A osteoporose é a doença óssea metabólica mais prevalente no mundo — afeta 1 em cada 3 mulheres acima dos 50 anos. A queda do estrogênio na menopausa acelera dramaticamente a perda óssea, tornando a mulher no climatério o principal grupo de risco para fraturas osteoporóticas — especialmente de vértebras, quadril e punho. A boa notícia: a doença é prevenível, diagnosticável de forma simples e tem tratamento eficaz.
📋 Pontos-chave sobre Osteoporose
- Definição OMS: T-score ≤ −2,5 na densitometria óssea (DXA)
- Osteopenia: T-score entre −1,0 e −2,5 (zona de alerta)
- Perda óssea na menopausa: 2–3% ao ano nos primeiros 5–7 anos após a menopausa
- Fratura de quadril: mortalidade de 15–30% no primeiro ano
- Triagem: densitometria óssea para toda mulher a partir dos 65 anos (ou antes, com fatores de risco)
- Prevenção: começa na adolescência com cálcio, vitamina D e exercício
Fisiologia: estrogênio e saúde óssea
O osso é um tecido dinâmico, em constante remodelação pelo equilíbrio entre osteoclastos (reabsorção) e osteoblastos (formação). O estrogênio exerce papel central nesse equilíbrio:
- Inibe a atividade dos osteoclastos — reduz a reabsorção óssea
- Estimula os osteoblastos via receptores de estrogênio no osso
- Aumenta a absorção intestinal de cálcio
- Reduz a excreção renal de cálcio
- Estimula a produção de calcitonina (hormônio antirreabsortivo)
Com a queda abrupta do estrogênio na menopausa, os osteoclastos ficam "desfreados" — a reabsorção supera a formação e a densidade mineral óssea cai progressivamente. Nos primeiros 5–7 anos após a menopausa, a mulher pode perder até 20% da massa óssea total.
Densitometria óssea (DXA): interpretando o exame
A densitometria de dupla energia por raio X (DXA) é o padrão-ouro para diagnóstico de osteoporose. Mede a Densidade Mineral Óssea (DMO) em g/cm² nos sítios mais relevantes para fratura: coluna lombar (L1–L4) e fêmur proximal (colo do fêmur e quadril total).
Classificação da OMS pela DXA (T-score)
| Classificação | T-score | Significado |
|---|---|---|
| Normal | ≥ −1,0 | DMO dentro do esperado para adulto jovem |
| Osteopenia | −1,0 a −2,5 | Massa óssea reduzida — monitorar e prevenir |
| Osteoporose | ≤ −2,5 | Diagnóstico de osteoporose — tratar |
| Osteoporose grave | ≤ −2,5 + fratura | Osteoporose estabelecida — tratar com urgência |
Z-score: compara com mulheres da mesma idade e etnia. Z-score ≤ −2,0 sugere osteoporose secundária (causas endócrinas, medicamentosa etc.).
Osteopenia é a mesma coisa que osteoporose?
Não. As duas indicam massa óssea abaixo do ideal, mas em graus diferentes — e a distinção é feita pelo T-score da densitometria:
- Osteopenia (T-score entre −1,0 e −2,5): é um sinal de alerta, não uma doença. A massa óssea está reduzida, mas o risco de fratura ainda é menor.
- Osteoporose (T-score ≤ −2,5): é a doença propriamente dita, com risco significativamente maior de fraturas.
O ponto mais importante: a maioria das mulheres com osteopenia não evolui para osteoporose quando adota medidas de prevenção. A osteopenia é, na verdade, a janela de ouro para agir — com cálcio, vitamina D, exercício e controle dos fatores de risco — antes que a perda óssea avance.
Toda mulher na menopausa precisa fazer densitometria?
