Ginecologia

Câncer de Colo do Útero: causas, sintomas, estadiamento e tratamento

📅 Atualizado em maio de 2026 ⏱ Leitura: 20 minutos 👩‍⚕️ Revisado por especialista em ginecologia oncológica

O câncer do colo do útero é uma das poucas neoplasias malignas que a medicina tem ferramentas concretas para prevenir, detectar precocemente e, na maioria dos casos, curar. É a quarta neoplasia mais frequente em mulheres no mundo e o terceiro câncer ginecológico mais comum no Brasil — com cerca de 17.000 novos casos e 8.000 mortes por ano segundo o INCA. Mas esses números poderiam ser dramaticamente menores: com vacinação contra HPV e rastreamento regular, a OMS traçou a meta de eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública até 2030.

Entender essa doença — sua origem, progressão, sintomas e tratamento — é fundamental tanto para a prevenção quanto para o enfrentamento informado de um diagnóstico.

📋 Em resumo

  • Causa: infecção persistente pelo HPV de alto risco (tipos 16 e 18 em ~70% dos casos)
  • Progressão lenta: de lesão precursora (NIC) a câncer invasivo leva em média 10–20 anos — janela ampla para intervenção
  • Tipos histológicos: carcinoma escamoso (~70%) e adenocarcinoma (~25–30%)
  • Sintomas no início: frequentemente ausentes — por isso o rastreamento é essencial
  • Sintomas na doença avançada: sangramento vaginal anormal, corrimento com odor, dor pélvica
  • Estadiamento: sistema FIGO (I a IV) — determina o tratamento e o prognóstico
  • Tratamento: cirurgia nos estádios iniciais; quimiorradioterapia nos estádios avançados
  • Sobrevida em 5 anos: ~93% no estádio I; ~15% no estádio IV — reforçando a urgência do diagnóstico precoce

Como o HPV causa o câncer do colo do útero

Praticamente 100% dos cânceres do colo do útero estão associados à infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV) de alto risco oncogênico. Os tipos 16 e 18 são responsáveis por aproximadamente 70% dos casos; outros tipos de alto risco (31, 33, 45, 52, 58) respondem pelos 30% restantes.

A grande maioria das infecções por HPV — cerca de 80–90% — é transitória e eliminada pelo sistema imunológico em 1 a 2 anos sem deixar sequelas. O problema ocorre quando a infecção persiste: o DNA viral se integra ao genoma das células epiteliais do colo do útero, e as proteínas oncogênicas virais E6 e E7 bloqueiam os supressores tumorais p53 e pRb, respectivamente, desencadeando proliferação celular descontrolada.

Esse processo é lento e progressivo: as células passam por graus crescentes de atipia (NIC 1 → NIC 2 → NIC 3 → carcinoma in situ → carcinoma invasivo), o que oferece uma janela de décadas para detecção e tratamento antes que o câncer invasivo se instale.

HPV sempre causa câncer?

Não. Essa é a resposta mais importante para qualquer mulher que recebe um resultado positivo para HPV — e que precisa ser dita claramente para evitar ansiedade desnecessária.

A grande maioria das infecções por HPV — cerca de 80 a 90% — é eliminada espontaneamente pelo sistema imunológico em 1 a 2 anos, sem causar nenhuma lesão ou sintoma. O HPV só se torna um problema quando:

  • É de um tipo de alto risco oncogênico (principalmente os tipos 16 e 18)
  • A infecção persiste por muitos anos sem ser eliminada
  • A mulher tem fatores de risco que dificultam a eliminação (tabagismo, imunossupressão, ausência de rastreamento)

HPV positivo: o que realmente significa

  • 80–90% das infecções por HPV são eliminadas espontaneamente em 1–2 anos
  • ✅ HPV positivo não é diagnóstico de câncer — é um sinal para acompanhamento
  • ✅ O rastreamento regular existe exatamente para detectar as lesões precursoras antes que evoluam
  • ⚠️ HPV de alto risco (16, 18) com infecção persistente → merece investigação com colposcopia

Quanto tempo demora para o HPV virar câncer?

Em média, 10 a 20 anos — e esse é, ironicamente, o dado mais tranquilizador sobre essa doença. A progressão do HPV até o câncer invasivo é lenta e passa por estágios detectáveis ao longo de anos ou décadas.

