais atento. Estudos observacionais, incluindo uma meta-análise de 2025, encontraram associação entre placenta grau III precoce (antes de cerca de 37 semanas) e condições como restrição de crescimento fetal e pré-eclâmpsia. Isso não significa que o grau III cause essas complicações nem que, sozinho, indique insuficiência placentária ou necessidade de antecipar o parto. O achado é interpretado junto com a idade gestacional, o crescimento do bebê, o líquido amniótico, o Doppler e as condições da mãe.

O grau da placenta indica que o bebê vai nascer logo?

Não de forma confiável. Embora a placenta grau 3 seja mais típica do fim da gravidez, o grau não prevê a data do parto nem indica que o trabalho de parto está próximo. Muitas gestantes ficam com placenta grau 3 por semanas antes de entrar em trabalho de parto. O grau reflete a maturação da placenta, não um cronômetro para o nascimento.

Placenta grau 3 significa que preciso de cesárea?

Não. O grau da placenta, sozinho, não é indicação de cesárea nem muda a via de parto. A decisão sobre o parto depende da avaliação global — bem-estar do bebê, crescimento, posição e o quadro da mãe — e não da aparência de maturação da placenta no ultrassom. Placenta grau 3 no final da gravidez é um achado comum, e a maioria dessas gestações segue para parto normal quando não há outra indicação.

Placenta grau 3 significa que o pulmão do bebê está maduro?

Não. Embora estudos antigos tenham investigado uma relação entre a maturação da placenta e a maturidade dos pulmões do bebê, o grau da placenta não é considerado, hoje, um teste confiável para saber se os pulmões estão maduros. A maturidade pulmonar fetal depende principalmente da idade gestacional, e o grau III da placenta não deve ser usado para essa finalidade nem para decidir o momento do parto.

O grau da placenta pode diminuir de um ultrassom para outro?

O processo biológico de maturação da placenta não regride, mas o grau descrito no laudo pode variar de um exame para outro. Isso acontece porque a classificação de Grannum depende da aparência no ultrassom e tem baixa concordância entre examinadores. Por isso, um exame pode descrever grau II e outro, depois, grau I, sem que a placenta tenha rejuvenescido nem que exista algum problema — é apenas a variabilidade da avaliação.

Dá para reverter o grau ou rejuvenescer a placenta?

Não. A maturação da placenta é um processo biológico natural e progressivo — não existe tratamento, chá ou alimento que rejuvenesça a placenta, e isso nem é necessário, porque o grau em si não é uma doença. Vale saber que o grau descrito no laudo pode variar entre exames por diferença de avaliação entre examinadores, mas isso não significa que a placenta voltou atrás. O foco do acompanhamento não é o grau, e sim se o bebê está bem, avaliado pelo pré-natal, pelo Doppler e pelo crescimento fetal.

O que fazer se o laudo mostrar grau avançado cedo?

O primeiro passo é não entrar em pânico e levar o laudo ao obstetra. Um grau avançado antes do esperado não é um diagnóstico por si só — é um dado que o médico interpreta dentro do conjunto. Ele vai avaliar o crescimento do bebê, o líquido amniótico, o Doppler e o seu quadro clínico, como a pressão. Se tudo estiver bem, muitas vezes é só acompanhar; se houver outros sinais, ele orienta a conduta. O grau isolado quase nunca muda algo sozinho.

Um pré-natal que lê o laudo com você

A Dra. Gabriella Dourado é obstetra e especialista em medicina fetal em São Paulo (Paraíso e Higienópolis). Interpreta cada achado do ultrassom no conjunto da sua gestação — com precisão e tranquilidade.

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📚 Referências médicas

  • Grannum PA, Berkowitz RL, Hobbins JC. The ultrasonic changes in the maturing placenta and their relation to fetal pulmonic maturity. Am J Obstet Gynecol. 1979;133(8):915–922.
  • Siargkas A, et al. The Association of Placental Grading with Perinatal Outcomes: A Systematic Review and Meta-Analysis. Diagnostics. 2025;15(10):1264. doi:10.3390/diagnostics15101264.
  • Moran M, et al. Poor agreement between operators on grading of the placenta. J Obstet Gynaecol. 2011;31(1):24–28. doi:10.3109/01443615.2010.522266.
  • Khalil A, et al. ISUOG Practice Guidelines: performance of third-trimester obstetric ultrasound scan. Ultrasound Obstet Gynecol. 2024;63(1):131–147. doi:10.1002/uog.27538.
  • Lees CC, et al. ISUOG Practice Guidelines: diagnosis and management of small-for-gestational-age fetus and fetal growth restriction. Ultrasound Obstet Gynecol. 2020;56(2):298–312. doi:10.1002/uog.22134.

Como este conteúdo foi elaborado: escrito e revisado pela Dra. Gabriella Dourado (CRM 219920-SP), com base em diretrizes médicas e na experiência de acompanhamento pré-natal e de medicina fetal. Última revisão clínica: agosto de 2026. Material informativo — não substitui a avaliação médica individual.

Conteúdo informativo. Este artigo não substitui a consulta médica. Para interpretar o grau da placenta no seu laudo, converse com seu obstetra.

Referências: a classificação de graus placentários descrita aqui é a de Grannum, proposta em 1979 a partir do aspecto ultrassonográfico da placenta. O ponto central do artigo — de que o grau placentário isoladamente não indica antecipação do parto nem define sofrimento fetal, e que o que orienta a conduta é o conjunto (crescimento fetal, líquido amniótico, Doppler e quadro materno) — segue as orientações de ISUOG e FEBRASGO sobre avaliação do bem-estar fetal e sobre os componentes do ultrassom obstétrico do terceiro trimestre; ACOG, para as indicações de resolução da gestação.