Não automaticamente. A densitometria óssea (DXA) de rotina é recomendada para toda mulher a partir dos 65 anos. Antes disso — já na transição da menopausa ou por volta dos 50 anos — ela é indicada quando há fatores de risco, como:
- Menopausa precoce (antes dos 45 anos)
- Uso prolongado de corticoides ou inibidores de aromatase
- Baixo peso corporal (IMC < 19) ou tabagismo
- História familiar de osteoporose ou fratura de quadril nos pais
- Fratura prévia por fragilidade (após os 50 anos)
- Doenças associadas (artrite reumatoide, hipertireoidismo, doença celíaca)
Ou seja: uma mulher na pós-menopausa, sem fatores de risco e com menos de 65 anos, nem sempre precisa fazer o exame de imediato — a decisão é individualizada com o ginecologista.
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Agendar consulta →Escore FRAX: calculando o risco de fratura
O FRAX (Fracture Risk Assessment Tool) é uma ferramenta da OMS que calcula a probabilidade de fratura osteoporótica maior (vértebra, quadril, úmero, antebraço) em 10 anos, incorporando fatores clínicos além da DMO.
Variáveis incluídas no FRAX:
- Idade, sexo, peso, altura
- Fratura anterior por fragilidade
- Fratura de quadril em pai ou mãe
- Tabagismo atual
- Uso de glicocorticoides (≥3 meses, ≥5 mg/dia de prednisona)
- Artrite reumatoide
- Osteoporose secundária (DM tipo 1, osteogênese imperfeita, hipertireoidismo, hipogonadismo)
- Consumo de álcool ≥3 doses/dia
- DMO do colo do fêmur (opcional)
Resultado: probabilidade em % de fratura de quadril e fratura maior em 10 anos. No Brasil, considera-se alta probabilidade quando FRAX >3% para quadril ou >20% para fratura maior.
Fatores de risco para osteoporose
- Não modificáveis: sexo feminino, idade avançada, raça branca ou asiática, genética (história familiar), menopausa precoce (<45 anos), menarca tardia
- Modificáveis: tabagismo, etilismo, sedentarismo, baixo peso corporal (IMC <19), dieta pobre em cálcio e vitamina D, imobilização prolongada
- Doenças associadas: hiperparatireoidismo, hipertireoidismo, síndrome de Cushing, doença celíaca, insuficiência renal crônica, artrite reumatoide, anorexia nervosa
- Medicamentos: glicocorticoides, inibidores de aromatase, agonistas de GnRH, antiepilépticos, inibidores de bomba de prótons (uso prolongado)
Prevenção da osteoporose
Cálcio
A ingestão adequada de cálcio é a base da prevenção:
- Mulheres na menopausa: 1200 mg/dia de cálcio elementar (alimentar + suplemento)
- Fontes alimentares: leite (290 mg/200 mL), iogurte (415 mg/200 g), queijo (200–300 mg/30 g), brócolis, couve, sardinha
- Suplementação: carbonato de cálcio (40% de cálcio elementar, absorção melhor com refeição) ou citrato de cálcio (21% de Ca, absorção independente de ácido gástrico — preferido em idosas e com uso de IBP)
- Máximo 500 mg por dose (absorção saturável)
Vitamina D
- Meta: 25-OH vitamina D sérica >30 ng/mL (ideal 40–60 ng/mL)
- Dose: 800–2000 UI/dia para mulheres na menopausa; doses maiores (4000 UI/dia) para deficiência comprovada
- Necessária para absorção intestinal de cálcio (aumenta de 10–15% para 30–40%)
- Também reduz risco de quedas (ação neuromuscular)
Qual o melhor exercício para prevenir osteoporose?
Não existe um único "melhor" exercício — a combinação é o ideal. O que importa é o estímulo mecânico sobre o osso (mecanotransdução) e a prevenção de quedas:
- Treino de força/resistência (musculação): o mais eficaz para ganhar massa óssea e muscular — idealmente 2 a 3 vezes por semana.
- Exercícios de impacto / com peso do corpo: caminhada, dança, subir escadas, corrida leve — estimulam diretamente a formação óssea.
- Equilíbrio e postura (yoga, Pilates, tai chi): não constroem muito osso, mas previnem quedas — o principal gatilho das fraturas.
- Pouco eficazes para o osso: natação e bicicleta — excelentes para o coração e as articulações, mas, por não terem impacto, estimulam pouco o osso (úteis como complemento, não como base).