Progressão da infecção por HPV ao câncer invasivo

Estágio O que é Tempo típico
Infecção por HPV Vírus infecta células do colo do útero Pode ser eliminada em 1–2 anos (80–90% dos casos)
NIC 1 Lesão de baixo grau — alteração leve Regride espontaneamente em ~60% em 2 anos
NIC 2 / NIC 3 Lesão de alto grau — alteração significativa Anos a décadas de progressão desde a infecção inicial
Carcinoma in situ Células malignas, ainda não invasivas Estágio pré-invasivo — tratável com cura
Câncer invasivo Células invadem tecidos profundos Média de 10–20 anos após a infecção inicial

Essa progressão lenta é o motivo pelo qual o rastreamento regular funciona tão bem: ao detectar as lesões no estágio NIC 2 ou NIC 3, o tratamento é simples, eficaz e cura antes que o câncer invasivo se instale.

NIC 1, NIC 2 e NIC 3 são câncer?

Não. Nenhum grau de NIC é câncer. Essa confusão é uma das maiores fontes de ansiedade desnecessária nas pacientes.

NIC significa Neoplasia Intraepitelial Cervical — lesão precursora, limitada ao epitélio superficial do colo do útero, sem invasão de tecidos profundos. Para ser câncer, as células precisam romper a membrana basal e invadir o estroma — o que ainda não aconteceu em nenhum grau de NIC.

NIC vs. Câncer: diferença definitiva

Alteração É câncer? O que significa
NIC 1 (LSIL) ❌ Não Lesão de baixo grau — regride em ~60% dos casos. Acompanhamento.
NIC 2 (HSIL) ❌ Não Lesão de alto grau — tratável com CAF/LEEP. Cura >95%.
NIC 3 (HSIL) ❌ Não Lesão de alto grau avançada — tratamento imediato indicado. Cura >95%.
Carcinoma in situ ⚠️ Ainda não invasivo Células malignas, mas sem invasão — tratamento cirúrgico com cura.
Carcinoma invasivo ✅ Sim Células invadiram o estroma cervical — requer estadiamento e tratamento oncológico.

NIC 2 e NIC 3 merecem tratamento imediato — não porque são câncer, mas porque têm maior probabilidade de progressão. Detectadas e tratadas nesse estágio, a cura é praticamente garantida com procedimento ambulatorial simples. Veja mais detalhes no artigo sobre Papanicolau, colposcopia e NIC.

Fatores de risco

O principal fator de risco é a infecção persistente por HPV de alto risco. Outros fatores que aumentam o risco de progressão de infecção para câncer:

  • Tabagismo: os carcinógenos do tabaco concentram-se nas secreções cervicais e potencializam o efeito oncogênico do HPV — fumantes têm risco 2× maior de desenvolver câncer do colo
  • Infecções genitais recorrentes: quadros de infecções sexualmente transmissíveis não tratadas podem cofacilitar a persistência do HPV
  • Imunossupressão: mulheres com HIV, transplantadas, em uso de imunossupressores — o sistema imunológico enfraquecido não consegue eliminar o HPV de forma eficiente. Mulheres HIV+ têm risco 5–6× maior.
  • Múltiplos parceiros sexuais: maior exposição a diferentes genótipos de HPV
  • Início precoce da atividade sexual: o epitélio cervical é mais vulnerável à infecção pelo HPV durante a adolescência
  • Multiparidade: múltiplas gestações a termo estão associadas a maior risco — possivelmente pela exposição hormonal prolongada e traumas cervicais repetidos
  • Uso prolongado de anticoncepcionais orais combinados (>5 anos): modesta elevação de risco, especialmente para adenocarcinoma — que diminui após a interrupção
  • Infecção por Chlamydia trachomatis: infecção genital crônica pode cofacilitar a persistência do HPV
  • Não realização de rastreamento: a maioria dos casos de câncer invasivo ocorre em mulheres que nunca fizeram ou fizeram o Papanicolau de forma irregular

Dúvidas sobre HPV ou rastreamento do colo do útero?

A Dra. Gabriella Dourado é ginecologista e obstetra especializada em São Paulo. Agende uma avaliação personalizada.

Agendar consulta →

Tipos histológicos

Carcinoma escamoso (carcinoma epidermóide)

Representa cerca de 70–75% dos cânceres do colo do útero. Origina-se nas células escamosas da ectocérvice e da zona de transformação (junção escamocolunar). É o tipo mais diretamente relacionado aos genótipos HPV 16 e 18 e o mais eficientemente detectado pelo Papanicolau.

