Ginecologia

Pólipo endometrial: sintomas, é câncer?, tratamento e gravidez

📅 Atualizado em junho de 2026 ⏱ Leitura: 11 minutos 👩‍⚕️ Revisado por especialista em ginecologia

Descobrir um "pólipo no útero" em um ultrassom de rotina costuma gerar susto — e a primeira pergunta quase sempre é "isso é câncer?". A resposta, na imensa maioria das vezes, é tranquilizadora. O pólipo endometrial é uma das alterações mais comuns do útero, geralmente benigna, e com tratamento simples quando necessário.

Este guia explica o que é o pólipo endometrial, seus sintomas, quando ele preocupa, como é feito o diagnóstico e o tratamento, e o que ele significa para quem deseja engravidar.

📌 Em resumo

  • O que é: um crescimento do endométrio (revestimento interno do útero) para dentro da cavidade
  • Sintoma principal: sangramento uterino anormal — mas muitos não dão sintomas
  • É câncer? Quase sempre não — a grande maioria é benigna
  • Diagnóstico: ultrassom transvaginal e histeroscopia (padrão-ouro)
  • Tratamento: acompanhamento ou retirada por histeroscopia (polipectomia)

O que é o pólipo endometrial

Pólipo endometrial é um crescimento benigno do endométrio (o revestimento interno do útero) que se projeta para dentro da cavidade uterina. Em geral está associado a sangramento uterino anormal ou a dificuldade para engravidar, mas muitas vezes não dá sintomas e é um achado de exame de imagem.

O pólipo endometrial é um crescimento do endométrio — o tecido que reveste o interior do útero e que descama a cada menstruação — formando uma pequena projeção para dentro da cavidade uterina. Pode ser único ou múltiplo, ter de poucos milímetros a alguns centímetros, e ficar preso por uma base larga (séssil) ou por um "pezinho" (pediculado).

É uma alteração muito comum, sobretudo entre os 40 e os 50 anos, e na grande maioria das vezes é benigna. Não confundir com o pólipo do colo do útero (cervical), que surge no canal do colo e é visto no exame ginecológico — também benigno na maioria dos casos.

Sintomas do pólipo endometrial

Muitos pólipos não dão sintoma nenhum e são descobertos por acaso em um ultrassom de rotina. Quando há sintomas, o mais comum é o sangramento uterino anormal:

  • Sangramento entre as menstruações (escape / spotting)
  • Menstruação mais intensa ou prolongada
  • Sangramento após a relação sexual
  • Qualquer sangramento após a menopausa — sempre um sinal de alerta a investigar
  • Dificuldade para engravidar, em alguns casos

O que causa: fatores de risco

A causa exata não é totalmente conhecida, mas o crescimento dos pólipos é estimulado pelo estrogênio. Alguns fatores aumentam a chance:

  • Idade (mais comum perto da menopausa e na pós-menopausa)
  • Obesidade e hipertensão
  • Uso de tamoxifeno (medicação usada no câncer de mama)
  • Terapia hormonal da menopausa sem o equilíbrio adequado

Pólipo no útero é câncer?

Esta é a maior preocupação — e a resposta tranquiliza: quase sempre não. A grande maioria dos pólipos endometriais é benigna. O risco de um pólipo conter uma alteração pré-maligna ou maligna é baixo (em geral abaixo de 5%), e é maior em algumas situações:

  • Após a menopausa (sobretudo com sangramento)
  • Pólipos grandes
  • Uso de tamoxifeno
  • Fatores de risco para câncer de endométrio (obesidade, diabetes, síndrome de Lynch)

Justamente por isso, todo pólipo retirado é enviado para análise (anatomopatológico), que confirma se é benigno — o que acontece na imensa maioria dos casos.

O tamanho do pólipo importa?

Em parte, sim — mas o tamanho é apenas um dos fatores. De forma geral:

  • Pólipos pequenos (até cerca de 1 cm): muitas vezes não dão sintomas e, antes da menopausa, podem regredir sozinhos — costumam ser apenas acompanhados quando não há sintomas.
  • Pólipos maiores (acima de ~1,5 a 2 cm): têm mais chance de causar sangramento, de interferir na fertilidade e, por isso, mais frequentemente têm indicação de retirada.

Ainda assim, o tamanho não decide sozinho a conduta nem o risco. Um pólipo pequeno que causa sangramento na pós-menopausa merece mais atenção do que um pólipo um pouco maior, sem sintomas, em uma mulher jovem. O que pesa de verdade é o conjunto — sintomas, fase da vida (antes ou depois da menopausa), desejo de engravidar e fatores de risco.