Meta geral: 150–300 min/semana de atividade moderada + treino de força 2x/semana. Quem já tem osteoporose deve evitar flexões bruscas da coluna e exercícios com alto risco de queda — o ideal é orientação profissional.
Reposição hormonal previne osteoporose?
Sim. O estrogênio reduz comprovadamente a perda óssea da menopausa, e a terapia hormonal previne fraturas de vértebra e de quadril. Alguns pontos importantes:
- É especialmente indicada quando a perda óssea coexiste com outros sintomas da menopausa (fogachos, ressecamento vaginal) — protege os ossos e alivia os sintomas ao mesmo tempo.
- O maior benefício ocorre na "janela de oportunidade": início antes dos 60 anos ou nos primeiros 10 anos de menopausa.
- Em mulheres sem sintomas climatéricos, a terapia hormonal não costuma ser a primeira escolha apenas para o osso — nesses casos, os bifosfonatos e outras opções entram em cena (ver o tratamento medicamentoso abaixo).
A decisão é sempre individualizada com o ginecologista, pesando benefícios e riscos de cada mulher.
Tratamento medicamentoso da osteoporose
Bifosfonatos — primeira linha
Inibem a reabsorção óssea ao se ligar à hidroxiapatita e suprimir a atividade dos osteoclastos. Reduzem fraturas vertebrais em 40–70% e de quadril em 40–50%.
- Alendronato sódico: 70 mg/semana VO — tomado em jejum, 30 min antes do café, com 200 mL de água, permanecendo sentada ou em pé; 1ª linha para menopausa
- Risedronato: 35 mg/semana ou 150 mg/mês VO
- Ácido zolêdrônico: 5 mg IV/ano — excelente para pacientes com intolerância oral; única infusão anual; muito eficaz
- Ibandronato: 150 mg/mês VO ou 3 mg IV a cada 3 meses
- Efeitos adversos: esofagite (oral), síndrome gripal pós-infusão (IV), osteonecrose de mandíbula (raro, principalmente em uso oncológico), fratura atípica de fêmur (uso prolongado >5 anos)
Denosumab
Anticorpo monoclonal anti-RANKL — inibe a diferenciação e ativação de osteoclastos. 60 mg SC a cada 6 meses. Alta eficácia, especialmente em pacientes com insuficiência renal (não é excretado pelo rim). Importante: não suspender abruptamente (risco de fratura vertebral por rebote).
Terapia Hormonal da Menopausa (THM)
O estrogênio tem efeito antirreabsortivo comprovado e é especialmente indicado quando a osteoporose se associa a outros sintomas climatéricos (fogachos, ressecamento vaginal). Não é primeira linha exclusiva para osteoporose em mulheres sem sintomas vasomotores, mas deve ser considerada na janela de oportunidade (menores de 60 anos ou menos de 10 anos de menopausa).
Moduladores seletivos de receptor de estrogênio (SERM)
- Raloxifeno: 60 mg/dia — agonista ósseo (antiosteoporótico) e antagonista mamário e uterino; reduz fraturas vertebrais mas não de quadril; aumenta risco de tromboembolismo
- Bazedoxifeno: combinado com estrogênio conjugado (Duavive) — para sintomas climatéricos + proteção óssea sem estimular endométrio
Teriparatida e abaloparatida (anabólicos)
Análogos do PTH — estimulam a formação óssea. Indicados para osteoporose grave ou refratária. Teriparatida: 20 mcg/dia SC por até 24 meses. Custo elevado; uso via sistema de saúde suplementar ou RENAME.
Romosozumab
Anticorpo anti-esclerostina — dual (anabólico + antirreabsortivo). 210 mg SC/mês por 12 meses. Para casos de alto risco de fratura. Contraindicado em pacientes com infarto ou AVC prévio.