Adenocarcinoma

Representa cerca de 25–30% dos casos. Origina-se nas células glandulares do canal cervical (endocérvice). Sua incidência vem aumentando nas últimas décadas, especialmente em mulheres jovens — possivelmente relacionado ao aumento do uso de anticoncepcionais e à melhora da detecção. É menos eficientemente detectado pelo Papanicolau isolado (as células glandulares estão mais profundas no canal), razão pela qual o teste de HPV DNA tem papel ainda mais importante em seu rastreamento.

Carcinoma adenoescamoso e outros tipos raros

Tumores mistos e tipos raros (carcinoma neuroendócrino, adenoma malignum, carcinoma de células claras) representam menos de 5% dos casos, mas frequentemente têm comportamento mais agressivo.

Sintomas: quando a doença se manifesta

O câncer do colo do útero nas fases iniciais (e todas as lesões precursoras) é assintomático. A mulher não sente nada. É exatamente por isso que o rastreamento com Papanicolau e teste de HPV é insubstituível — esperar sintomas significa diagnosticar doença avançada.

🚨 Os 3 sintomas de maior alerta — procure seu ginecologista imediatamente:
  • Sangramento após a relação sexual (pós-coital) — o sintoma mais característico do câncer do colo do útero
  • Corrimento vaginal com odor fétido ou rosado/acastanhado fora do período menstrual
  • Dor pélvica persistente — em estádios avançados, quando o tumor invade estruturas adjacentes

À medida que o tumor cresce e invade tecidos adjacentes, surgem os sintomas:

  • Sangramento vaginal anormal: principal sintoma — sangramento após a relação sexual (pós-coital) é o mais característico; também pode ocorrer sangramento intermenstrual, sangramento em mulheres na pós-menopausa ou menstruações mais abundantes e prolongadas
  • Corrimento vaginal anormal: aquoso, rosado, acastanhado ou com odor fétido (decorrente de necrose tumoral)
  • Dor pélvica: em estádios mais avançados, quando o tumor invade estruturas adjacentes — paramétrios, bexiga, reto, paredes pélvicas
  • Dificuldade para urinar ou hematúria: quando há invasão vesical
  • Dificuldade para evacuar ou sangramento retal: quando há invasão retal
  • Edema de membros inferiores: quando há obstrução linfática por metástases para linfonodos pélvicos
  • Dor lombar unilateral e hidronefrose: quando o tumor comprime o ureter — sinal de doença avançada
⚠️ Procure seu ginecologista imediatamente se apresentar: sangramento vaginal após a relação sexual, sangramento após a menopausa, corrimento com odor ou sangue fora do período menstrual — mesmo que pareça pequeno. Esses sintomas nunca devem ser ignorados ou atribuídos a outras causas sem investigação adequada.

Como o diagnóstico é feito

O diagnóstico de câncer invasivo do colo do útero requer confirmação histopatológica — ou seja, análise de um fragmento de tecido ao microscópio. O caminho até esse diagnóstico geralmente passa por:

  • Rastreamento alterado: Papanicolau com HSIL, AGC ou suspeita de malignidade; ou HPV 16/18 positivo → encaminhamento para colposcopia
  • Colposcopia com biópsia dirigida: permite visualizar a lesão e coletar fragmento para análise histológica. Se a biópsia mostrar NIC 3 ou carcinoma in situ, realiza-se CAF/LEEP para tratamento e confirmação. Se mostrar carcinoma invasivo microinfiltrativo, prossegue-se para a conização para mensurar a extensão da invasão.
  • Achado clínico: tumor visível ao exame especular (lesão exofítica, ulcerada ou infiltrativa no colo) — biópsia direta da lesão confirma o diagnóstico em dias

Exame preventivo alterado significa câncer?

Na grande maioria dos casos, não. Um resultado alterado no Papanicolau ou HPV positivo é um sinal para investigação — não um diagnóstico de câncer. A escala de alterações vai de muito leve a grave, e a maioria se enquadra nas categorias mais tratáveis.

Resultados do Papanicolau: o que cada um significa

Resultado O que é É câncer? Conduta
Normal Células sem alteração Não Repetir em 3 anos
ASCUS Atipia escamosa de significado indeterminado Não Repetir em 6–12 meses ou teste de HPV
LSIL / NIC 1 Lesão escamosa de baixo grau Não Colposcopia; maioria regride espontaneamente
HSIL / NIC 2–3 Lesão escamosa de alto grau Não, mas requer tratamento Colposcopia + CAF/LEEP — cura >95%
Carcinoma Suspeita de câncer no esfregaço Suspeita — confirmar com biópsia Encaminhamento urgente para oncologia

O sistema de rastreamento funciona assim: resultados alterados não são diagnóstico — são indicação para o próximo passo da investigação. A colposcopia e a biópsia é que confirmam ou afastam lesões mais graves. A mensagem essencial: um Papanicolau alterado é exatamente o que deveria acontecer — o exame fez sua função de sinalizar que algo merece atenção.