Descobriu um pólipo no útero?

A Dra. Gabriella Dourado é ginecologista em São Paulo e avalia pólipos com ultrassom especializado e histeroscopia, definindo se é caso de acompanhar ou retirar.

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Como é feito o diagnóstico

  • Ultrassom transvaginal: costuma ser o primeiro exame; sugere o pólipo como um espessamento focal ou uma imagem dentro da cavidade
  • Histerossonografia (ultrassom com soro): infunde-se soro fisiológico na cavidade para "abrir" o útero e ver melhor o pólipo
  • Histeroscopia: é o padrão-ouro — uma microcâmera vê o pólipo diretamente e, no mesmo procedimento, permite retirá-lo e enviá-lo para análise

Tratamento: quando retirar

Nem todo pólipo precisa ser retirado. A conduta depende dos sintomas, da idade e do desejo de engravidar:

  • Acompanhamento: pólipos pequenos, sem sintomas e em mulheres antes da menopausa podem apenas ser observados — muitos regridem sozinhos.
  • Polipectomia histeroscópica (retirada): indicada quando há sangramento anormal, na pós-menopausa, em pólipos grandes, quando há dificuldade para engravidar ou fatores de risco. É um procedimento minimamente invasivo, sem cortes, com recuperação rápida.

Pólipo pode desaparecer sozinho?

Pode. Uma parte dos pólipos endometriais — sobretudo os pequenos e em mulheres antes da menopausa — regride espontaneamente ao longo de alguns meses. Por isso, quando o pólipo é pequeno e não causa sintomas, uma conduta válida é repetir o ultrassom em alguns meses antes de decidir por qualquer procedimento.

Já na pós-menopausa, a regressão espontânea é menos provável, e a tendência é investigar e retirar com mais frequência. Um pólipo que causa sangramento ou que cresce no acompanhamento não deve ser apenas observado.

Pólipo endometrial após a menopausa

Depois da menopausa, o pólipo merece mais atenção — não porque costume ser câncer (a maioria continua benigna), mas porque o risco de uma alteração pré-maligna ou maligna, embora baixo, é maior do que antes da menopausa, especialmente quando há sangramento. Por isso, nessa fase:

  • Qualquer sangramento pós-menopausa associado a pólipo deve ser sempre investigado — é o principal sinal de alerta.
  • A indicação de retirada (polipectomia) é mais frequente, às vezes mesmo sem sintomas, justamente para garantir a análise do tecido.
  • A avaliação histológica do pólipo retirado é o que confirma que é benigno e afasta a hiperplasia endometrial e o câncer de endométrio.

Pólipo e anticoncepcional

Duas dúvidas são muito comuns:

  • O anticoncepcional causa pólipo? Não há evidência de que a pílula anticoncepcional combinada cause pólipos endometriais. O estímulo associado aos pólipos é o do estrogênio sem oposição, situação diferente da pílula combinada. Já o tamoxifeno (usado no câncer de mama) é, sim, um conhecido fator de risco.
  • O anticoncepcional trata o pólipo? Não faz o pólipo "sumir". O que remove o pólipo é a histeroscopia (polipectomia). O tratamento hormonal — incluindo o DIU hormonal — pode controlar o sangramento e ajudar a proteger o endométrio, mas não substitui a retirada quando ela está indicada.

Pólipo e fertilidade/gravidez

Os pólipos podem dificultar a implantação do embrião e estão associados a maior dificuldade para engravidar e a menores taxas de sucesso em tratamentos de reprodução assistida. A boa notícia: em muitos casos, a retirada do pólipo melhora as chances de gravidez. Por isso, em quem está tentando engravidar — sobretudo antes de uma FIV — costuma-se indicar a polipectomia.

Pólipo ou mioma: como diferenciar

  Pólipo endometrial Mioma
OrigemTecido do revestimento (endométrio)Tecido muscular do útero
ConsistênciaMacio, dentro da cavidadeFirme, na parede do útero
Sintoma comumEscape e sangramento irregularFluxo intenso, cólica, peso
RetiradaHisteroscopia (polipectomia)Depende do tipo/tamanho

Os dois são benignos, podem causar sangramento e às vezes coexistem no mesmo útero. A distinção é feita pela imagem — e o tratamento leva em conta as duas condições.

Pólipo no útero raramente é câncer e, quando incomoda, tem uma solução simples e minimamente invasiva. O importante é não ignorar sangramentos fora do padrão — especialmente após a menopausa — e investigar com calma.

