Ginecologia

Pólipo endometrial: sintomas, é câncer?, tratamento e gravidez

📅 Atualizado em agosto de 2026 ⏱ Leitura: 9 minutos 👩‍⚕️ Revisado por especialista em ginecologia

Descobrir um "pólipo no útero" em um ultrassom de rotina costuma gerar susto — e a primeira pergunta quase sempre é "isso é câncer?". A resposta, na imensa maioria das vezes, é tranquilizadora. O pólipo endometrial é uma das alterações mais comuns do útero, geralmente benigna, e com tratamento simples quando necessário.

Este guia explica o que é o pólipo endometrial, seus sintomas, quando ele preocupa, como é feito o diagnóstico e o tratamento, e o que ele significa para quem deseja engravidar.

📌 Em resumo

  • O que é: um crescimento do endométrio (revestimento interno do útero) para dentro da cavidade
  • Sintoma principal: sangramento uterino anormal — mas muitos não dão sintomas
  • É câncer? Quase sempre não — a grande maioria é benigna
  • Diagnóstico: ultrassom transvaginal e histeroscopia (padrão-ouro)
  • Tratamento: acompanhamento ou retirada por histeroscopia (polipectomia)

O que é o pólipo endometrial

Pólipo endometrial é uma lesão focal do endométrio (o revestimento interno do útero) que cresce em direção à cavidade uterina. Na grande maioria das vezes é benigno, embora uma pequena parcela possa conter alterações pré-malignas ou malignas — é por isso que o material retirado sempre vai para análise. Em geral está associado a sangramento uterino anormal ou a dificuldade para engravidar, mas muitas vezes não dá sintomas e é um achado de exame de imagem.

O pólipo endometrial é um crescimento do endométrio — o tecido que reveste o interior do útero e que descama a cada menstruação — formando uma pequena projeção para dentro da cavidade uterina. Pode ser único ou múltiplo, ter de poucos milímetros a alguns centímetros, e ficar preso por uma base larga (séssil) ou por um "pezinho" (pediculado).

É uma alteração muito comum, sobretudo entre os 40 e os 50 anos, e na grande maioria das vezes é benigna. Não confundir com o pólipo do colo do útero (cervical), que surge no canal do colo e é visto no exame ginecológico — também benigno na maioria dos casos.

Sintomas do pólipo endometrial

Muitos pólipos não dão sintoma nenhum e são descobertos por acaso em um ultrassom de rotina. Quando há sintomas, o mais comum é o sangramento uterino anormal:

  • Sangramento entre as menstruações (escape / spotting)
  • Menstruação mais intensa ou prolongada
  • Sangramento após a relação sexual — possível, mas pouco específico: esse sintoma aponta mais para causas do colo do útero e da vagina, e merece avaliação também dessas áreas
  • Qualquer sangramento após a menopausa — sempre um sinal de alerta a investigar
  • Dificuldade para engravidar, em alguns casos

O que causa: fatores de risco

A causa exata não é totalmente conhecida, mas o crescimento dos pólipos é estimulado pelo estrogênio. Alguns fatores aumentam a chance:

  • Idade (mais comum perto da menopausa e na pós-menopausa)
  • Obesidade e hipertensão
  • Uso de tamoxifeno (medicação usada no câncer de mama)
  • Exposição ao estrogênio — os pólipos respondem a hormônios, mas sua origem é multifatorial e ainda não totalmente compreendida

Pólipo no útero é câncer?

Esta é a maior preocupação — e a resposta tranquiliza: quase sempre não. A grande maioria dos pólipos endometriais é benigna. O risco de um pólipo conter uma alteração pré-maligna ou maligna é baixo, mas não é o mesmo para todas: ele varia bastante conforme o perfil da paciente. É particularmente baixo em mulheres jovens, antes da menopausa e sem sintomas, e aumenta nestas situações:

  • Idade mais avançada, sobretudo a partir dos 60 anos
  • Após a menopausa — e principalmente quando há sangramento pós-menopausa, que é o cenário de maior atenção
  • Uso de tamoxifeno, que é contexto de vigilância clínica maior
  • Fatores de risco para câncer de endométrio (obesidade, diabetes, síndrome de Lynch)

Repare que o tamanho do pólipo não entra nessa lista: ao contrário do que se costuma pensar, a associação entre tamanho isolado e malignidade não é consistente nos estudos. O que pesa é o conjunto — idade, menopausa e, acima de tudo, a presença de sangramento.