Estadiamento FIGO 2018

Uma vez confirmado o diagnóstico histológico de carcinoma invasivo, o estadiamento determina a extensão da doença e orienta o tratamento. O sistema utilizado é o da FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia), revisado em 2018 para incorporar critérios de imagem (ressonância magnética, PET-CT) e de patologia cirúrgica:

  • Estádio I — tumor confinado ao colo do útero:
    • IA1: invasão estromal <3 mm de profundidade — tratamento cirúrgico conservador possível
    • IA2: invasão 3–5 mm de profundidade
    • IB1: tumor visível <2 cm
    • IB2: tumor 2–4 cm
    • IB3: tumor >4 cm
  • Estádio II — extensão além do colo, mas sem parede pélvica nem terço inferior vaginal:
    • IIA: invasão do terço superior ou médio da vagina
    • IIB: invasão parametrial (tecido ao redor do útero)
  • Estádio III — extensão à parede pélvica, terço inferior vaginal ou linfonodos:
    • IIIA: terço inferior da vagina
    • IIIB: parede pélvica e/ou hidronefrose
    • IIIC: metástase em linfonodos pélvicos (IIIC1) ou para-aórticos (IIIC2) — independentemente do tamanho do tumor primário
  • Estádio IV — extensão além da pelve ou envolvimento de órgãos adjacentes:
    • IVA: invasão de bexiga ou reto
    • IVB: metástases à distância (pulmão, fígado, ossos)

Exames de estadiamento

Para determinar o estádio com precisão, utilizam-se:

  • Ressonância magnética (RM) da pelve: padrão ouro para avaliar o tamanho do tumor, invasão parametrial, envolvimento vaginal e linfonodos pélvicos
  • PET-CT (tomografia por emissão de pósitrons): detecta metástases linfonodais e à distância com alta sensibilidade — essencial no planejamento da radioterapia
  • Tomografia computadorizada (TC) de abdome e tórax: avalia linfonodos para-aórticos e possíveis metástases pulmonares e hepáticas
  • Cistoscopia e retossigmoidoscopia: quando há suspeita de invasão de bexiga ou reto
  • Urografia ou USG de vias urinárias: para identificar hidronefrose (estádio IIIB)

Tratamento

O tratamento do câncer do colo do útero é definido pelo estádio, tipo histológico, tamanho do tumor, desejo de fertilidade e condições clínicas da paciente. As opções principais são cirurgia, radioterapia, quimioterapia e, mais recentemente, imunoterapia.

Estádios iniciais (IA1 a IB2): tratamento cirúrgico

  • Conização (cone a frio ou LEEP): tratamento definitivo para IA1 sem invasão linfovascular em mulheres que desejam preservar a fertilidade; também para IA1 sem desejo de fertilidade combinado com linfadenectomia pélvica em alguns protocolos
  • Traquelectomia radical: remoção do colo do útero, paramétrios proximais e vagina superior, preservando o corpo uterino — permite gestações futuras em mulheres selecionadas com tumores IA2–IB1 ≤2 cm. É uma cirurgia complexa realizada em centros especializados.
  • Histerectomia radical (cirurgia de Wertheim-Meigs): remoção do útero, colo, paramétrios, terço superior da vagina e linfonodos pélvicos — padrão ouro para estádios IA2 a IB2. Pode ser realizada por via abdominal, laparoscópica ou robótica.

Após a histerectomia radical, a decisão de radioterapia adjuvante depende dos fatores de risco patológicos: margens comprometidas, linfonodos positivos, invasão parametrial e fatores de Sedlis (invasão linfovascular, invasão estromal profunda, tumor grande).

Estádios localmente avançados (IB3 a IVA): quimiorradioterapia

A quimiorradioterapia concomitante (radioterapia externa + braquiterapia + cisplatina semanal) é o tratamento padrão para os estádios IB3, IIA2, IIB, III e IVA. A cisplatina sensibiliza as células tumorais à radioterapia, melhorando significativamente as taxas de controle local e de sobrevida em relação à radioterapia isolada.