💬 Da prática clínica

A palavra "pólipo" assusta, mas tranquilizo a maioria das pacientes logo na consulta: é quase sempre benigno. Decidimos juntos entre acompanhar ou retirar conforme os sintomas, a fase da vida e o desejo de engravidar. Quando a retirada é indicada, a histeroscopia resolve de forma rápida e sem cortes. — Dra. Gabriella Dourado

Perguntas Frequentes

O que é um pólipo endometrial?

É um crescimento do tecido que reveste o interior do útero (o endométrio), que forma uma pequena projeção para dentro da cavidade uterina. Pode ser único ou múltiplo, de poucos milímetros a alguns centímetros. Na grande maioria das vezes é benigno. Muitos pólipos não dão sintomas e são descobertos por acaso em um ultrassom de rotina.

Pólipo no útero é câncer?

Quase sempre não. A grande maioria dos pólipos endometriais é benigna; o risco de o pólipo conter uma alteração maligna ou pré-maligna é baixo (em geral abaixo de 5%) e é maior após a menopausa, quando há sangramento, em pólipos grandes e em usuárias de tamoxifeno. Por isso, o pólipo retirado é sempre enviado para análise (anatomopatológico), que confirma o diagnóstico.

Pólipo endometrial precisa ser retirado sempre?

Nem sempre. Pólipos pequenos, assintomáticos e em mulheres antes da menopausa podem apenas ser acompanhados, pois muitos regridem sozinhos. A retirada (polipectomia) é indicada quando há sangramento anormal, na pós-menopausa, em pólipos grandes, quando há dificuldade para engravidar ou fatores de risco. A decisão é individualizada com o ginecologista.

Como é feita a retirada do pólipo (polipectomia)?

A retirada é feita por histeroscopia cirúrgica: uma microcâmera entra pelo colo do útero e o pólipo é removido sob visão direta, geralmente em procedimento rápido e minimamente invasivo, sem cortes. O material é enviado para análise. A recuperação costuma ser tranquila, com retorno às atividades em poucos dias.

Pólipo endometrial pode atrapalhar a gravidez?

Pode. Pólipos podem dificultar a implantação do embrião e estão associados a maior dificuldade para engravidar e a menores taxas de sucesso em tratamentos de reprodução assistida. Em muitos casos, a remoção do pólipo melhora as chances de gravidez. Por isso, em quem tenta engravidar, costuma-se indicar a retirada.

Quais os sintomas de pólipo no útero?

O sintoma mais comum é o sangramento uterino anormal: sangramento entre as menstruações (escape), menstruação mais intensa, sangramento após a relação ou qualquer sangramento após a menopausa. Muitos pólipos, porém, não causam sintoma algum e são achados em exames de rotina. Qualquer sangramento fora do padrão deve ser avaliado.

Pólipo endometrial pode voltar depois de retirado?

Sim, pode haver recidiva, sobretudo em quem tem múltiplos pólipos ou fatores que estimulam o endométrio (como o tamoxifeno). Por isso o acompanhamento posterior é importante. Ainda assim, a polipectomia resolve o problema na maioria das mulheres.

Qual a diferença entre pólipo e mioma?

O pólipo endometrial é um crescimento do tecido de revestimento do útero (o endométrio), em geral macio e dentro da cavidade. O mioma é um nódulo de tecido muscular da parede do útero. Os dois são benignos, podem causar sangramento e às vezes coexistem, mas têm origem, aparência e tratamento diferentes.

Pólipo endometrial desaparece sozinho?

Pode. Uma parte dos pólipos — principalmente os pequenos e em mulheres antes da menopausa — regride sozinha em alguns meses. Por isso, pólipos pequenos e sem sintomas podem apenas ser acompanhados com um novo ultrassom. Já na pós-menopausa a regressão é menos provável, e pólipos que causam sangramento ou que crescem devem ser retirados.

Anticoncepcional trata pólipo endometrial?

Não. O anticoncepcional e o DIU hormonal podem ajudar a controlar o sangramento e a proteger o endométrio, mas não fazem o pólipo desaparecer. Quando há indicação de tratar, a remoção é feita por histeroscopia (polipectomia). Também não há evidência de que a pílula combinada cause pólipos.

Sangramento fora do normal ou pólipo no exame?

A Dra. Gabriella Dourado é ginecologista e obstetra em São Paulo (Paraíso e Higienópolis). Ela investiga e trata pólipos, miomas e sangramento uterino, com histeroscopia quando indicada.

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Conteúdo informativo. Este artigo não substitui a consulta médica. Para avaliação individualizada, procure um ginecologista.

Referências: FEBRASGO, American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), American Association of Gynecologic Laparoscopists (AAGL).