Justamente por isso, todo pólipo retirado é enviado para análise (anatomopatológico), que confirma se é benigno — o que acontece na imensa maioria dos casos.

O tamanho do pólipo importa?

Em parte, sim — mas o tamanho é apenas um dos fatores. De forma geral:

  • Pólipos pequenos (até cerca de 1 cm): muitas vezes não dão sintomas e, antes da menopausa, podem regredir sozinhos — costumam ser apenas acompanhados quando não há sintomas.
  • Pólipos maiores: tendem a persistir mais, têm mais chance de causar sangramento e de interferir na fertilidade — por isso são removidos com mais frequência.

Não existe, porém, um número mágico — nenhum valor em centímetros determina sozinho retirar ou acompanhar, e o tamanho isolado também não é bom marcador de risco de câncer. Um pólipo pequeno que causa sangramento na pós-menopausa merece mais atenção do que um pólipo um pouco maior, sem sintomas, em uma mulher jovem. O que pesa de verdade é o conjunto — sintomas, fase da vida (antes ou depois da menopausa), desejo de engravidar e fatores de risco.

Descobriu um pólipo no útero?

A Dra. Gabriella Dourado é ginecologista em São Paulo e avalia pólipos com ultrassom especializado e histeroscopia, definindo se é caso de acompanhar ou retirar.

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Como é feito o diagnóstico

  • Ultrassom transvaginal: costuma ser o primeiro exame; sugere o pólipo como um espessamento focal ou uma imagem dentro da cavidade
  • Histerossonografia (ultrassom com soro): infunde-se soro fisiológico na cavidade para "abrir" o útero e ver melhor o pólipo
  • Histeroscopia: é o método mais preciso — uma microcâmera vê o pólipo diretamente e, no mesmo procedimento, permite retirá-lo sob visão direta e enviá-lo para análise. O diagnóstico definitivo da natureza da lesão vem do exame do tecido, não da imagem

🔬 Por que uma curetagem ou biópsia comum não resolve

Esta é uma confusão frequente. O pólipo é uma lesão focal — ocupa um ponto da cavidade. Uma biópsia de endométrio ou uma curetagem feitas "às cegas", sem enxergar onde se está coletando, podem passar ao lado da lesão e devolver um resultado normal que não exclui nada. Por isso, quando é preciso confirmar ou retirar um pólipo, a avaliação deve ser dirigida pela histeroscopia.

📏 "Endométrio espessado" e pólipo são a mesma coisa?

Não. Endométrio espessado é uma medida descrita no laudo do ultrassom; pólipo é uma lesão focal que se projeta para dentro da cavidade. Um endométrio que parece apenas espessado pode, inclusive, ser um pólipo que o exame não conseguiu delimitar. Quando a imagem não é clara, a histerossonografia ou a histeroscopia diferenciam. Veja também hiperplasia endometrial.

Tratamento: quando retirar

Nem todo pólipo precisa ser retirado. A conduta depende dos sintomas, da idade e do desejo de engravidar:

  • Acompanhamento: pólipos pequenos, sem sintomas e em mulheres antes da menopausa podem apenas ser observados — muitos regridem sozinhos.
  • Polipectomia histeroscópica (retirada): indicada quando há sangramento anormal, na pós-menopausa, em pólipos grandes, quando há dificuldade para engravidar ou fatores de risco. É um procedimento minimamente invasivo, sem cortes, com recuperação rápida.

Pólipo pode desaparecer sozinho?

Pode. Uma parte dos pólipos endometriais — sobretudo os pequenos e em mulheres antes da menopausa — regride espontaneamente ao longo de alguns meses. Por isso, quando o pólipo é pequeno e não causa sintomas, uma conduta válida é repetir o ultrassom em alguns meses antes de decidir por qualquer procedimento.

Já na pós-menopausa, a regressão espontânea é menos provável, e a tendência é investigar e retirar com mais frequência. Se surgir sangramento, o pólipo não deve seguir apenas em observação. E se ele crescer de forma significativa ou mudar de aspecto no ultrassom durante o acompanhamento, é hora de reavaliar a estratégia — crescimento, por si só, não significa câncer, mas muda a conversa.