  • Radioterapia externa (IMRT/VMAT): irradiação da pelve e, quando necessário, da cadeia para-aórtica; 45–50 Gy em frações diárias por 5 semanas
  • Braquiterapia: fonte radioativa inserida dentro da cavidade uterina e vagina — entrega dose elevada ao tumor com proteção dos tecidos normais adjacentes. É indispensável para o controle local; sua omissão piora significativamente o prognóstico.
  • Cisplatina semanal (40 mg/m²): quimioterapia concomitante à radioterapia

Doença metastática (IVB) e recorrente

  • Quimioterapia paliativa: cisplatina + paclitaxel ± bevacizumabe (anti-VEGF) — o bevacizumabe adicionou sobrevida global relevante em estudo randomizado (GOG 240)
  • Imunoterapia: pembrolizumabe (anti-PD-1) — aprovado para carcinomas com expressão de PD-L1 em primeira linha (combinado à quimioterapia) e para tumores com alta instabilidade de microssatélites (MSI-H). Representa um avanço significativo para pacientes com doença avançada ou recorrente.
  • Exenteração pélvica: cirurgia ultra-radical de resgate (retirada en bloc de útero, vagina, bexiga e/ou reto) para recorrência central após radioterapia, em casos altamente selecionados — morbidade elevada, mas potencialmente curativa

Sobrevida e prognóstico

O prognóstico varia enormemente com o estádio ao diagnóstico — reforçando a importância do rastreamento e diagnóstico precoce:

Estádio FIGO Extensão do tumor Tratamento principal Sobrevida em 5 anos
Estádio I Confinado ao colo do útero Cirurgia (conização, traquelectomia ou histerectomia radical) 80–93%
Estádio II Além do colo, sem parede pélvica ou terço inferior vaginal Cirurgia (IIA) ou quimiorradioterapia (IIB) 58–63%
Estádio III Parede pélvica, terço inferior vaginal ou linfonodos Quimiorradioterapia concomitante + braquiterapia 32–35%
Estádio IV Bexiga/reto (IVA) ou metástases à distância (IVB) Quimioterapia paliativa ± imunoterapia 15–16%

Outros fatores prognósticos: tamanho do tumor, envolvimento linfonodal, invasão linfovascular, tipo histológico (adenocarcinoma tende a ter pior prognóstico que o escamoso em estádios avançados) e performance status da paciente.

Prevenção: como podemos eliminar essa doença

O câncer do colo do útero é, em grande parte, uma doença prevenível. A OMS lançou em 2020 a Estratégia Global para Acelerar a Eliminação do Câncer do Colo do Útero, baseada em três pilares — a meta 90-70-90 até 2030:

  • 90% das meninas vacinadas contra HPV até os 15 anos
  • 70% das mulheres rastreadas com teste de alta performance até os 35 e 45 anos
  • 90% das mulheres com lesão identificada recebendo tratamento adequado

Prevenção primária: vacinação contra HPV

A vacina nonavalente (Gardasil 9) protege contra os 9 genótipos mais relevantes — cobrindo ~90% dos cânceres do colo do útero. Países com alta cobertura vacinal como a Austrália já observam redução drástica de lesões precursoras em jovens vacinadas, caminhando para a eliminação da doença. Para mais detalhes, veja o artigo completo sobre HPV e vacina.

Prevenção secundária: rastreamento

O Papanicolau e o teste de HPV DNA detectam lesões precursoras décadas antes de evoluírem para câncer invasivo. O tratamento das lesões NIC 2/3 (CAF/LEEP) interrompe essa progressão com eficácia superior a 95%. Toda mulher que faz rastreamento regular raramente desenvolve câncer invasivo do colo do útero. Para mais detalhes, leia o artigo sobre Papanicolau, HPV DNA e Colposcopia.

O câncer do colo do útero não precisa existir. Temos a vacina que previne, os exames que detectam as lesões precursoras e os tratamentos que curam quando descoberto cedo. O que falta é cobertura — que cada mulher tenha acesso a essas ferramentas.

O câncer de colo do útero tem cura?

Sim, especialmente quando diagnosticado precocemente. No estádio I (tumor confinado ao colo do útero), a sobrevida em 5 anos é de 80 a 93%. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de cura com cirurgia. Nos estádios avançados, a quimiorradioterapia pode controlar a doença, mas as chances de cura diminuem significativamente — reforçando a importância do rastreamento regular com Papanicolau e teste de HPV DNA. Toda mulher que faz rastreamento regular raramente desenvolve câncer invasivo do colo do útero.

