Obstetrícia

Placenta acreta: o que é, graus, riscos e como é o parto

📅 Atualizado em junho de 2026 ⏱ Leitura: 10 minutos 👩‍⚕️ Revisado por especialista em obstetrícia

A placenta acreta é uma das condições que mais exige planejamento na obstetrícia moderna — e tem se tornado mais frequente justamente pelo aumento das cesáreas. A boa notícia é que, quando é diagnosticada antes do parto e conduzida por uma equipe preparada, o que seria uma emergência grave vira um procedimento programado e muito mais seguro.

Este guia explica o que é a placenta acreta, a diferença entre acreta, increta e percreta, por que ela acontece, os riscos, como é feito o diagnóstico e como é planejado o parto.

Resposta rápida: placenta acreta é quando a placenta se prende fundo demais à parede do útero e não se solta no parto, podendo causar sangramento intenso. O maior risco é em quem teve cesárea e tem placenta prévia. Diagnosticada no pré-natal, o parto é uma cesárea planejada, em centro preparado — o que reduz muito o risco.

📌 Em resumo

  • O que é: a placenta se adere com profundidade anormal ao útero e não se descola no parto
  • Graus: acreta, increta e percreta (da mais superficial à mais profunda)
  • Maior risco: placenta prévia + cesárea anterior
  • Perigo principal: hemorragia grave no parto
  • Conduta: cesárea planejada, antecipada, em centro preparado — muitas vezes com histerectomia

Respostas rápidas para as dúvidas mais comuns:

Dúvida Resposta rápida
O que é?Placenta presa fundo demais ao útero
Por que acontece?Cicatriz de cesárea + placenta prévia
É grave?Sim — risco de hemorragia; cai muito com diagnóstico precoce
Tem sintomas?Em geral não — achado no ultrassom
Como é o parto?Cesárea planejada, antecipada, centro preparado
Perde o útero?Muitas vezes sim (histerectomia); às vezes preserva

O que é a placenta acreta

Placenta acreta é quando a placenta se adere com profundidade anormal à parede do útero, em vez de se descolar facilmente após o nascimento do bebê. Normalmente, depois do parto, a placenta se solta sozinha; no acretismo, ela fica "grudada" ao músculo do útero — e tentar removê-la provoca sangramento.

Os médicos costumam falar em espectro do acretismo placentário (sigla em inglês PAS), justamente porque existem graus diferentes de profundidade. A condição acontece, em geral, sobre uma cicatriz no útero (como a de uma cesárea), onde o revestimento interno está alterado e permite que a placenta se fixe mais fundo do que deveria.

Acreta, increta e percreta: os graus

O acretismo é classificado pela profundidade com que a placenta invade a parede do útero:

Grau Até onde vai a placenta
AcretaAdere ao músculo do útero (miométrio), sem invadi-lo
IncretaInvade para dentro do músculo do útero
PercretaAtravessa toda a parede e pode atingir órgãos vizinhos (ex.: bexiga)

A percreta é a forma mais grave e complexa. Quanto mais profunda a invasão, maior o risco de sangramento e mais cuidadoso precisa ser o planejamento do parto. O termo "placenta acreta" é usado tanto para o grau mais superficial quanto, de forma genérica, para todo o espectro.

Causas e fatores de risco

O acretismo está quase sempre ligado a uma cicatriz prévia no útero, que altera o local de implantação da placenta. Os principais fatores de risco são:

  • Cesárea anterior — o fator mais importante, e o risco aumenta a cada cesárea;
  • Placenta prévia — especialmente quando combinada com cesárea anterior (a associação de maior risco);
  • Outras cirurgias no útero: miomectomia (retirada de mioma), curetagem, cirurgias de histeroscopia;
  • Idade materna mais avançada e maior número de gestações;
  • Gravidez por fertilização in vitro.

A combinação que mais preocupa é placenta prévia em uma mulher que já fez cesárea — nesses casos, o rastreio do acretismo no ultrassom é especialmente importante.

Placenta acreta ou placenta prévia: qual a diferença?

É uma confusão muito comum — e elas são coisas diferentes, embora muito relacionadas:

  • Placenta prévia é um problema de posição: a placenta está implantada baixa, cobrindo total ou parcialmente o colo do útero (a "saída"). O sintoma típico é o sangramento.
  • Placenta acreta é um problema de profundidade de aderência: a placenta — esteja onde estiver — gruda fundo demais na parede do útero e não se solta no parto.

A ligação entre as duas é justamente o que torna o tema importante: uma placenta prévia sobre a cicatriz de uma cesárea anterior é a situação de maior risco para o acretismo. Ou seja, as duas condições podem coexistir — e é por isso que, diante de uma placenta prévia em quem já fez cesárea, o obstetra investiga ativamente o acretismo.

Por que é grave

O grande risco da placenta acreta é a hemorragia. Como a placenta não se solta, a tentativa de removê-la (ou o próprio descolamento) abre vasos que sangram muito e rápido. O acretismo é hoje uma das principais causas de hemorragia grave no parto e de histerectomia (retirada do útero) periparto, podendo exigir transfusão de sangue.