Pólipo endometrial após a menopausa

Depois da menopausa, o pólipo merece mais atenção — não porque costume ser câncer (a maioria continua benigna), mas porque o risco de uma alteração pré-maligna ou maligna, embora baixo, é maior do que antes da menopausa, especialmente quando há sangramento. Por isso, nessa fase:

  • Qualquer sangramento pós-menopausa associado a pólipo deve ser sempre investigado — é o principal sinal de alerta.
  • A indicação de retirada (polipectomia) é mais frequente, às vezes mesmo sem sintomas, justamente para garantir a análise do tecido.
  • A avaliação histológica do pólipo retirado é o que confirma que é benigno e afasta a hiperplasia endometrial e o câncer de endométrio.

Pólipo e anticoncepcional

Duas dúvidas são muito comuns:

  • O anticoncepcional causa pólipo? Não há evidência de que a pílula anticoncepcional combinada cause pólipos endometriais. O estímulo associado aos pólipos é o do estrogênio sem oposição, situação diferente da pílula combinada. Já o tamoxifeno (usado no câncer de mama) é, sim, um conhecido fator de risco.
  • O anticoncepcional trata o pólipo? Não é o tratamento para removê-lo — o que retira o pólipo é a histeroscopia (polipectomia). Alguns pólipos até regridem durante o acompanhamento, inclusive em quem usa tratamento hormonal, mas isso não faz do hormônio um substituto da retirada quando ela está indicada. O tratamento hormonal — incluindo o DIU hormonal — pode controlar o sangramento e ajudar a proteger o endométrio, mas não substitui a retirada quando ela está indicada.

Pólipo e fertilidade/gravidez

Os pólipos podem alterar a cavidade uterina e a receptividade do endométrio, e estão associados a maior dificuldade para engravidar em parte das mulheres. A polipectomia por histeroscopia pode melhorar as chances de gestação, e esse benefício é mais bem demonstrado na tentativa espontânea e antes da inseminação intrauterina.

Na fertilização in vitro (FIV), porém, a conversa é outra — e vale ser honesto sobre isso. Embora seja comum considerar a retirada do pólipo antes da transferência de embriões, ainda não está demonstrado com boa qualidade de evidência que a polipectomia de rotina aumente as taxas de implantação ou de nascido vivo na FIV. É o que aponta a atualização de 2026 da sociedade americana de medicina reprodutiva. Ou seja: a decisão é individualizada — pesa o tamanho e a localização do pólipo, a presença de sintomas, o histórico reprodutivo e a etapa do tratamento —, e não uma regra automática de "vai fazer FIV, então retira".

Pólipo ou mioma: como diferenciar

  Pólipo endometrial Mioma
OrigemTecido do revestimento (endométrio)Tecido muscular do útero
AspectoLesão focal de tecido endometrial, projetada na cavidadeNódulo muscular na parede; o submucoso pode se projetar para dentro da cavidade
Sintoma comumEscape e sangramento irregularFluxo intenso, cólica, peso
RetiradaHisteroscopia (polipectomia)Depende do tipo/tamanho

Os dois são benignos, podem causar sangramento e às vezes coexistem no mesmo útero. A distinção é feita pela imagem — e o tratamento leva em conta as duas condições.

Pólipo no útero raramente é câncer e, quando incomoda, tem uma solução simples e minimamente invasiva. O importante é não ignorar sangramentos fora do padrão — especialmente após a menopausa — e investigar com calma.

💬 Da prática clínica

A palavra "pólipo" assusta, mas tranquilizo a maioria das pacientes logo na consulta: é quase sempre benigno. Decidimos juntos entre acompanhar ou retirar conforme os sintomas, a fase da vida e o desejo de engravidar. Quando a retirada é indicada, a histeroscopia resolve de forma rápida e sem cortes. — Dra. Gabriella Dourado

Perguntas Frequentes

O que é um pólipo endometrial?

É um crescimento do tecido que reveste o interior do útero (o endométrio), que forma uma pequena projeção para dentro da cavidade uterina. Pode ser único ou múltiplo, de poucos milímetros a alguns centímetros. Na grande maioria das vezes é benigno. Muitos pólipos não dão sintomas e são descobertos por acaso em um ultrassom de rotina.

Pólipo no útero é câncer?

Quase sempre não. A grande maioria dos pólipos endometriais é benigna; o risco de o pólipo conter uma alteração maligna ou pré-maligna é baixo, mas varia conforme o perfil: é bem menor em mulheres jovens, antes da menopausa e sem sintomas, e maior com o avanço da idade, após a menopausa e, sobretudo, quando há sangramento. O tamanho do pólipo, isoladamente, não é um bom indicador desse risco. Por isso, o pólipo retirado é sempre enviado para análise (anatomopatológico), que confirma o diagnóstico.