Perguntas Frequentes

Se eu tenho HPV, vou desenvolver câncer de colo do útero?

Não necessariamente. Cerca de 80 a 90% das infecções por HPV são eliminadas pelo sistema imunológico em 1 a 2 anos sem causar nenhum problema. O câncer só se desenvolve nos casos em que a infecção persiste por muitos anos, especialmente com os tipos de alto risco (16 e 18). É por isso que o rastreamento regular com Papanicolau e HPV DNA é tão importante — para detectar as lesões precursoras antes que evoluam.

De quanto em quanto tempo devo fazer o Papanicolau?

As recomendações variam conforme a idade e o protocolo do serviço. Em geral, mulheres de 25 a 64 anos devem realizar o Papanicolau a cada 3 anos após dois exames anuais consecutivos normais. O teste de HPV DNA combinado ao Papanicolau pode ampliar o intervalo para 5 anos em mulheres com resultado normal. Siga sempre a orientação do seu ginecologista.

A vacina contra HPV protege quem já é sexualmente ativa?

Sim. Mulheres sexualmente ativas também se beneficiam da vacinação, pois dificilmente foram expostas a todos os tipos cobertos pela vacina. A proteção é maior em pessoas que ainda não tiveram contato com os tipos vacinais, mas a vacinação é recomendada até os 45 anos. Converse com seu ginecologista sobre a indicação para o seu caso.

Sangramento após a relação sexual é sempre sinal de câncer?

Não é sempre câncer, mas é um sinal que nunca deve ser ignorado. O sangramento pós-coital pode ter várias causas — ectopia cervical, pólipo, infecção, atrofia — mas também pode ser o sintoma inicial de um câncer do colo do útero. Qualquer sangramento vaginal fora do período menstrual ou após a menopausa merece avaliação ginecológica imediata.

Meu Papanicolau deu NIC 2. Isso já é câncer?

Não. NIC 2 (neoplasia intraepitelial cervical grau 2) é uma lesão precursora — células com alterações significativas, mas que ainda não invadiram tecidos profundos. É tratável com alta taxa de cura, geralmente por CAF (cirurgia de alta frequência) ou LEEP. O diagnóstico de NIC 2 é exatamente o momento ideal para intervir e impedir a progressão para câncer invasivo.

O câncer de colo do útero tem cura?

Sim, especialmente quando diagnosticado precocemente. No estádio I (tumor confinado ao colo), a sobrevida em 5 anos é de 80 a 93%. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de cura com cirurgia. Nos estádios avançados, a quimiorradioterapia pode controlar a doença, mas as chances de cura diminuem significativamente — reforçando a importância do rastreamento regular.

Usar camisinha protege contra o HPV?

A camisinha reduz o risco de transmissão do HPV, mas não elimina completamente, pois o vírus pode estar em áreas não cobertas pelo preservativo (virilha, escroto, pele adjacente). Ainda assim, o uso consistente do preservativo é uma medida importante de proteção e reduz o risco de outras infecções sexualmente transmissíveis. A combinação camisinha + vacinação + rastreamento regular é a estratégia mais eficaz.

Posso engravidar depois de tratar um câncer de colo do útero?

Depende do estádio e do tipo de tratamento. Mulheres com lesões precursoras (NIC) ou câncer muito inicial tratadas com CAF/LEEP geralmente preservam a fertilidade completamente. Em casos selecionados de câncer invasivo inicial (estádio IA2 a IB1), a traquelectomia radical permite remover o colo do útero preservando o corpo uterino. Gestações são possíveis após esse procedimento. Converse com seu oncologista ginecológico sobre as opções disponíveis.

Está em dia com o rastreamento do colo do útero?

A Dra. Gabriella Dourado realiza Papanicolau, teste de HPV DNA e colposcopia em São Paulo, com laudo detalhado e acompanhamento personalizado. Prevenção é o melhor tratamento.

Agendar rastreamento do colo do útero →

Conteúdo informativo. Este artigo não substitui a consulta médica. Para avaliação individualizada, procure um ginecologista.

Referências: INCA (Instituto Nacional de Câncer), FEBRASGO, FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia), American Society of Clinical Oncology (ASCO), National Comprehensive Cancer Network (NCCN), Organização Mundial da Saúde (OMS) — Global strategy to accelerate the elimination of cervical cancer, 2020.