A osteoporose dói? Por que ela é chamada de doença silenciosa
Não — a osteoporose em si não causa dor. Por isso é chamada de "doença silenciosa": a mulher perde massa óssea progressivamente sem nenhum sintoma, até que ocorre uma fratura por fragilidade. A fratura vertebral osteoporótica, por exemplo, pode acontecer com um esforço mínimo — tossir, inclinar-se — e muitas vezes passa despercebida ou é confundida com "dor nas costas".
Outros sinais indiretos de fraturas vertebrais silenciosas incluem perda de altura progressiva (mais de 4 cm) e aumento da curvatura torácica (cifose). Monitorar esses sinais faz parte da avaliação no climatério.
⚠️ Atenção: Osteoporose Silenciosa
- A osteoporose não dói — a primeira manifestação pode ser uma fratura
- Fratura vertebral osteoporótica pode ocorrer com esforços mínimos (tossir, inclinar-se)
- Perda de altura progressiva (>4 cm) ou cifose torácica em aumento são sinais de fraturas vertebrais silenciosas
- Mulher com menopausa precoce (<45 anos) tem risco muito aumentado — iniciar rastreio mais cedo
- Não interromper bifosfonato ou denosumab sem orientação médica — risco de fratura por rebote
Perguntas Frequentes
A osteoporose causa dor?
Não, a osteoporose em si não dói — é chamada de "doença silenciosa" porque não apresenta sintomas até que ocorra uma fratura. Muitas vezes, a primeira manifestação é uma fratura vertebral desencadeada por um esforço mínimo, como tossir ou se inclinar.
A partir de que idade devo fazer a densitometria óssea?
A recomendação geral é que todas as mulheres façam a densitometria a partir dos 65 anos. No entanto, mulheres com fatores de risco — como menopausa precoce, uso prolongado de corticoides, baixo peso ou história familiar — devem iniciar o rastreio antes, por volta dos 50 anos.
O que é T-score e o que significa ter −2,5?
O T-score é o resultado da densitometria óssea que compara sua densidade mineral óssea com a de uma adulta jovem saudável. Um valor de −2,5 ou abaixo confirma o diagnóstico de osteoporose, segundo os critérios da OMS.
Quanto cálcio eu preciso consumir por dia na menopausa?
A recomendação é de 1.200 mg de cálcio elementar por dia, somando alimentação e suplementação. Leite, iogurte, queijos e folhas escuras são boas fontes. Quando a dieta não é suficiente, a suplementação com carbonato ou citrato de cálcio pode ser indicada pelo médico.
Vitamina D realmente ajuda na prevenção da osteoporose?
Sim. A vitamina D é essencial para que o cálcio seja absorvido pelo intestino — sem ela, mesmo uma dieta rica em cálcio é pouco aproveitada pelo organismo. Além disso, ela melhora a força muscular e reduz o risco de quedas, que é o principal gatilho para fraturas.
Os bifosfonatos (como o alendronato) têm efeitos colaterais graves?
Os bifosfonatos são seguros e amplamente utilizados. O efeito mais comum do alendronato oral é a irritação esofágica, evitada tomando o comprimido em jejum com bastante água e permanecendo em pé por 30 minutos. Complicações raras como osteonecrose de mandíbula ocorrem principalmente em doses oncológicas e uso muito prolongado.
A terapia hormonal da menopausa protege os ossos?
Sim, o estrogênio tem efeito comprovado de redução da perda óssea na menopausa. Ela é especialmente indicada quando a osteopenia ou osteoporose coexiste com outros sintomas climatéricos, como fogachos. A decisão deve ser individualizada com o ginecologista.
Proteja seus ossos antes que seja tarde
A prevenção e o tratamento da osteoporose exigem abordagem individualizada. A Dra. Gabriella Dourado avalia seu risco, solicita a densitometria óssea e indica o tratamento mais adequado para a sua fase do climatério.
Agendar avaliação de osteoporose →Conteúdo informativo. Este artigo não substitui a consulta médica. Para avaliação individualizada, procure um ginecologista de sua confiança.
Referências: FEBRASGO, IOF (International Osteoporosis Foundation), ABRASSO (Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo), National Osteoporosis Foundation (NOF), American Society for Bone and Mineral Research (ASBMR).