Pólipo endometrial precisa ser retirado sempre?

Nem sempre. Pólipos pequenos, assintomáticos e em mulheres antes da menopausa podem apenas ser acompanhados, pois muitos regridem sozinhos. A retirada (polipectomia) é mais indicada quando há sangramento anormal, sangramento após a menopausa, dificuldade para engravidar, dúvida no diagnóstico ou fatores de risco para alterações do endométrio. Já um pólipo encontrado por acaso em mulher pós-menopáusica sem nenhum sintoma não significa retirada automática: entram na conta idade, aspecto no ultrassom, fatores de risco e a preferência da paciente. A decisão é individualizada com o ginecologista.

Como é feita a retirada do pólipo (polipectomia)?

A retirada é feita por histeroscopia cirúrgica: uma microcâmera entra pelo colo do útero e o pólipo é removido sob visão direta, geralmente em procedimento rápido e minimamente invasivo, sem cortes. O material é enviado para análise. A recuperação costuma ser tranquila, com retorno às atividades em poucos dias.

Pólipo endometrial pode atrapalhar a gravidez?

Pode. Pólipos podem alterar a cavidade e a receptividade do endométrio, e estão associados a maior dificuldade para engravidar em parte das mulheres. Em quem tem infertilidade, a polipectomia é frequentemente considerada e pode melhorar as chances — o benefício é mais bem demonstrado na tentativa espontânea e antes da inseminação intrauterina. Já especificamente antes da FIV, a evidência de que retirar o pólipo aumente a taxa de nascido vivo ainda é limitada, e a decisão é individualizada.

Quais os sintomas de pólipo no útero?

O sintoma mais comum é o sangramento uterino anormal: sangramento entre as menstruações (escape), menstruação mais intensa, sangramento após a relação ou qualquer sangramento após a menopausa. Muitos pólipos, porém, não causam sintoma algum e são achados em exames de rotina. Qualquer sangramento fora do padrão deve ser avaliado.

Pólipo endometrial pode voltar depois de retirado?

Sim, pode haver recidiva, sobretudo em quem tem múltiplos pólipos ou fatores que estimulam o endométrio (como o tamoxifeno). Isso não significa que todas precisem repetir ultrassom com frequência depois da retirada: o que deve motivar nova avaliação é o surgimento de sintomas, especialmente sangramento anormal. Ainda assim, a polipectomia resolve o problema na maioria das mulheres.

Qual a diferença entre pólipo e mioma?

O pólipo endometrial é um crescimento do tecido de revestimento do útero (o endométrio), em geral macio e dentro da cavidade. O mioma é um nódulo de tecido muscular da parede do útero. Os dois são benignos, podem causar sangramento e às vezes coexistem, mas têm origem, aparência e tratamento diferentes.

Pólipo endometrial desaparece sozinho?

Pode. Uma parte dos pólipos — principalmente os pequenos e em mulheres antes da menopausa — regride sozinha em alguns meses. Por isso, pólipos pequenos e sem sintomas podem apenas ser acompanhados com um novo ultrassom. Já na pós-menopausa a regressão é menos provável, e pólipos que causam sangramento ou que crescem devem ser retirados.

Anticoncepcional trata pólipo endometrial?

Não são o tratamento para removê-lo. O anticoncepcional e o DIU hormonal podem ajudar a controlar o sangramento e a proteger o endométrio, e alguns pólipos até regridem durante o acompanhamento — mas nada disso substitui a retirada quando ela está indicada. Quando há indicação de tratar, a remoção é feita por histeroscopia (polipectomia). Também não há evidência de que a pílula combinada cause pólipos.

Sangramento fora do normal ou pólipo no exame?

A Dra. Gabriella Dourado é ginecologista e obstetra em São Paulo (Paraíso e Higienópolis). Ela investiga e trata pólipos, miomas e sangramento uterino, com histeroscopia quando indicada.

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Conteúdo informativo. Este artigo não substitui a consulta médica. Para avaliação individualizada, procure um ginecologista.

Referências: SOGC — “Guideline No. 447: Diagnosis and Management of Endometrial Polyps” (2024); ASRM — “Recurrent implantation failure: a committee opinion” (2026), para o capítulo de fertilidade; ACOG — “Committee Opinion” sobre o uso da histeroscopia no diagnóstico e tratamento de patologia intrauterina; British Fertility Society — manejo de pólipos endometriais na fertilidade (2026); FEBRASGO; American Association of Gynecologic Laparoscopists (AAGL).