É por isso que o ponto central de todo o cuidado é antecipar: quando o diagnóstico é feito no pré-natal e o parto é planejado em um centro preparado, o risco para a mãe cai muito em comparação a uma descoberta inesperada na sala de parto.

Tem fatores de risco ou suspeita no ultrassom?

A Dra. Gabriella Dourado é obstetra em São Paulo, com experiência em gestação de alto risco, e conduz o pré-natal com a atenção e o planejamento que o acretismo placentário exige.

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Tem sintomas?

Na maioria das vezes, a placenta acreta não dá sintomas durante a gravidez — é um achado do ultrassom. Quando há placenta prévia associada, pode ocorrer sangramento na gestação. Justamente por ser silenciosa, o diagnóstico depende do rastreio por imagem, sobretudo em quem tem fatores de risco — e não de "esperar um sintoma aparecer".

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é feito por imagem, idealmente ainda na gravidez:

  • Ultrassom (com Doppler): é o principal exame; procura sinais de que a placenta está invadindo a parede do útero, especialmente em quem tem placenta prévia e cesárea anterior;
  • Ressonância magnética: usada em casos selecionados, ajuda a avaliar a profundidade e a extensão da invasão (por exemplo, se atinge a bexiga) e a planejar a cirurgia.

Por isso, gestantes com fatores de risco merecem um ultrassom atento ao local e à fixação da placenta — o diagnóstico antecipado é o que permite organizar tudo com calma.

Um ponto importante: um ultrassom sem sinais de acretismo não exclui completamente o problema em quem tem alto risco (placenta prévia sobre cicatriz de cesárea). Nesses casos, a história obstétrica e a localização da placenta pesam tanto quanto a imagem, e a vigilância continua mesmo com exames aparentemente tranquilizadores. A ausência de achados reduz a suspeita, mas não a elimina quando os fatores de risco estão presentes.

Como é o parto

O parto na placenta acreta é sempre planejado e bem diferente de um parto comum:

  • Cesárea programada e antecipada: muitas vezes entre 34 e 36 semanas, antes do início do trabalho de parto, para evitar uma hemorragia de emergência;
  • Em centro preparado: com equipe multidisciplinar (obstetra, anestesista, por vezes urologista e cirurgião), banco de sangue e UTI disponíveis;
  • Em geral não se tenta retirar a placenta: como isso causa sangramento intenso, muitas vezes a conduta é deixar a placenta no lugar e retirar o útero (histerectomia) na mesma cirurgia;
  • Tudo definido antes: a estratégia é discutida com a gestante e a equipe ao longo do pré-natal, não na hora.

Dá para preservar o útero?

Em muitos casos — sobretudo nos graus mais profundos — a histerectomia é a conduta mais segura para controlar o sangramento e proteger a vida da mãe. Porém, em situações selecionadas, com diagnóstico favorável e em centros especializados, pode-se tentar um tratamento conservador para preservar o útero. Essa é uma decisão individual, que pesa o desejo de futuras gestações contra os riscos, e que precisa ser tomada em conjunto com uma equipe experiente.

Nova gravidez depois

Se foi necessária a histerectomia, uma nova gravidez não é possível. Se o útero foi preservado, uma nova gestação pode acontecer — mas com risco aumentado de o acretismo se repetir e de outras complicações. Por isso, o planejamento de uma futura gravidez deve ser cuidadosamente conversado com o obstetra, que avalia o caso individualmente. É também mais um motivo para evitar cesáreas sem indicação.

Prevenção

Como o principal fator de risco é a cicatriz de cesárea, a prevenção mais importante é em nível de cuidado: evitar cesáreas desnecessárias, reservando o procedimento para quando há indicação médica — porque cada cesárea aumenta o risco em uma futura gravidez. Para quem já tem fatores de risco, o que mais protege é o pré-natal atento, com ultrassom à procura do acretismo e o planejamento do parto no local adequado.

Na placenta acreta, o que faz toda a diferença é o diagnóstico antes do parto. Saber com antecedência transforma uma emergência potencialmente grave em uma cirurgia planejada, com equipe e estrutura prontas — e isso protege a vida da mãe.

💬 Da prática clínica

Quando vejo uma gestante com placenta prévia que já teve cesárea, o acretismo entra na minha cabeça na hora — e o ultrassom passa a ser olhado com lupa. Descobrir antes muda tudo: dá tempo de encaminhar para um centro com estrutura, reservar sangue, montar a equipe e conversar com calma com a paciente e a família. O que eu não quero é que isso seja uma surpresa na sala de parto. — Dra. Gabriella Dourado

Perguntas Frequentes

O que é placenta acreta?

É quando a placenta se adere com profundidade anormal à parede do útero, em vez de se descolar com facilidade após o parto. Faz parte do chamado espectro do acretismo placentário. O problema é que, na hora do parto, a placenta não se solta como deveria, o que pode causar sangramento intenso. Costuma estar relacionada a cicatrizes no útero, como as de cesárea anterior.

Qual a diferença entre acreta, increta e percreta?

São graus de profundidade da mesma condição. Na placenta acreta, a placenta adere ao músculo do útero; na increta, ela invade dentro desse músculo; na percreta, a mais grave, atravessa toda a parede e pode atingir órgãos vizinhos, como a bexiga. Quanto mais profunda a invasão, maior o risco e mais complexo o planejamento do parto.

O que causa a placenta acreta?

A causa principal é uma cicatriz no útero que altera o local onde a placenta se implanta. Os maiores fatores de risco são a cesárea anterior (especialmente várias) combinada com placenta prévia. Também aumentam o risco outras cirurgias no útero (como miomectomia e curetagem), idade materna mais avançada e gravidez por fertilização in vitro.

Placenta acreta é grave?

Sim, é uma condição séria, porque pode causar hemorragia intensa no parto — é uma das principais causas de sangramento grave e de retirada do útero (histerectomia) no parto. Mas o risco cai muito quando o diagnóstico é feito antes, no pré-natal, e o parto é planejado em um centro preparado, com equipe e banco de sangue. O diagnóstico precoce é o que mais protege.

Placenta acreta tem sintomas?

Na maioria das vezes não dá sintomas durante a gravidez e é descoberta no ultrassom de rotina, sobretudo em quem tem fatores de risco. Quando há placenta prévia associada, pode ocorrer sangramento. O diagnóstico costuma ser feito por ultrassom (muitas vezes com Doppler) e, quando necessário, por ressonância magnética, que ajuda a avaliar a profundidade.

Como é o parto com placenta acreta?

É um parto planejado, por cesárea, em geral antecipado (muitas vezes entre 34 e 36 semanas), em um centro com estrutura para hemorragia e equipe multidisciplinar. Com frequência não se tenta remover a placenta, porque isso provoca sangramento — e em muitos casos é necessária a retirada do útero (histerectomia) na mesma cirurgia. Tudo é programado com antecedência.

Vou precisar retirar o útero (histerectomia)?

Em muitos casos de placenta acreta, especialmente nos graus mais profundos, a histerectomia é a conduta mais segura para controlar o sangramento. Em situações selecionadas, com diagnóstico favorável e em centros especializados, pode-se tentar um tratamento conservador para preservar o útero. Essa decisão é individual e discutida com a equipe antes do parto.

Placenta acreta tem tratamento?

Não há como fazer a placenta se soltar normalmente, mas a condição é manejável: o tratamento é o parto planejado e seguro. Diagnosticar no pré-natal, encaminhar para um centro de referência, programar a cesárea com equipe e banco de sangue e definir antes a conduta (incluindo a possível histerectomia) é o que transforma uma emergência grave em um procedimento controlado.

Quem teve placenta acreta pode engravidar de novo?

Depende do que foi feito. Se houve histerectomia, não é possível uma nova gravidez. Se o útero foi preservado, uma nova gestação é possível, mas com risco aumentado de a placenta acreta se repetir, além de outros riscos. Por isso, o planejamento de uma futura gravidez deve ser conversado com o obstetra, que avalia o caso individualmente.

Como prevenir a placenta acreta?

O principal caminho é evitar cesáreas desnecessárias, já que cada cesárea aumenta o risco em uma futura gravidez. Por isso a recomendação de reservar a cesárea para quando há indicação médica. Em quem já tem fatores de risco, o que mais protege é o pré-natal atento, com ultrassom para procurar o acretismo e o planejamento do parto em local adequado.

Placenta acreta aparece no ultrassom?

Muitas vezes sim, principalmente quando a avaliação é feita por uma equipe experiente e em quem tem fatores de risco. Mas atenção: um ultrassom sem sinais não exclui completamente o acretismo em pacientes de alto risco (placenta prévia sobre cicatriz de cesárea). Nesses casos, a história obstétrica e a localização da placenta pesam tanto quanto a imagem, e a vigilância continua. A ressonância pode ajudar a avaliar a profundidade.

O que acontece se a placenta acreta for descoberta só no parto?

É a pior situação, porque o acretismo pode causar hemorragia grave e, descoberto de surpresa, sem equipe e sem banco de sangue preparados, o risco para a mãe é muito maior. Por isso a mensagem central é diagnosticar antes: quando se sabe da condição no pré-natal, o parto é programado em um centro estruturado, e o que seria uma emergência vira um procedimento controlado. É exatamente isso que o diagnóstico precoce evita.

Gestação de alto risco pede acompanhamento de perto

A Dra. Gabriella Dourado é obstetra em São Paulo (Paraíso e Higienópolis), com experiência em medicina fetal e alto risco. Conduz o pré-natal com o rastreio e o planejamento que condições como o acretismo placentário exigem.

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Conteúdo informativo. Este artigo não substitui a consulta médica. Para avaliação individualizada da placenta na gestação, procure seu obstetra.

Referências: FEBRASGO, American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), Royal College of Obstetricians and Gynaecologists (RCOG), International Federation of Gynecology and Obstetrics (FIGO).